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O efeito de geada em cereais de inverno e em milho

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12/09/2002 - 00:00

Dirceu N. Gassen

A geada é um dos elementos climáticos de risco que afeta o desenvolvimento
de plantas. O mecanismo de ação de geadas se expressa com temperaturas abaixo
do ponto de congelamento (Figura 1).


A severidade de danos depende do estádio de desenvolvimento e do teor de umidade
na planta, das características da cultivar, do tempo de duração da geada, da
cobertura de solo, da exposição da lavoura, de correntes de ar e de outras
variáveis. A severidade da geada varia a curtas distâncias na lavoura e é difícil
de ser determinada.


Teores de umidade e de sais na planta


O solo atua como reservatório de calor, estabilizando a temperatura. Os solos
úmidos e compactos são melhores condutores de calor e transferem para a superfície
o calor armazenado durante o dia. Por outro lado, solos secos e descompactados
(aerados) são isolantes térmicos e transferem com dificuldade para a superfície
o calor armazenado, favorecendo a formação de geada.


A concentração de sais nas plantas é importante fator para diminuir a severidade
da geada. Solos com elevados teores de nu-trientes e plantas bem nutridas tendem
a so-frer menos de geada por causa de teores de sais mais elevados no conteúdo
celular, reduzindo seu ponto de congelamento. Plantas com estresse hídrico
apresentam menor teor de água e maior relação sais/água reduzindo seu ponto
de congelamento. Em café usa-se potássio para nutrir melhor as plantas e concentrar
sais na seiva, em períodos de geada, para diminuir os danos.


Cobertura de solo e exposição da lavoura


A exposição da lavoura para o oeste (sol poente) mantém a temperatura mais
elevada na tarde anterior à geada, aquecendo o solo e reduzindo o risco de
congelamento. Por outro lado, na manhã seguinte não haverá exposição
direta de sol e o descongelamento será lento e gradativo. A exposição da lavoura
para o leste tende a apresentar danos mais severos de geadas. A exposição leste
resulta na ausência de aquecimento do solo no entardecer e incidência de sol
já nas primeiras horas da manhã, com descongelamento rápido e danos mais severos
nas plantas.




Figura 1. Geada em trigo.


Os solos cobertos com palhas (Figura 2) refletem os raios solares do dia anterior
e resultam em danos mais severos. O solo nu absorve mais calor durante o dia
anterior à geada. O gado bovino, nas noites frias se reúne em áreas de solo
nu, pela temperatura amena.




Figura 2. Geada em lavoura de trigo sobre palha de milho.


Milho


O dano visual de geadas nas plantas de milho, no primeiro dia,
é de coloração verde-escuro. Nos dias seguintes as partes danificadas tornam-se
marronzeados e claras em função do extravasamento do conteúdo das células provocado
pelo rompimento da parede celular causado pelos cristais de gelo. Sintomas
mais severos aparecem nas extremidades superiores e nas folhas jovens, com
maior teor de água, menor de sais e mais distante da planta (menor reserva
de calor).




Figura 3. Dano de geada em plântula de milho.


Alguns dados indicam que a planta jovem de milho tolera até 50
% de secamento de folhas por geada. Até a fase de seis folhas, o ponto de crescimento
do milho está dentro do solo. A morte de plantas poderá ocorrer se o frio for
prolongado e a temperatura de congelamento atingir o ponto de crescimento dentro
do solo. Em milho o dano aparece na extremidade das folhas jovens (Figura 3).


Trigo e cevada


O trigo na fase vegetativa tolera frios e geadas.

A cevada é mais sensível ao dano de geadas nas fases de crescimento vegetativo
e, principalmente, na fase reprodutiva.


Os danos ocorrem a partir da fase de formação de espiga dentro
da bainha da folha.


A fase mais crítica é a de antese (fecundação) ou floração, quando
a planta libera as anteras. Os sintomas aparecem na morte da espiga (Figura
4) ou na formação do grão (Figuras 5).


Na fase de espigamento é difícil constatar os danos e estimar
as perdas. As espigas e os grãos encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento,
dificultando a avaliação a campo.


A gluma (espigueta) do trigo e da cevada mantém a forma e a cor
da espiga por alguns dias, mas o grão pode não se desenvolver mais (Figura 5).





Figura 4. Dano de geada em espigas de trigo.


Para estimar o dano de geadas sugere-se determinar o tamanho dos
grãos na espiga de trigo em vários pontos da lavoura. Uma semana depois examinar
as espigas dos mesmos locais e comprovar o crescimento ou a morte dos grãos
(Figura 5). As espigas mortas pela geada, quando amassadas na mão apresentam
textura esponjosa e o desenvolvimento de grãos paralisado.




Figura 5. Grãos de trigo em desenvolvimento normal (E) e grãos de cevada mortos
(D) oito dias depois da geada.




Comentários (3)

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30/09/2012 às 09:12h - Muito bom o conteudo, mas não consegui visualizar as fotos. (FLÁVIO CECHIN)

15/07/2011 às 05:17h - Conteúdo de alto nível técnico e muito bom. É o que precisamos, informação de qualidade que esteje disponível a todos. Gostaria que se possível, disponibilizar um arquivo com as fotos ilustrativas, pois não ocnsigo visualizá-las. Abraços (José Adolfo Binsfeld)

01/11/2006 às 02:09h - Muito bom o conteúdo, mas não consigo visualizar as fotos e gostaria de usá-las em trabalho!!! (Luiz Armando Cocco)