Colunistas


Praga subestimada

Quantidade de visitas: 6784
Comentários: 18
13/11/2002 - 00:00

Dirceu N. Gassen

Na China é animal de estimação. No Brasil muitos acham que ele dá sorte. No entanto, embora se desconheça seu poder de destruição, o grilo é uma praga que pode devastar lavouras de soja, milho e girassol

Os grilos são insetos que vivem em ambientes com vegetação rasteira, em campos nativos ou em lavouras com deficiente cobertura vegetal. São mais freqüentes em áreas de pastagens e em lavouras de pousio, sem cultivo de cobertura nos meses de inverno.

Na Austrália e na Nova Zelândia o grilo Teleogryllus commodus é importante praga em áreas de pastagens. Estudos determinaram que cada inseto consome de 30 a 130 mg de matéria seca por dia em pastagens. Populações de um grilo/m² podem consumir o equivalente a 0,3 a 1,3 kg de matéria seca/hectare/dia.

No Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai os grilos causam danos mais severos em áreas de lavouras sob plantio direto cultivadas sobre pastagens e sobre áreas de pousio de inverno com pouca vegetação.

Os grilos ocorrem em todas as regiões de agricultura do Brasil. O grilo-preto (Gryllus assimilis) é a espécie mais citada na bibliografia brasileira. Durante o dia, pode ser encontrado na superfície do solo, sob restos culturais. Quando ocorre qualquer distúrbio no ambiente em que se encontra, desloca-se caminhando ou saltando. Ocorre como praga em hortas e jardins. Em lavouras extensivas, raramente atinge o nível de dano.

O grilo-marrom (Anurogryllus muticus) era pouco conhecido em lavouras. É habitante nativo de ambientes com pastagens. Durante o dia, permanece dentro de galerias e passa despercebido pelo agricultor. Durante a noite, corta plântulas, com sintomas que são atribuídos à lagarta-rosca, formigas e besouros. Caracteriza-se por cavar galerias com 20 a 30 cm de profundidade no solo e consumir as plantas ao redor da galeria onde vive.

O grilo-marrom ocorre em todas as regiões de agricultura do Brasil e tem importância econômica maior do que os corós e outras pragas subterrâneas.

CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

O ciclo biológico do grilo-marrom completa-se em um ano. A postura ocorre nos meses de outubro a dezembro. Os ovos e as ninfas podem ser encontradas em dezenas, nas galerias cavadas pelos adultos. Nas áreas infestadas, percebe-se a presença de ninfas pequenas com até 5 mm de comprimento, no início do verão.

Com o desenvolvimento das ninfas, ocorre o abandono da galeria cavada pelos grilos adultos e a construção de galerias individuais.

No outono, com o início de períodos de frio no sul do Brasil ou de estiagem nos cerrados, as ninfas aprofundam as galerias, depositando montículos de terra na superfície do solo.

Cada fêmea deposita aproximadamente 80 ovos no fundo da galeria onde vive. As ninfas nascem nesse ambiente e são alimentadas pelos grilos adultos.

O grilo-marrom permanece no interior da galeria subterrânea durante o dia, bloqueando a entrada com terra. Depois de chuvas, os grilos escavam o solo, aprofundando as galerias e depositando montículos de terra sobre a entrada, na superfície do solo. Esses montículos caracterizam a presença da praga na lavoura.

A galeria do grilo é construída com inclinação de 45o no perfil do solo. Na superfície, apresenta duas aberturas na forma de “Y”. Uma abertura de entrada e saída de material e outra abertura camuflada para fuga em caso de ataque de predadores.

No período entre abril e maio, a contagem de montículos de terra sobre a abertura de entrada da galeria do grilo permite determinar a população e a distribuição do inseto nas lavouras. Em cada galeria com montículo de terra vive um grilo adulto até a oviposição e o nascimento das ninfas (outubro a janeiro), causando danos nos meses de inverno e com maior intensidade na germinação das culturas de milho, de soja e de feijão.

DANOS

Os danos de grilos são confundidos com os causados pelas lagartas cortadoras de plântulas, de formigas e de besouros.

Os grilos cortam as plântulas e as transportam para dentro das galerias, onde também armazenam palha e sementes. Os danos são causados pelo consumo de sementes, antes da germinação e, principalmente, pelo corte de plântulas.

Os períodos de dano ocorrem no outono (abril e maio), quando as ninfas cavam o solo aprofundando as galerias. E com maior intensidade na fase de nascimento das ninfas, quando os grilos adultos nutrem a prole. Esse período (setembro a dezembro) coincide com a germinação das culturas de verão.

Durante períodos de estiagem e de temperaturas noturnas elevadas, os grilos consomem mais plantas e as mesmas reduzem o crescimento, resultando em maior intensidade de danos. Períodos de chuvas e temperaturas baixas determinam a redução na atividade dos grilos e permitem o crescimento das plantas, reduzindo a intensidade de injúrias às plantas.

Os grilos consomem as plântulas ao redor da abertura da galeria. As características de danos do grilo-marrom são de pequenas manchas sem plantas. Em cereais de inverno aparecem manchas com 30 cm de diâmetro sem plantas. Em milho e girassol consomem as plantas de 1 m de fileira. Em soja e feijão, os danos caracterizam o desaparecimento de plantas em 0,5 m de fileiras.

Na primavera, os danos na germinação de milho e soja são causados pelo corte de plântulas durante a noite.

Os grilos causam danos mais severos em períodos de seca e de temperaturas noturnas elevadas, quando são mais vorazes. Chuvas e temperaturas baixas determinam a redução na atividade dos grilos e permitem o crescimento das plantas, tolerando eventuais injúrias.

CONTROLE

O controle de grilos em lavouras extensivas é considerado difícil pelo hábito que a praga tem de proteger-se e armazenar alimento nas galerias.

Os agentes de controle biológico natural mantêm as populações de grilos em equilíbrio.

Dentro de galerias de grilos, freqüentemente são encontradas aranhas, lacraias, reduvídeos e carabídeos predadores. Fungos que causam doenças em grilos se desenvolvem quando são cultivadas plantas com ampla cobertura do solo e vegetação exuberante, como o nabo forrageiro. A cobertura de solo, nos meses de outono e inverno, com plantas de vegetação abundante cria ambiente favorável aos fatores de controle biológico natural e desfavoráveis para a praga.

Nas áreas em que se constata populações elevadas de grilos no período de colheita das culturas de verão (março a abril) sugere-se semear uma cultura de cobertura de solo, imediatamente depois da colheita, para desenvolver ambiente desfavorável ao desenvolvimento da pragas.

A aplicação de inseticidas fosforados na parte aérea das plantas resulta em controle insatisfatório. A aplicação de inseticidas piretróides controla parte da população e mantém o restante dentro das galerias por alguns dias, protegendo a cultura contra a praga e permitindo o crescimento das plantas. O inseticida fipronil, em aplicação aérea, apresenta os melhores resultados no controle de grilos.

O uso de iscas envenenadas é outra alternativa de controle da praga. Pode-se usar iscas contendo inseticida fosforado ou carbamato, farelo de sorgo, trigo ou milho, açúcar ou melaço e água. A isca pode ser distribuída na lavoura em doses de 3 a 5 kg/ha. Resultados melhores podem ser alcançados em períodos com pouca umidade no solo e de estiagem.

A eficiência da isca é maior nas fases depois da colheita das culturas de verão ou depois da dessecação de inverno, quando não há alternativa de alimento para os grilos. Se a isca for aplicada após a germinação das plantas cultivadas, os grilos poderão optar pelo vegetal, evitando as iscas envenenadas.




Comentários (18)

Comente esse conteúdo preenchendo o formulário abaixo e clicando em enviar






- Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento do Portal Agrolink.

27/07/2013 às 11:05h - Tenho uma plantação de mogno e os grilos estão cortando as folhas novas e os brotos que surgem, como combater esses grilios? (Natanael Edney Santos)

26/02/2013 às 03:41h - É legal demais esse conteudo. (Polianna )

17/07/2007 às 12:00h - Olá...Estou com uma dúvida atroz apesar de todas as pesquisas. Gostaria muito de saber se Grilo morde ou pica? muitas pessoas falam que sim pelo fato dele comer, alegando que se tem boca morde, mas no entanto não há nenhum registro disso nos sites em que andei procurando. Apesar de crer que grilos não mordam, preciso saber se alguém poderia tirar essa dúvida pra mim! Grata! Lais Roberta (Lais)

07/07/2007 às 12:00h - Bom dia achei interessante a matéria e tenho um problema sério com os grilos, como o amigo acima. Eles estão destruindo o gramado em minha casa e não consigo eliminá-los. Tentei sugestôes caseiras como detergente e sabão em pó misturado a água, até dá certo, mas a quantidade é tanta que não adiantou. O que eu poderia fazer para eliminar os grilos de meu gramado? Abç Marco de Paula (Marco Antonio Santos de Paula)

30/05/2007 às 12:00h - como eu posso saber qual grilo é femea e qual (wellington)

18/05/2007 às 12:00h - Tenho um gramado não muito grande no fundo de minha casa mas estes grilos marrons estão acabando com a grama . A noite como trabalham ...encontro rodas amareladas. Por favor, gostaria acabar com eles. (Délcia Uber Conzatti)

01/05/2007 às 12:00h - gostaria de saber como fazer para impedir que o grilo corte as mudas de café,qual produto devo uasr, devo resaltar que as mudas já estão cruzando as folhoas e ele contua a atacar. (fabiano)

15/04/2007 às 12:00h - Cultivo eucalipto estou com sérios problemas com grilos . Gostaria de saber como combate-la. (Alex Damasceno)

10/04/2007 às 12:00h - Como faço para exterminar grilo doméstico. Não consigo descobrir se ele está no armário ou em alguma fresta. Moro em casa . Há noites que não consigo dormir com o barulho. Parece que em cada cômodo tem um. Um barulho irritante na madrugada ou quando a casa está silenciosa. Obrigada. (Ita da Assunção Silva Madeira)

08/03/2007 às 12:00h - Ola bom dia Sou amante de grilos, em especial aqueles pretões ou os vermelhões. Gostaria de fazer um criame, queria saber se e como poço te-los em cativeiro. Gostaria de saber tb. de o Inst. Butantã ou outros compram para alimentar out 6244-10-65 - Edson (Edson Gomes)

01/03/2007 às 12:00h - donos no milho (natany)

30/01/2007 às 12:00h - Cultivo eucalipto grandes e estou com sérios problemas com essa praga. Gostaria de saber como combate-la com eficiência e baixo custo. (Marta Ávila)

21/01/2007 às 12:00h - Como são preparados as iscas envenenadas no controle de grilos? (monica)

24/12/2006 às 12:00h - Um abraço. Gostaria de saber que erros de conteúdo quanto ao gryllus assimilis podem ser encontrados nesta crônica que escrevi para uma revista. O GRILO NO ESCURO No momento, ignoro que fim terá levado o grillus assimilis macho que não me deixou conciliar o sono ontem à noite, cutucando meus ouvidos como um alfinete. Cantou a madrugada inteira na varanda do apartamento, colada ao meu quarto de dormir, fartando-se, imagino, das plantas de minha mãe. Como um tolo, esquecendo tudo o que aprendera sobre o inseto num documentário recente, pedi aos céus que esse inesperado visitante noturno ficasse rouco de uma vez, completamente afônico, de tanto cricrilar. Não conheço os hábitos dos grilos. Não sei como este conseguiu tornar-se invisível aos meus dois telescópios de contato, nem como resistiu ao ataque de quatro ou cinco copos d’água que lancei a esmo pela varanda. No calor assassino que fazia, o bicho deve ter encarado a ofensiva como um gesto de boas-vindas. E ficou. Ficou e pôs os cricrilos no último volume. Por volta das três da manhã, vendo que o solitário mas barulhento noctívago não ia parar, resolvi que o único jeito de livrar-me dele era localizá-lo e tentar convencê-lo das delícias que o aguardavam na varanda da casa vizinha, a dois saltos dali. E coragem para conferir cada um dos vasos de planta, correndo o risco de deparar com um espécime gigante? Reconheçam que não é nada agradável procurar um grilo no escuro. Se ainda fosse um grelo, oculto sob sedosas lianas... Mas um grilo!... Deixei correr, não ia mesmo matá-lo, se o encontrasse. Pouco a pouco, enquanto virava de um lado para o outro na cama, desviei meus pensamentos para uma gata amarela que às vezes aparece por aqui em busca de comida, e peguei no sono. Assim ficava melhor; o que a natureza decidisse não me causaria remorsos. Só não sei é se os gatos comem grilos. (http://lguerra.prosaeverso.net)

11/12/2006 às 12:00h - Gostaria de saber se o grilo hiberna. Pela leitura do atrás escrito deduzo que não, no entanto gostaria de ter uma certeza. Desde já um bem haja pela informação. (António Caldas)

11/09/2006 às 11:29h - Sou Téc. Flrestal e trabalho em uma empresa que cultiva eucalyptus ssp. no Sul do Brasil. Estamos com sérios problemas com esta praga. Gostaria de saber se existe uma forma eficiente e econômica para combatê-la. (Luiz Carlos Pappis)

09/08/2006 às 11:23h - olá!!! planto morangos, e a lavoura está sofrendo ataque dos grilos... gostaria de saber qual o repelente q podeira usar para combate-los. estou utilizando inseticidas tóxicos, q vai afetar a qualidade dos frutos... vc pode indicar qqr coisa q não prejudique os frutos mas que combata o ataque dos grilos...? muito obrigada!!! thaís r b. (thaís)

05/06/2006 às 09:23h - Bom Dia!!!!!! Li o artigo sobre "praga subestimada". O mesmo relata maneiras de se tentar combater o grilo, mas que muitas das vezes ~podem não ser 100% eficazes. Estou tento problema com o mesmo no Estado do Espirito Santo no plantio de Eucalipto em estágio inicial. Gostaria de saber se posso utilizar essa técnica para tentar combate-los ou se existe alguma coisa mais nova já desenvolvida. Grato Guilherme Gaigher Freire (GUILHERME GAIGHER FREIRE)