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Colunistas


Vida urbana x vida rural

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15/02/2010 - 12:01

Alexander Silva de Resende

A opção do homem em concentrar suas moradias em cidades, ou melhor mega cidades é algo interessante. Nada que o homem tenha feito, já não existia na natureza de alguma forma. Nossa criatividade é bem menor do que parece.

O modelo de sociedade escolhido lembra muito o que fazem e como vivem os insetos sociais, como as abelhas, formigas e cupins, o que é diferente de praticamente todos os modelos de animais existentes na natureza e de porte mais similar ao nosso. Independentemente disso ser adequado ou não, é no mínimo estranho basear nosso estilo de vida em modelos adequados para animais de tamanho tão diminuto, que tem por necessidade, viver em comunidades mais adensadas para que possam ser respeitados e competitivos na natureza.

Opção nossa! Não há o que fazer mais. Esses insetos sociais vivem juntos, de forma adensada, dividindo tarefas e se protegendo e quando há um conflito interno, ou a colméia cresce demais (caso das abelhas) o grupo dissidente migra para outro ponto, deixando a antiga colméia. Todos são liderados por uma rainha, responsável por fazer a colméia crescer, vivendo para fazer posturas. Existem os soldados que protegem a colméia, as jardineiras, que fazem a limpeza, as operárias que buscam e fabricam mel, enfim tudo em relativa harmonia.

Outros animais, como os macacos, leões, onças, capivaras, etc. vivem em grupos reduzidos, não havendo disputas acirradas por alimentos e espaço no grupo, mas sim entre grupos. Quando há uma dissidência interna, há uma disputa de poder entre o líder do grupo e o postulante ao cargo e quem perde, deixa o grupo.

E nós?   Optamos por viver em cidades, de forma adensada, em detrimento a uma vida mais bucólica em cidades menores. Existem prós e contras. Nas cidades temos cinema, teatro, infraestrutura de transportes públicos (tenho minhas dúvidas...), os alimentos chegam a mesa sem esforço, basta irmos ao mercado, há escolas em cada esquina, tem emprego com férias e 13º. Salário, tem trabalhos com roupa limpa e no ar condicionado, enfim uma série de vantagens.

Mas também tem desvantagens. Violência, engarrafamentos, enchentes, sistemas públicos de saúde, educação  caóticos, entre outros. Mas não escrevo esse artigo para escrever se a cidade ou se o campo é o melhor lugar para viver. Cada um sabe de si. Tenho preocupações maiores. Bem maiores... No campo, quando seu filho sai da escola ele vai aprender um pouco sobre o que seus pais, tios, amigos, fazem, ajudando na lida do dia a dia. Comem fruta no pé, conhecem árvores, plantas, bichos, aprendem profissão, andam a cavalo, tocam boiada, plantam, colhem, cuidam, tomam banho de rio, pescam, caçam, aprendem a respeitar a natureza, conviver com pessoas que estão sempre querendo construir coisas, fazer coisas, enfim não existe gente ociosa no campo na mesma proporção que existe na cidade.

Nas cidades é diferente o que seu filho faz depois da escola? Se você tem condições financeiras, pode colocá-lo numa aula de inglês, informática, natação, etc... Mas ele vai viver fazendo isso o tempo todo? Ou pior, se você não tem dinheiro? Ele solta pipa e joga bola, o que seria ótimo. Mas nem sempre faz só isso. As vezes é comum ouvi-los reclamando, puxa vida não tem nada para fazer... Esse nada para fazer é que é o problema. No interior se seu filho está desviando do caminho correto, todos te conhecem e você acaba sabendo a tempo de tentar corrigir os rumos. Mas nas cidades as pessoas não tem rosto. Você não conhece seu vizinho de apartamento, quem dirá aquela pessoa que sobe com você no elevador? E ninguém sabe quem é o seu filho... E o que ele faz é um problema seu...O que há de semelhante com as abelhas? Nada. Vivemos juntos, mas sozinhos, isolados e isso não nos traz vantagens e não nos faz mais fortes.

Fica aqui o questionamento para você que tem filhos ou não? Está seguro em criar seus filhos na cidade? Acha que a sua vida é boa o suficiente para que seu filho tenha algo semelhante? Se acha isso, ótimo, parabéns. Mas se tem dúvidas, nunca é tarde para ser feliz.

Abraços a todos.



Comentários (10)

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19/10/2011 às 08:01h - Prezada Genilce, obrigado por seu comentário. Pois é, nossos filhos são a coisa mais importante de nossas vidas e sempre nos fazem refletir. Grande abraço. (Alexander)

27/08/2011 às 10:21h - Olá Alex, gostei muito da sua matéria, me identifiquei e senti muitas saudades do meu tempo de criança, quando subia nos pés de fruta, andava a cavalo, entregava leite, tomava banho de rio, plantava, colhia, torrava café e o cheiro era maravilhoso. Realmente é bem melhor, é bem mais livre e amplo o crescimento no campo. Hoje vivo na cidade e esta matéria me levou a refletir sobre a criação do meu filho de 7 anos que passa o dia todo na escola, que não pode vivenciar nada daquilo que eu vivi. Procuro sempre instruílo sobre o bem estar da natureza, seus cuidados e preservação, sua importancia no dia a dia para nossa vida. Mas nada melhor que viver junto a natureza. Grande abraço.... (Genilce)

22/07/2011 às 11:28h - Te dolooooooooooo muitoooooooooooooooooooo (Andressa)

10/09/2010 às 12:00h - Oi Afonso, obrigado por seu comentário. Tem um grande amigo meu, que quando fez 60 anos, passou a usar a seguinte máxima "Agora me dou ao direito de ajudar a melhorar as coisas, e não mais seguir o fluxo!" Desejo para você uma boa temporada de reflexão e que faça da decisão que tomar, a melhor! sem olhar para trás! Grande abraço. (Alexander Resende)

28/06/2010 às 12:00h - Alexander, a lucidez e a simplicidade na colocação de sua visão deixaram-me bastante pensativo. Ano que vem devo completar seis décadas de existência e pretendo retornar à vida no campo, de onde saí a quase 40 anos. Fiz questão de ler, imprimir e guardar com cuidado seu excelente escrito. Parabéns pela oportuna e generosa contribuição. Obrigado. (Afonso de Carvalho)

28/02/2010 às 12:00h - Obrigado Leo. Colocação interessante. (Alexander Resende)

28/02/2010 às 12:00h - Obrigado Leo. boa lembrança e percepção bem interessante a sua sobre o tema. (Alexander Resende)

26/02/2010 às 12:00h - Alexander, quando Ninrode fundou a cidade de Babel e quis construir um torre para alcançar os céus e fazer um nome célebre, Deus confundiu as línguas e eles se dispersaram pelo mundo. Fica o raciocínio: Deus não deseja que as pessoas se aglomerem em cidades, mas que vivam espalhadas pelo mundo. Acho que faz todo o sentido, pois não dá pra negar que a qualidade de vida nas cidades é muito pior do que no campo. Dirão os insatisfeitos: no campo não tem shopping, baladas, e tudo o mais. Precisamos de muito pouco para viver, a felicidade depende daquilo que você dá valor. E das escolhas que faz ao se empenhar por uma coisa em detrimento de outra. Sai perdendo, é claro! (Leo Togashi)

20/02/2010 às 12:00h - Oi Marcelo, obrigado por enriquecer a discussão com seus comentários. Muito coerentes! (Alexander Resende)

17/02/2010 às 12:00h - Caro Alexander, relevante sua reflexao. Houveram momentos na historia do homem em que o indice de desenvolvimento de uma sociedade era medido pela proporcao de sua urbanizacao. Com a utopia de felicidade em viver-se nos imensos centros urbanos, o ser humano desvinculou-se de muitos principios elementares para a formacao dos cidadaos, como o exemplo coletivo fornecido pelas comunidades rurais, a presenca e a maior facilidade de dialogo familiar e o principal fator, praticamente perdido para mais de 80% da populacao, o contato com a natureza, da qual fazemos parte e estamos cada vez mais distantes. Como educar uma pessoa a preservar e a poluir menos, sem que ela conheca o objeto de suas atitudes. Quem vive proximo a natureza vive mais feliz, pois mesmo com as difuldades da vida e do trabalho na agropecuaria, e preciso percorrer muitos quilometros para encontrar um agricultor "estressado". (Marcelo Rohden)