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Cereais de Inverno


Cigarrinhas-das-Pastagens

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Cigarrinhas-das-Pastagens
28/07/06 - 23:08 
As cigarrinhas-das-pastagens são consideradas como a principal praga das gramíneas forrageiras: ‘Brachiaria decumbens’, ‘Brachiaria ruziziensis’ e ‘Cenchrus ciliaris’ (capim buffel). As cigarrinhas-das-pastagens (Zulia entreriana, Deois flavopicta, Deois schach, Deois incompleta, Mahanarva fimbriolata) são insetos sugadores, pertencentes à família Cercopidae, distribuídas nas mais diversas condições ecológicas. Os adultos sugam a seiva das folhas e inoculam toxinas, causando intoxicação sistêmica das plantas (fitotoxemia) que interrompe o fluxo de seiva e o processo vegetativo. Os sintomas iniciais são estrias longitudinais amareladas que aumentam para o ápice da folha e posteriormente secam. Quando o ataque é intenso, pode haver amarelecimento geral da pastagem ("queima das pastagens"). As formas jovens (ninfas) sugam continuamente a seiva das raízes, produzindo espuma branca típica, que as protege dos raios solares e de certos predadores. Nessa fase causam desequilíbrio hídrico e esgotamento das reservas orgânicas da planta. Os danos causados às pastagens são variáveis em função da severidade do ataque. Ocorre decréscimo significativo na produção, próximo a 15%, e na qualidade da forragem, resultando em diminuições na capacidade de suporte, na produção de leite e no ganho de peso. Em certas condições a severidade do ataque das cigarrinhas tem causado a "queima" total das pastagens, deixando os produtores sem alternativa de manejo do rebanho. Além das pastagens, as lavouras de milho, arroz, aveia-preta e cana podem sofrer sérios danos pelo ataque dessa praga, principalmente dos adultos, pela injeção de toxinas durante a sucção de seiva. Em milho, os adultos sugam as folhas e o colmo, dentro ou fora do cartucho. Os sintomas de ataque são caracterizados por cloroses foliares que, de manchas suaves em poucas folhas, evoluem para uma clorose generalizada, com início de senescência, que pode causar a morte das plantas, principalmente das mais jovens, devido à maior sensibilidade. Plantas de até dez dias são muito sensíveis, sendo que uma infestação de três a quatro cigarrinhas/planta provoca severos danos, com os sintomas de ataque e morte da planta sendo verificados dois e quatro dias após a infestação. Já as plantas com mais de 17 dias são mais tolerantes à alta infestação. As populações das cigarrinhas e seu comportamento estão muito relacionados às condições climáticas, particularmente alta umidade e temperatura. Quando essas são favoráveis, as ninfas eclodem cerca de 22 dias após a postura, passando pela fase de ninfa até atingirem o estádio adulto, completando o ciclo biológico em 50 a 70 dias, dependendo da espécie. Caso contrário, os ovos entram em quiescência (no período de inverno), mantendo-se viáveis durante vários dias no solo à espera de condições favoráveis, que coincidem com o início das chuvas. Geralmente, ocorrem três picos populacionais da cigarrinha, que se sobrepõem de outubro a abril. O primeiro e maior, em novembro, o segundo no final de janeiro e início de fevereiro e o terceiro em março/abril. A população das cigarrinhas-das-pastagens durante a estação chuvosa alcança níveis muito altos, podendo-se encontrar até 100 ninfas/m². A complexidade do problema ocasionado por esses insetos está no fato de se tratar de várias espécies de cigarrinhas atuando sobre diversas espécies de gramíneas forrageiras. Assim, a relação inseto-planta apresenta características próprias em inúmeras combinações entre espécies de cigarrinhas X plantas hospedeiras. # Principais táticas de manejo das pastagens Para o manejo das cigarrinhas-das-pastagens não se deve pensar em um método isolado e sim num conjunto de medidas que devem ser adotadas de maneira integrada e ecológica, visando-se redução do nível populacional da praga, a preservação dos inimigos naturais e a proteção das gramíneas forrageiras na sua fase de maior suscetibilidade ao ataque. Embora ainda não se tenha definido um nível de dano econômico para as cigarrinhas-das-pastagens, sugere-se que sejam feitos levantamentos populacionais da praga antes do controle, levando-se em consideração todas as medidas citadas anteriormente. Para tanto, no período de máxima precipitação, quando ocorre a maior incidência do inseto, sugere-se realizar levantamentos de insetos a cada 15 dias. Como alternativas de controle das cigarrinhas-das-pastagens destacam-se as seguintes medidas: * Controle Cultural - Diversificação das pastagens: consiste no estabelecimento de pastos com diferentes espécies de gramíneas e com variável nível de suscetibilidade às cigarrinhas. Nos períodos de maior incidência do inseto, os pastos formados com gramíneas de suscetibilidade alta (Brachiaria decumbens cv Basilisk, Brachiaria ruziziensis) e tolerantes (Brachiaria humidicola) devem ser submetidos a pastejo leve, enquanto os animais são manejados nos pastos com capins resistentes (Brachiaria brizantha cv Marandu, Panicum maximum cv Massai). Assim, os suscetíveis mantêm seu vigor, suportando os danos causados pela praga. Recomenda-se evitar a formação de extensas áreas de pastagens com uma única espécie, na tentativa de impedir que a resistência seja superada. - Manejo de pastagens: se dá através da subdivisão dos pastos e controle da pressão de pastejo. Durante o período de maior ocorrência do inseto (novembro a abril), evitar o superpastejo, principalmente das gramíneas suscetíveis. As gramíneas com hábito de crescimento rasteiro devem ser mantidas a altura entre 25 cm e 30 cm e as de crescimento cespitoso entre 40 e 45 cm, o que mantém o vigor das plantas e permite a preservação dos inimigos naturais das cigarrinhas. Recomenda-se que pastagens de capins suscetíveis sejam rebaixadas, sem sobra de matéria senescente durante o período de maior concentração de postura de ovos em diapausa (março/abril). - Correção do pH e adubação de pastagens: com o decorrer do tempo de utilização dos pastos, há uma constante e crescente queda no vigor da rebrota das forrageiras e infestação por plantas invasoras. Além disso, o ataque de pragas e doenças e o manejo inadequado resultam no processo de degradação das pastagens. A reposição periódica dos nutrientes limitantes ao crescimento das gramíneas (fósforo, potássio e nitrogênio) deve ser determinada pela análise de solo e exigências da forrageira, a fim de manter as plantas vigorosas e resistentes ao ataque não só das cigarrinhas, mas de outras pragas também. - Consorciação de gramíneas x leguminosas: baseia-se no princípio de que as cigarrinhas alimentam-se exclusivamente de gramíneas, assim quando essas estiverem consorciadas com leguminosas, há redução do substrato livre para praga. Quando as leguminosas são plantadas em faixas, essas atuam como barreira na dispersão dos adultos. Além disso, deve-se considerar que pastagens consorciadas, quando bem manejadas, apresentam melhor valor nutritivo que reflete positivamente no desempenho animal. - Sementes forrageiras: ao se adquirir sementes para formação e reforma de pastagens, deve-se certificar de que apresentam boa qualidade e ausência de ovos de cigarrinhas em quiescência. * Controle Químico O emprego de inseticidas no controle de adultos de cigarrinhas, só se justifica em caso de pastagens que tenham um alto valor agregado, como às destinadas à produção de sementes. Para efetuar o controle, deve-se monitorar a população das ninfas, através de observações periódicas no campo. Recomenda-se, o controle somente após a constatação da existência de 20 a 25 ninfas de últimos ínstares (quase adultos)/m2. Como existem ninfas de diferentes ínstares ("idades"), pode ser necessário repetir a aplicação sete dias após. Jamais utilizar inseticidas após a constatação do amarelecimento, pois a expressão dos sintomas se dá cerca de três semanas após o ataque das cigarrinhas adultas, período no qual os insetos responsáveis pelo dano já completaram seu ciclo. Ao conciliar o controle químico ao biológico numa mesma área de pastagem, deve-se optar por inseticidas compatíveis ao agente biológico. O maior desafio ao controle químico das formas jovens das cigarrinhas, evitando-se assim que o adulto injete a saliva tóxica e cause o dano às pastagens é fazer com que os produtos consigam vencer a barreira de proteção oferecida pela espuma na base da planta forrageira. * Controle Biológico Os inimigos naturais atuam em maior ou menor grau para redução da população das cigarrinhas, devendo-se adotar medidas que visem manter e/ou aumentar as suas populações, na busca do equilíbrio biológico. Em condições de campo, as cigarrinhas são parcialmente controladas por vários inimigos naturais, entre eles o mais importante é o fungo ‘Metarhizium anisopliae’ que coloniza as ninfas e os adultos. No entanto, a efetividade do fungo depende dos fatores ambientais, principalmente, temperatura e umidade relativa do ar. Também se tem observado larvas das moscas, ‘Salpingogaster nigra’ e ‘Salpingogaster pygophora’, penetrando a massa espumosa para se alimentarem das ninfas e outros inimigos naturais, tais como: aranhas, formigas, micro-himenópteros e nematóides entomopatogênicos. O fungo ‘M. anisopliae’ tem-se mostrado uma alternativa válida no controle das cigarrinhas em canaviais, com eficiência variando de 10 a 60%. Em regiões ecologicamente favoráveis ao entomopatógeno, o uso do fungo tem superado o efeito real dos inseticidas químicos na evolução da praga. Os resultados obtidos com fungos no controle de cigarrinhas são variáveis (10 a 60% de eficiência), estando diretamente influenciados pela qualidade dos bioinseticidas e pelo correto manuseio e aplicação desses. O fungo pode ser aplicado na formulação pó molhável (2 x 1012 conídios/ha), através de pulverizador costal ou barra tratorizada com bico cônico, utilizando-se de 200 a 300 litros de água/ha, conforme o nível de infestação. Como as ninfas são mais suscetíveis à ação do fungo, sua aplicação deve coincidir com as maiores populações dessas. Sua ação se torna mais eficiente em pastagens que apresentam 25 a 40 cm de altura, protegendo o fungo da ação indesejável da radiação ultravioleta. Elevada umidade, seguida de veranicos e temperatura na faixa de 25 a 27ºC, são indispensáveis para obtenção de bons resultados. Recomenda-se aplicar dosagens menores quando o intervalo de aplicação for curto ou constatar-se baixa infestação da praga, e dosagens maiores, quando as aplicações forem mais espaçadas ou verificar-se alta infestação. Para que o controle seja satisfatório, vários aspectos relacionados ao bioinseticida devem ser considerados. Dentre os mais importantes destacam-se: a "raça" do fungo, a concentração de esporos viáveis do fungo, a formulação do produto e a dosagem. Dentro da espécie ‘M. anisopliae’ há um grande número de "raças". Todas são visualmente idênticas, mas diferem em sua composição genética. Raças distintas diferem na velocidade de crescimento em arroz-substrato (utilizado para a produção em larga escala de fungos que atacam insetos) ou na capacidade de infectar e matar as ninfas (estádio jovem, que vivem no interior de espumas na base do capim) e adultos das cigarrinhas, entre outras características. É aconselhável ter também certos cuidados com o manuseio do produto a fim de preservar sua qualidade. O bioinseticida não deve ficar exposto a temperaturas superiores à 30ºC ou à radiação solar direta durante o transporte até a propriedade onde será utilizado. Quando isso ocorre os esporos do fungo são mortos e o produto torna-se inofensivo às cigarrinhas-das-pastagens. O produto deve ser aplicado no final do dia, evitando-se horas de sol forte. Outra etapa importante é a técnica de aplicação. Como o fungo age por contato, aplicações em que os esporos do fungo não entram em contato com a praga não tem ação. Assim, os equipamentos devem ser devidamente calibrados para esse fim. Em pastagens, as aplicações são normalmente realizadas com o emprego de barras pulverizadoras ou de canhões. Quando as condições permitirem, o emprego de barras pulverizadoras é preferível uma vez, que a calda com os esporos do fungo é aplicada de forma eficaz na base do capim, onde as ninfas se alojam. Recomenda-se que a aplicação seja feita em piquetes onde a população de ninfas esteja entre cinco e 15 espumas/m², pois acima de 20 espumas/m² o pecuarista passa a ter prejuízo econômico com a presença do inseto. Para aplicações aéreas recomenda-se o uso de barras pulverizadoras com bicos hidráulicos para formulações líquidas e o distribuidor (pé-de-pato) para produtos à base de arroz. O controle biológico deve ser considerado como uma das táticas para o manejo integrado das cigarrinhas-das-pastagens. Assim, sua contribuição depende da qualidade do bioinseticida empregado. Embora a eliminação total das cigarrinhas-das-pastagens não seja algo possível e nem mesmo desejável do ponto de vista ecológico, a convivência com densidades populacionais dessa praga abaixo do nível de dano econômico deve ser a meta principal a ser seguida.

USP
Autor: Rosângela Cristina Marucci
Página gerada em: 24/10/2014 14:05:12 - (5 min)

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05/08/2009 às 12:00h - Muito boa a matéria (Marcos)