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Adubação com fósforo a taxa variável em superfície é de fato agricultura de precisão?

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Adubação com fósforo a taxa variável em superfície é de fato agricultura de precisão?
26/04/11 - 15:57 
Por *Álvaro Vilela de Resende

A proporção de áreas manejadas com amostragem georreferenciada do solo e com adubação a taxa variável vem aumentando de forma impressionante nas últimas safras de grãos no Brasil. Estima-se que algo entre 3 e 4 milhões de hectares de lavouras anuais estejam sendo trabalhados com esse tipo de aplicação da agricultura de precisão no País. Em princípio, tal situação pode ser interpretada como um reflexo do avanço tecnológico associado ao conhecimento acumulado acerca do manejo da fertilidade dos nossos solos. Entretanto, uma análise mais criteriosa suscita questões que ainda não estão bem resolvidas.

Especificamente no caso do fósforo (P) há complicadores importantes que não devem ser desconsiderados. Os três principais fatos: 1) o fósforo expressa pronunciado efeito residual das adubações de cultivos anteriores; 2) é um nutriente cuja disponibilidade no solo tipicamente apresenta alta variabilidade espacial; e 3) tem baixa mobilidade no solo, sobretudo nos mais argilosos.

Algumas das consequências dessas particularidades: 1) ocorrem grandes diferenças de disponibilidade de P no solo a curta distância; 2) medidas pontuais discrepantes podem não representar zonas de fertilidade distinta nos talhões, sendo comuns as “contaminações” de amostras de solo por partículas residuais de fertilizantes; 3) o mapeamento do P disponível na lavoura nem sempre expressa, com precisão, a variação espacial da fertilidade na área; 4) a adubação com P a taxa variável pode “manchar” os talhões ao invés de homogeneizá-los; 5) a aplicação superficial retarda o aproveitamento do P do fertilizante pela cultura; e 6) o P em superfície, na forma de fertilizante, ou solubilizado ou aderido às partículas do solo, fica mais suscetível ao carreamento por escorrimento superficial de água, aumentando o risco de perdas do nutriente do sistema e de contaminação do ambiente (risco esse insignificante quando o fosfato é incorporado).

Os procedimentos para uma correta coleta de amostras de solo para análise ainda representam um problema de pesquisa e uma dificuldade operacional para o agricultor. No manejo do fósforo, isso é mais crítico. A representatividade da amostragem acaba por determinar a veracidade dos mapas de disponibilidade de P e de prescrição da adubação fosfatada, bem como todo o manejo posterior baseado em agricultura de precisão e seus impactos imediatos e de longo prazo no desempenho das lavouras. Não é fácil garantir que uma amostragem tenha boa representatividade espacial do estado de fertilidade de um talhão em relação ao P, a começar pelas interferências provocadas pela coleta de subamostras em linhas de adubação de cultivos anteriores (que algumas vezes inclui até grânulos residuais de fosfato).

Nos moldes atuais, o dimensionamento da adubação utilizando a agricultura de precisão depende de amostras que são coletadas no intuito de representar áreas de 2 até 10 ha, dependendo da grade amostral empregada. Obviamente, quanto mais densa a amostragem de um talhão (quanto menor o tamanho de malha da grade amostral), maior a fidedignidade dos mapas de fertilidade gerados, desde que os dados atípicos (outliers) sejam eliminados. É importante perceber que os softwares de agricultura de precisão sempre permitem gerar mapas, inclusive de forma automática, mas seu maior ou menor valor agronômico (confiabilidade) depende de cuidados, desde a amostragem até a forma de interpretação, passando pelo bom senso e critérios nas etapas de processamento informatizado dos dados de análise de solo. Assim sendo, dependendo da qualidade (confiabilidade) do mapa diagnóstico, a adubação fosfatada a taxa variável pode gerar mais heterogeneidade do que a adubação em dose única pela média do talhão, aumentando a variabilidade espacial da fertilidade do solo.

No plantio direto, a eficiência agronômica da adubação a taxa variável em superfície não deve ser afetada em solos de fertilidade construída, com boa reserva de P, bem manejados e com diversidade de culturas, ou seja, ambientes tamponados e constantemente monitorados quanto às condições de fertilidade (análises frequentes do solo). Porém, em áreas novas ou recém-abertas, com solos muito argilosos ou baixa matéria orgânica (pouca palhada), a eficiência não será a mesma, podendo haver carência do nutriente na zona de absorção radicular, o que afeta drasticamente o desenvolvimento e o vigor das plantas, com prejuízo da produtividade. Isso porque o fósforo aplicado superficialmente tem mobilidade vertical muito lenta.

Um outro aspecto que pode estar passando despercebido é que o P em superfície, principalmente em áreas mais declivosas, tem grande probabilidade de ser carreado pela água de escorrimento superficial, mesmo em áreas de plantio direto com boa cobertura de palhada. Se não forem tomadas precauções, a contaminação da água por fósforo derivado dos fertilizantes, que até então não constitui maior preocupação nas condições brasileiras, poderá tornar-se problema, levando ao processo de eutrofização de corpos d´água, com todas as suas implicações ambientais.

Na realidade, a pesquisa ainda não comprovou efetivamente a viabilidade técnica e ambiental dessa prática ainda recente, de modo a confirmar a aplicação de P a taxa variável em superfície como uma tecnologia de uso irrestrito e recomendar sua adoção de forma generalizada. Sob essa ótica, a novidade experimentada por alguns agricultores que vêm realizando adubação antecipada de P a lanço e utilizam semeadoras sem caixa de adubo para agilizar o plantio (o que é operacionalmente muito interessante) não deve tornar-se um modismo que sobreponha a coerência agronômica e o respaldo científico.

Convém relembrar que a agricultura de precisão consiste de princípios e tecnologias aplicados no manejo da variabilidade espacial e temporal associada à produção agrícola, objetivando aumentar a produtividade das culturas e a qualidade ambiental. Em termos práticos, utiliza dados mais detalhados sobre as áreas de cultivo, visando definir estratégias de manejo mais eficientes. Sem critérios bem definidos, a aplicação de fósforo a taxa variável em superfície pode estar na contramão dessas premissas, aumentando a variabilidade espacial e o risco de contaminação ambiental. Não basta que dispositivos eletrônicos, de informática e de mecanização funcionem bem, em detrimento dos critérios agronômicos e de eficiência produtiva e ambiental. Enquanto não tivermos a certeza de que “práticas inovadoras” de manejo da fertilidade do solo estejam plenamente validadas e com sua eficiência confirmada, o agricultor deve ficar atento. Monitoramento constante dos talhões, informação de qualidade, precaução na tomada de decisão e suporte agronômico idôneo são imprescindíveis para maior precisão na agricultura.

*Pesquisador em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas da Embrapa Milho e Sorgo

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18/03/2012 - Eu quero aqui parabenizar o colega Dr. Alvaro Vilela pelo artigo. Se possivel gostaria de ter o e-mail do Dr. Alvaro (Nivaldo Alves Pereira Filho)

27/02/2012 - Pois bem, ao invés da EMBRAPA criticar a Agricultura de Precisão, porque então, não elabora um estudo, um parâmetro a ser seguido pelas empresas e instituições do ramo? Se formos consultar a metodologia de coleta de amostras da Embrapa, vamos perceber que ainda se fala em coleta em zigue-zague, com 1 amostra representativa para 30 hectares. Será que dessa forma há mais precisão para uma recomendação de adubação Fosfatada? Os Drs. e Pós Docs da Embrapa que me perdoem, mas antes de criticar pejorativamente qualquer coisa, é imprescindível olhar internamente o que está sendo recomendado. A agricultura de Precisão, como o próprio nome diz, é uma importante ferramenta para melhor interpretação e manejo das variações das áreas de cultivo, embora ainda sobre muitas críticas, mas também sobre muitas opiniões favoráveis, que só vem afirmar e reforçar a cada dia as vatagens e benefícios gerados e observados pelos principais interessados, os Agricultores. (Ramiro Lourenço)

19/10/2011 - Primeiro que a literatura com relacão a fertilidade esta um pouco arcaica, e junto a literatura temos que fazer, ver e depois poder comentar e passar informacoes concretas e verdadeiras. O fosforo pode sim ser trabalhado a lanco, tranquilamente, claro que respeitando alguns criterios tecnicos e um nivel minimo deste nutriente no solo, caso contrario teria que ser feito sim a lanco e depois incorporado, isso se temos um valor muito baixo ou quase zero de reserva. Lembrando que o P e' imovel no solo, mas movel na planta. Temos muitos resultados satisfatorios com essa tecnologia, acompanhada ano a ano, em cima de teste e registros de informacoes. Outro tema que gostaria de acrescentar seria adubacao concentrada na linha, alta salinidade, e visualmente prejudicial ao desenvolvimento de raiz e boa germinacao da semente. (Rafael Hungaro)

15/10/2011 - Estamos utilizando taxa variavel a lanco de P, K e S com bons resultados. Importante resaltar que a fertilizacao a lanco de P, funciona melhor no sistema de plantio direto onde se tem boa cobertura de palha. O sistema que define as amostragens de solo sao baseados em mapas de producao gerados com imagens de satelite da cultura anterior. (Ener)

28/09/2011 - Muito interessante a matéria do pesquisador, pois os agricultores estão esquecendo da verdadeira ciência agronômica que inicia com o histórico das áreas a serem manejadas, a amostragem, a interpretação e a recomendação, baseada principalmente em uma amostra representativa, não importa a quantidade de amostras, mas sim a qualidade das mesmas, pois se o profissional errar na amostragem, estará errando no fator principal que é a recomendação. (Marcos Vinicius Farias)

28/09/2011 - No ambito geral é uma Tecnologia de avanço significativo para a Agricultura Atual, mas o que se está efetuando é uma indicação comercial da mesma não relevando os princípios da adubação em geral. No RS onde temos uma quantia de argila significativa fica distante de uma boa eficiência Nutricional do P. Onde em boas condições na região de atuação temos variabilidae de 10 a 25%. (Marcos V. Maito)

15/09/2011 - Ótima matéria, principalmente pelo fato do autor reforçar o papel da agricultura de precisão como ferramenta de gestão, e particularmente associada ao conhecimento agronômico e não a simples apertar de botões. (Marcos Vieira)

02/09/2011 - Interessante a matéria. Tenho praticado a aplicação em taxa variável e sempre questionei o quesito, pois acredito que esse elemento aplicado superficial a lanço sem incorporação talvez não seja a melhor maneira de expressar seus benefícios, principalmente em solos ainda em construção de fertilidade. (Marcelo Morita)

28/06/2011 - Ótima matéria, objetiva e bem esclarecedora, mostrando que ainda temos muito a aprender sobre esta nova prática de adubação a lanço, que do ponto de vista operacional é muito bom, mas se observarmos em termos de eficiência agronômica, principalmente para Fósforo, ela ainda tem muito a ser aprendida e pesquisada. (Renato Sussumu Takahashi)

27/05/2011 - Trabalho com agricultura de precisão e insentivamos os produtores da região a fazer adubação a lanço ja a algum tempo e achei otima a materia . (Odarcy do Carmo)

24/05/2011 - Parabens pela materia. Muito oportuna. Qualificada!!!! (Nilsso Luiz Zuffo)

18/05/2011 - Bom dia! Fiz uso da Agricultura de Precisão, e daqui pra frente todo ano estarei fazendo, o solo da minha fazenda está todo corrigido, tive uma produção recorde esse ano e usando menos adubação, ou seja economizei com o fertilizante, fiz correção a taxa variavel com Calcario, P e K... obtive um grande resultado...E recomendo a todos que não fizeram ainda. (José)

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