Os animais e os conflitos da humanidade
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Não há nada mais digno de ser apreciado a cada dia que passa, com todo o avanço
tecnológico que vivemos, do que o olhar de um cão para seu dono. É verdade que
muitos ainda não tiveram a oportunidade de conviver com um animal de estimação,
ou definitivamente não gostam do convívio – o que não lhes dá o direito de
maltratá-los. Mas, mergulhado nesse universo dos dias de hoje, no avanço das
comunicações, das informações, do consumo desenfreado, é incrível como nada é
capaz de substituir essa antiga relação entre os animais e os seres
humanos.
Neste último mês, fiquei muito sensível às notícias sobre o
comportamento dos cães, na atualidade, hoje por demais humanizados; talvez pelo
fato de ter recentemente perdido meu cão de estimação, chamado Brutus, um
fila-brasileiro que durante treze anos esteve ao meu lado, tive de me conformar,
buscando compreensão sobre o papel afetivo dessa nossa relação com os animais.
Fiquei comovido com a notícia sobre um cachorro em uma aldeia na província de
Shandong, na China, que ficou guardando o túmulo de seu dono. O animal pertencia
a Lao Pan, que morreu no início de novembro, aos 68 anos, de acordo com
reportagem da emissora de TV Sky News. Por sete dias o cão foi visto ao lado da
sepultura, e, como o animal estivesse sem comer, moradores o levaram de volta à
aldeia e lhe deram comida. No entanto, o cachorro voltou para o cemitério – mais
de uma vez. Incrível...
Nesse esteio de fatos, foi revelado também que
cada vez mais cães militares sofrem de estresse pós-traumático. Segundo o médico
veterinário Dr. Burghardt, chefe do departamento de medicina comportamental no
Hospital Militar de Cães estadunidense com base na Holanda, estimativas mostram
que mais de 5% dos 650 cães militares enviados pelo governo americano às regiões
de combate desenvolveram estresse pós-traumático, o que os tornou mais
agressivos, ou mais dependentes e inseguros.
Num mundo em que há tantos
valores deteriorados, tantos conflitos que geram guerras, desentendimentos,
egoísmo, e falta de solidariedade, temos muito o que aprender com os animais,
que desde as épocas mais remotas estiveram ao nosso lado, oferecendo sua
lealdade, sua força, e nos instigando a refletir sobre a nossa incapacidade como
seres humanos de administrar nossos conflitos de forma pacífica. Com efeito,
desde a antiguidade usamos a resignação equina para promovermos guerras, levando
conosco os cavalos a participar dos massacres da nossa espécie. Costumo dizer
que história da humanidade foi construída com a figura equina sempre posta, leal
e disposta a nos servir, mesmo diante de nossas contradições.
A grande
verdade é que a humanidade, quer por conscientização ou através de legislação,
enxerga os animais como nossos companheiros nesta jornada por esta vida. É um
alívio ver que violências institucionais, ou individuais, como a praticada com o
cão da raça rottweiler, chamado Lobo, que foi arrastado por ruas de Piracicaba
(interior de São Paulo) pelo próprio dono, sejam punidas com penas mais severas.
Soube que esse cão, o Lobo, também morreu, mas, com certeza, seu dono não foi
visitá-lo nem deixou uma rosa no seu túmulo. Essa é a diferença entre um lobo e
um ser humano....