Cevada
(Hordeum vulgare)
A cultura: a cultura da cevada basicamente se destina a produção de grãos, que são transformados em malte para a indústria cervejeira. Os grãos que não alcançam a qualidade para a indústria são destinados a fabricação de ração. A expansão desta cultura depende, entre outros fatores, do aumento da capacidade industrial das maltarias existentes no país. É uma cultura alternativa para propriedade, sendo o sul do país uma excelente área para sua produção.
A área: a cevada é uma cultura exigente em fertilidade, devido a isso, devem ser realizadas correções de solo para obtenção de alta produtividade.
Adubação e Calagem: as recomendações de corretivos da acidez e de fertilizantes são baseadas em resultados de análises químicas de solo. A amostra de solo deve, portanto, ser representativa das condições da lavoura. As quantidades indicadas de calcário e de fertilizantes pressupõem que os demais fatores que influenciam a produção de cevada estejam em níveis satisfatórios. As doses sugeridas objetivam a obtenção de retorno econômico máximo em função do uso desses insumos na cultura.
Nitrogênio: as quantidades de fertilizante nitrogenado a aplicar variam, basicamente, em função do teor de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento de grãos da cultura, a qual é função da interação de vários fatores de produção e das condições climáticas. A dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 e 20 kg/ha. O restante deve ser aplicado em cobertura, completando o total indicado. A aplicação de nitrogênio em cobertura deve ser realizada entre os estádios de afilhamento e início de alongamento, correspondendo, ao período entre 30 e 45 dias após a emergência.
OBS: no caso de resteva de milho e especialmente quando há muita palha, convém antecipar a aplicação em cobertura. Para cultivares muito suscetíveis ao acamamento, doses menores que as indicadas devem ser empregadas. Devemos tomar cuidado na aplicação de nitrogênio, pois o manejo incorreto pode elevar o teor de proteína do grão, sendo que mais de 12% é indesejável para a indústria cervejeira.
Fósforo: no caso de solos com baixos teores de P, é recomendável a localização do adubo no sulco de semeadura. A aplicação a lanço só é indicada quando o teor de P no solo for alto.
Potássio: como nível ideal de potássio no solo considera-se o teor de 80mg/l. E valores abaixo desse aumenta as possibilidades de redução no desenvolvimento da cultura.
Semeadura:
A densidade de semeadura deve ser ajustada tendo como meta o estabelecimento de uma população média de 250 plantas/m². O espaçamento entre linhas varia de acordo com a variedade, ficando em torno de 16 a 20 cm entre linhas. A semente deverá ser depositada uniformemente no solo, em profundidade entre 3 e 5 cm.
O ciclo da cevada é de aproximadamente 100-140 dias e seu porte herbáceo de 60-110 cm de altura. Varia de 94 a 99 dias para o espigamento e de 142 a 146 dias para a maturação, isto para a maioria das variedades.
Cultivares: as cultivares a serem plantadas são definidas conforme a região em parceria com a empresa cervejeira e/ou destinação final do produto. A cevada para fins cervejeiros é sistematicamente cultivada nos três estados da Região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).
A época de semeadura é distinta para cada estado. No RS de maio a julho; SC: maio a agosto e PR: maio a julho.
Tratamento de sementes
As sementes de cevada, freqüentemente, encontram-se infectadas por fungos patogênicos, entre eles Pyrenophora teres e Cochliobolus sativus. Para evitar a introdução de organismos patogênicos, principalmente em áreas onde se pratica rotação de culturas, recomenda-se o tratamento de sementes com fungicidas registrados. A eficácia dos fungicidas recomendados para o tratamento de sementes depende, fundamentalmente, da uniformidade de distribuição dos produtos sobre elas. Para tanto, os fungicidas devem ser adicionados parceladamente para que todas as sementes sejam cobertas de maneira uniforme.
Informações sobre os fungicidas registrados para a cultura encontram-se na Seção AGROLINKFITO.
Controle de pragas, doenças e invasoras:
Recomenda-se fazer o manejo integrado das pragas, doenças e invasoras e ainda aplicar agroquímicos quando se justificar economicamente. É necessário considerar que os produtos devem estar devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Para informações sobre manejo fitossanitário acesse o menu SANIDADE e para bulas de produtos recomendados para a cultura da cevada, acesse AGROLINKFITO no nosso portal.
Colheita: a colheita da cevada cervejeira é uma etapa muito importante, visto as características que os grãos devem apresentar para que sejam considerados adequados à fabricação de malte. A cevada, para ser malteável, deve apresentar poder germinativo de, no mínimo, 95%. Além do alto poder germinativo, os grãos devem apresentar cor e cheiro característicos de palha. Dessa maneira, cuidados devem ser tomados para evitar perdas justamente na última fase de produção.
Pré-limpeza: é recomendada para a remoção de impurezas, bem como de grãos tipo refugo, que não interessam ao fabricante de malte. O refugo poderá ser utilizado na alimentação de animais ou ser vendido aos fabricantes de ração, conseguindo-se normalmente preços superiores àqueles pagos pelas indústrias de malte para esse tipo de grão. Recomenda-se, para essa operação, o uso de peneiras de 1,8 mm. Usando-se peneiras com malhas maiores, haverá retirada de grãos comercialmente valiosos.
Secagem: os teores de umidade de grão recomendados para a conservação de cevada são de 13%, para períodos relativamente curtos, e de 12%, para períodos mais longos. Dessa maneira, toda a produção colhida com umidade superior às indicadas para armazenamento deve ser seca previamente. Como a manutenção de alta percentagem de germinação é indispensável na indústria de malte, o emprego de temperaturas elevadas durante o processo de secagem é inconveniente.
A temperatura máxima recomendada para a secagem de cevada é 45 ºC na massa de grãos. Na prática, essa temperatura é conseguida com mais ou menos 65 ºC na entrada de ar dos secadores. Para lotes com mais de 16% de umidade, recomenda-se a secagem lenta, para reduzir a umidade em etapas, retirando-se em torno de 3% por vez. A operação de secagem deve ser processada imediatamente após a colheita.
Fonte: Informações baseadas nas Indicações Técnicas para Produção de Cevada Cervejeira, safras 2003 e 2004.