Agronegócio

Praga subestimada

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Na China é animal de estimação. No Brasil muitos acham que ele dá sorte. No entanto, embora se desconheça seu poder de destruição, o grilo é uma praga que pode devastar lavouras de soja, milho e girassol Os grilos são insetos que vivem em ambientes com vegetação rasteira, em campos nativos ou em lavouras com deficiente cobertura vegetal. São mais freqüentes em áreas de pastagens e em lavouras de pousio, sem cultivo de cobertura nos meses de inverno. Na Austrália e na Nova Zelândia o grilo Teleogryllus commodus é importante praga em áreas de pastagens. Estudos determinaram que cada inseto consome de 30 a 130 mg de matéria seca por dia em pastagens. Populações de um grilo/m² podem consumir o equivalente a 0,3 a 1,3 kg de matéria seca/hectare/dia. No Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai os grilos causam danos mais severos em áreas de lavouras sob plantio direto cultivadas sobre pastagens e sobre áreas de pousio de inverno com pouca vegetação. Os grilos ocorrem em todas as regiões de agricultura do Brasil. O grilo-preto (Gryllus assimilis) é a espécie mais citada na bibliografia brasileira. Durante o dia, pode ser encontrado na superfície do solo, sob restos culturais. Quando ocorre qualquer distúrbio no ambiente em que se encontra, desloca-se caminhando ou saltando. Ocorre como praga em hortas e jardins. Em lavouras extensivas, raramente atinge o nível de dano. O grilo-marrom (Anurogryllus muticus) era pouco conhecido em lavouras. É habitante nativo de ambientes com pastagens. Durante o dia, permanece dentro de galerias e passa despercebido pelo agricultor. Durante a noite, corta plântulas, com sintomas que são atribuídos à lagarta-rosca, formigas e besouros. Caracteriza-se por cavar galerias com 20 a 30 cm de profundidade no solo e consumir as plantas ao redor da galeria onde vive. O grilo-marrom ocorre em todas as regiões de agricultura do Brasil e tem importância econômica maior do que os corós e outras pragas subterrâneas. CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS O ciclo biológico do grilo-marrom completa-se em um ano. A postura ocorre nos meses de outubro a dezembro. Os ovos e as ninfas podem ser encontradas em dezenas, nas galerias cavadas pelos adultos. Nas áreas infestadas, percebe-se a presença de ninfas pequenas com até 5 mm de comprimento, no início do verão. Com o desenvolvimento das ninfas, ocorre o abandono da galeria cavada pelos grilos adultos e a construção de galerias individuais. No outono, com o início de períodos de frio no sul do Brasil ou de estiagem nos cerrados, as ninfas aprofundam as galerias, depositando montículos de terra na superfície do solo. Cada fêmea deposita aproximadamente 80 ovos no fundo da galeria onde vive. As ninfas nascem nesse ambiente e são alimentadas pelos grilos adultos. O grilo-marrom permanece no interior da galeria subterrânea durante o dia, bloqueando a entrada com terra. Depois de chuvas, os grilos escavam o solo, aprofundando as galerias e depositando montículos de terra sobre a entrada, na superfície do solo. Esses montículos caracterizam a presença da praga na lavoura. A galeria do grilo é construída com inclinação de 45o no perfil do solo. Na superfície, apresenta duas aberturas na forma de “Y”. Uma abertura de entrada e saída de material e outra abertura camuflada para fuga em caso de ataque de predadores. No período entre abril e maio, a contagem de montículos de terra sobre a abertura de entrada da galeria do grilo permite determinar a população e a distribuição do inseto nas lavouras. Em cada galeria com montículo de terra vive um grilo adulto até a oviposição e o nascimento das ninfas (outubro a janeiro), causando danos nos meses de inverno e com maior intensidade na germinação das culturas de milho, de soja e de feijão. DANOS Os danos de grilos são confundidos com os causados pelas lagartas cortadoras de plântulas, de formigas e de besouros. Os grilos cortam as plântulas e as transportam para dentro das galerias, onde também armazenam palha e sementes. Os danos são causados pelo consumo de sementes, antes da germinação e, principalmente, pelo corte de plântulas. Os períodos de dano ocorrem no outono (abril e maio), quando as ninfas cavam o solo aprofundando as galerias. E com maior intensidade na fase de nascimento das ninfas, quando os grilos adultos nutrem a prole. Esse período (setembro a dezembro) coincide com a germinação das culturas de verão. Durante períodos de estiagem e de temperaturas noturnas elevadas, os grilos consomem mais plantas e as mesmas reduzem o crescimento, resultando em maior intensidade de danos. Períodos de chuvas e temperaturas baixas determinam a redução na atividade dos grilos e permitem o crescimento das plantas, reduzindo a intensidade de injúrias às plantas. Os grilos consomem as plântulas ao redor da abertura da galeria. As características de danos do grilo-marrom são de pequenas manchas sem plantas. Em cereais de inverno aparecem manchas com 30 cm de diâmetro sem plantas. Em milho e girassol consomem as plantas de 1 m de fileira. Em soja e feijão, os danos caracterizam o desaparecimento de plantas em 0,5 m de fileiras. Na primavera, os danos na germinação de milho e soja são causados pelo corte de plântulas durante a noite. Os grilos causam danos mais severos em períodos de seca e de temperaturas noturnas elevadas, quando são mais vorazes. Chuvas e temperaturas baixas determinam a redução na atividade dos grilos e permitem o crescimento das plantas, tolerando eventuais injúrias. CONTROLE O controle de grilos em lavouras extensivas é considerado difícil pelo hábito que a praga tem de proteger-se e armazenar alimento nas galerias. Os agentes de controle biológico natural mantêm as populações de grilos em equilíbrio. Dentro de galerias de grilos, freqüentemente são encontradas aranhas, lacraias, reduvídeos e carabídeos predadores. Fungos que causam doenças em grilos se desenvolvem quando são cultivadas plantas com ampla cobertura do solo e vegetação exuberante, como o nabo forrageiro. A cobertura de solo, nos meses de outono e inverno, com plantas de vegetação abundante cria ambiente favorável aos fatores de controle biológico natural e desfavoráveis para a praga. Nas áreas em que se constata populações elevadas de grilos no período de colheita das culturas de verão (março a abril) sugere-se semear uma cultura de cobertura de solo, imediatamente depois da colheita, para desenvolver ambiente desfavorável ao desenvolvimento da pragas. A aplicação de inseticidas fosforados na parte aérea das plantas resulta em controle insatisfatório. A aplicação de inseticidas piretróides controla parte da população e mantém o restante dentro das galerias por alguns dias, protegendo a cultura contra a praga e permitindo o crescimento das plantas. O inseticida fipronil, em aplicação aérea, apresenta os melhores resultados no controle de grilos. O uso de iscas envenenadas é outra alternativa de controle da praga. Pode-se usar iscas contendo inseticida fosforado ou carbamato, farelo de sorgo, trigo ou milho, açúcar ou melaço e água. A isca pode ser distribuída na lavoura em doses de 3 a 5 kg/ha. Resultados melhores podem ser alcançados em períodos com pouca umidade no solo e de estiagem. A eficiência da isca é maior nas fases depois da colheita das culturas de verão ou depois da dessecação de inverno, quando não há alternativa de alimento para os grilos. Se a isca for aplicada após a germinação das plantas cultivadas, os grilos poderão optar pelo vegetal, evitando as iscas envenenadas.
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