Síntese
Em 2005, na comparação com 2004, a produção brasileira de carne bovina evoluiu 5,7%, o consumo cerca de 1,3% e as exportações, em volume, 18,6%. O rebanho, graças ao abate de matrizes, encolheu 1%. Do ponto de vista de produção e geração de divisas, em que pesem os casos de febre aftosa no final do ano, 2005 foi um ano bom para a pecuária. Mas os preços pagos aos produtores recuaram significativamente.
A cotação do boi gordo, em reais, na média de 25 praças pesquisadas pela Scot Consultoria, caiu 8,7% entre janeiro e dezembro. Para a reposição as retrações foram menores, mas presentes. Em setembro o preço médio do boi gordo paulista ficou em R$ 50,88/arroba, o menor dos últimos 35 anos, com base em valores corrigidos pelo IGP-DI.
Os preços dos insumos agrícolas até que não subiram muito, alguns caíram, mas como as cotações do boi gordo e de animais para reposição recuaram, as relações de troca pioraram, ou melhoraram muito pouco, para o produtor (dependendo da atividade e do insumo analisado). Como reflexo tem-se uma contenção de despesas que, somada ao descarte de matrizes, irá comprometer a produção. Para os frigoríficos o ano foi relativamente bom. As indústrias que abastecem o mercado interno trabalharam com “margens” não registradas desde 1997, pois o preço do boi caiu muito mais que o preço da carne.
Já as “margens” dos exportadores, em função do real super-valorizado, diminuíram um pouco. Mas mantiveram-se positivas para as vendas de carne in natura. A aftosa prejudicou o desempenho do setor no final do ano. Mas boa parte dos frigoríficos exportadores possuiu plantas em vários Estados, alguns não bloqueados por embargos. Portanto, remanejando a produção, as indústrias continuaram embarcando volumes significativos de carne para o exterior, gozando de preços elevados, justamente em função das restrições comerciais impostas ao Brasil.
Para 2006 espera-se por um ajuste na oferta de carne e gado, em conseqüência direta da redução dos investimentos e do elevado abate de matrizes. As exportações tendem a crescer, ainda que de forma mais comedida, e as vendas internas podem se aquecer, graças a fatores conjunturais típicos de anos de eleição. Por conta disso, o dólar também pode reagir um pouco. Por fim, espera-se que os preços pagos aos produtores alcancem patamares mais elevados em 2006, principalmente a partir do segundo semestre, dando início a um novo ciclo pecuário.
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