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Zoneamento Agrícola

 

O Zoneamento Agroclimático é uma ferramenta de grande utilidade para o planejamento da lavoura de arroz, pois ele permite minimizar o impacto negativo do clima e, ao mesmo tempo, explorar as suas potencialidades nas distintas regiões de cultivo. Além de definir as regiões mais apropriadas, em termos de clima e solo, no Zoneamento são estabelecidos períodos de semeadura em que o risco climático é menor, em nível de município.

Para o sistema de arroz de sequeiro, a disponibilidade hídrica durante a estação de crescimento constitui-se em fator limitante à expressão do potencial de rendimento da cultura e na maior causa de variabilidade dos rendimentos de grãos observados de um ano para outro.

Por isto é importante conhecer os fatores de riscos, que tendem a ser minimizados quanto mais eficiente for o planejamento das atividades relacionadas à produção. O agricultor tem que estar consciente de que a chance de ter sucesso deve-se a seu planejamento, e que este depende de vários elementos, dentre eles os riscos climáticos a que está sujeito.

  

Fatores climáticos que afetam o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade do arroz de sequeiro

No Brasil, o arroz de cultivado em sistema de sequeiro é uma das culturas mais influenciadas pelas condições climáticas. Em geral, quando as exigências da cultura são satisfeitas, obtêm-se bons níveis de produtividade. Entretanto, quando isso não ocorre, pode-se esperar frustrações de safras, que serão proporcionais à duração e à intensidade das condições meteorológicas adversas.

 

Fotoperíodo

O arroz de sequeiro é uma planta de dias curtos, tendo seu ciclo diminuído, quando a duração do dia diminui de 10 horas de luz diárias, o que promove a floração.

 

Temperatura do ar

A temperatura do ar é um dos elementos climáticos de maior importância para o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura do arroz. Cada fase fenológica tem a sua temperatura crítica ótima, mínima e máxima. Em geral, a cultura exige temperaturas relativamente elevadas da germinação à maturação, crescente até à floração e decrescentes após a floração.

 

Pluviosidade

As características do regime pluvial expressas pela quantidade e a distribuição das chuvas durante o ciclo da planta, são os fatores mais limitantes à produção do arroz. Do ponto de vista agroclimático existem, basicamente, duas alternativas para se diminuir a influência da deficiência hídrica no arroz de terras altas:

a) identificação das épocas de semeadura com menores riscos de ocorrência de deficiência hídrica durante o ciclo e, principalmente, durante a fase reprodutiva da cultura;

b) identificação, através do zoneamento agroclimático, das regiões com menores riscos de ocorrência de deficiência hídrica.

Na cultura do arroz de sequeiro, a diminuição da disponibilidade de água é proporcional à diminuição no rendimento de grãos. Para diminuir os efeitos negativos decorrentes da redução hídrica, torna-se necessário semear em períodos nos quais a fase de florescimento e enchimento de grãos coincide com uma maior demanda pluvial.

 

Fatores climáticos que afetam o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade do arroz irrigado

Temperatura

A temperatura é um dos elementos climáticos de maior importância para o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura do arroz. Assim, cada fase fenológica tem as suas temperaturas críticas ótima, mínima e máxima. A temperatura ótima para o desenvolvimento do arroz situa-se entre 20 e 35ºC, sendo esta faixa a ideal para a germinação, de 30 a 33ºC para a floração e de 20 a 25ºC para a maturação. O arroz não tolera temperaturas excessivamente baixas nem excessivamente altas. Entretanto, a sensibilidade da cultura varia, tanto para uma como para a outra, em função da fase fenológica.

A planta é mais sensível às baixas temperaturas na fase de pré-floração ou, mais especificamente, na microsporogênese. A segunda fase mais sensível é a floração. A faixa crítica de temperatura para induzir esterilidade no arroz é de 15 a 17ºC, para os genótipos tolerantes ao frio, e de 17 a 19ºC para os mais sensíveis. Os genótipos respondem diferentemente em relação à tolerância ao frio, sendo que, em geral, as cultivares do grupo Japonica são mais tolerantes do que as do grupo Indica.

Dentre as regiões produtoras do Brasil, o estado do RS é, seguramente, onde a ocorrência de baixas temperaturas exerce a maior influência na produtividade da cultura, particularmente no Litoral Sul e na Campanha, podendo causar decréscimos superiores a 25% e, em algumas situações, até 50%. A sua influência mais marcante ocorre na germinação, na emergência das plântulas e, principalmente, durante a fase reprodutiva.

Dentre as principais recomendações da pesquisa para amenizar o problema do frio estão:

a) não semear antes da temperatura média diária do solo, a 5cm de profundidade, atingir em torno de 20ºC;

b) usar cultivares mais tolerantes, principalmente nas regiões mais problemáticas;

c) efetuar a semeadura de modo que as fases críticas da planta coincidam com os períodos de menor probabilidade de ocorrência do frio;

d) elevar o nível de água na lavoura para 20 a 25cm, por aproximadamente 15 dias, durante a fase mais sensível às baixas temperaturas. Essa prática, que é também conhecida por "afogamento" é recomendada pelo efeito termorregulador da água que, se estagnada, pode atingir até 6ºC a mais que a temperatura ambiente, durante a noite, e de 1 a 2ºC durante o dia.

A ocorrência de altas temperaturas diurnas (superiores a 35°C) também pode causar esterilidade das espiguetas. A fase mais sensível do arroz a altas temperaturas é a floração. A segunda fase de maior sensibilidade é a pré-floração ou, mais especificamente, cerca de nove dias antes da emissão das panículas. Da mesma forma que para temperaturas baixas, há grandes diferenças entre genótipos quanto à tolerância a temperaturas altas.

 

Radiação Solar

A radiação solar de onda curta [(0,3 a 3 micra (µ)], que atinge a superfície da terra, é conhecida como radiação global. No processo de fotossíntese, as plantas utilizam apenas uma fração da radiação global incidente [(faixa de 0,3 a 3 micra (µ)], no comprimento de onda entre 0,4 e 0,7µ, denominada de radiação fotossinteticamente ativa (Photosynthetically Active Radiation - PAR). A PAR pode ser considerada como sendo de aproximadamente 50% da radiação global incidente.

A exigência de radiação solar pela cultura do arroz varia de uma fase fenológica para a outra. Durante a fase vegetativa, ela tem relativamente pouca influência sobre a produtividade e os seus componentes. Entretanto, a produtividade é fortemente influenciada pela radiação solar durante as fases reprodutiva e de maturação. Vários estudos mostram que, nessas fases, há uma relação linear positiva entre essa variável e a produção de grãos. Em termos práticos, esse período ocorre entre três semanas antes a três semanas após o início da floração.

Os fatores previamente citados são os que mais afetam a produtividade do arroz irrigado. Entretanto, existem outros que também podem causar danos consideráveis, dependendo da sua intensidade, da época de ocorrência e da área de abrangência. Dentre esses, destacam-se o granizo, os vendavais, as chuvas excessivas e as estiagens prolongadas.

As chuvas excessivas podem afetar a implantação e a colheita das lavouras, bem como causar prejuízos devido a inundação das mesmas. As estiagens prolongadas podem afetar a implantação das lavouras e o suprimento de água para a irrigação. Da mesma forma, existem alguns fatores tais como umidade relativa do ar, nebulosidade, orvalho, temperatura e o vento que afetam indiretamente a cultura, devido a sua influência na ocorrência e disseminação de doenças e pragas.

 

Zoneamento agroclimático para o arroz – época de semeadura X riscos climáticos

O nível de tecnologia adotado e a variabilidade climática explicam grande parte das flutuações no rendimento de grãos da cultura, que ocorrem em diferentes safras e entre locais, nos diversos estados brasileiros. As variações da temperatura do ar, da radiação solar (arroz irrigado) e de disponibilidade hídrica (arroz sequeiro), durante as fases críticas da planta, são os principais elementos climáticos relacionados com a variabilidade dos níveis de produtividade.

A época de semeadura é uma das práticas que desempenha um papel de destaque na obtenção de níveis altos e estáveis de produtividade, pelo fato de aumentar as chances de que as fases críticas da planta escapem das condições climáticas adversas e/ou coincidam com as favoráveis.

A implantação do Programa de Zoneamento Agrícola pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, como principal instrumento de apoio à Política Agrícola do Governo Federal, buscou reduzir as perdas causadas por adversidades climáticas na agricultura brasileira. O Projeto de Redução dos Riscos Climáticos na Agricultura, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA) define o período de semeadura do arroz para cada município do país, considerando tipo de solo, déficit hídrico (sequeiro), insolação, temperatura, risco de geadas e ciclo dos cultivares como principais variáveis de definição. Desta forma, foram elaborados pelas Comissões Regionais de Pesquisa e publicados pelo Ministério da Agricultura modelos de Zoneamento prevendo os riscos climáticos para cada um dos estados brasileiros envolvidos na produção de arroz. Nestes são relacionadas os principais fatores de risco (temperatura, disponibilidade hídrica, distribuição espacial e temporal da precipitação pluvial e fotoperíodo) associado às classes de solo, definindo as épocas ideais para o plantio.

Os zoneamentos agroclimáticos para a cultura do arroz para os estados brasileiros estão descritos como segue:

 

NORTE NORDESTE CENTRO-OESTE SUDESTE SUL
Acre Bahia

Distrito Federal

Espírito Santo Rio Grande do Sul
 Pará Maranhão Goiás
Minas Gerais
Santa Catarina
Rondônia  Paraíba Mato Grosso

São Paulo irrigado

Paraná

 Tocantins  Piauí  Mato Grosso do sul São Paulo sequeiro

 

         
         
           
         
         

 

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

 




 



 

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