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MATOPI, a mais nova fronteira da soja

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29/12/2011 - 14:18

Amélio Dall Agnol

Faz 129 anos que a soja chegou ao Brasil, via Estado da Bahia, onde fracassou. Seu insucesso deve-se ao fato de que a soja então cultivada mundo afora, era planta adaptada a climas temperados ou, no máximo, subtropicais. A região onde foi testada, no Estado da Bahia, apresenta latitude próxima de 12º. Por essa razão, ela só teve algum êxito no Brasil 20 anos depois, quando foi introduzida no Estado do Rio Grande do Sul (RS), onde são encontradas latitudes próximas de 30º.

Até o final da década de 1960, o RS era virtualmente o único Estado produtor de soja no Brasil, valendo-se, para tanto, de variedades introduzidas dos Estados Unidos (EUA), onde, na região sul daquele país são encontradas latitudes equivalentes às do RS. Na década seguinte, com os altos preços da soja no mercado mundial e as excelentes perspectivas de mercado futuro, o cultivo da oleaginosa alastrou-se rapidamente pelos demais Estados da Região Sul, onde as variedades americanas ainda apresentavam razoável adaptação. Muitos produtores da região, no entanto, na impossibilidade de aumentar sua área de cultivo em regiões próximas, por causa do elevado preço local da terra, começaram a migrar em massa para a Região de Cerrado, no meio oeste brasileiro, onde a terra era abundante e barata, mas as variedades americanas, cultivadas com êxito no Sul, não vingavam.

A leva de novos produtores de soja vinda do Sul para o Brasil Central clamava por variedades adaptadas às condições de baixa latitude da região, pressionando as instituições de pesquisa pela busca de uma soja tropical. As sementes que haviam levado do Sul para a nova área de cultivo no Cerrado não cresciam e não havia como introduzir uma soja tropical, porque ela não existia, de vez que os produtores mundiais de soja de então (China e EUA, principalmente) não produziam soja em regiões tropicais e, portanto, não desenvolviam variedades para essas condições.

A solução, portanto, não poderia ser encontrada na introdução de variedades de outros países, o que obrigou os cientistas brasileiros a meterem a mão na massa e desenvolver novas sementes para as condições de baixas latitudes do Brasil, o que foi conseguido com total sucesso a partir dos anos 70, convertendo mais de 200 milhões de hectares de Cerrado num dos maiores celeiros do mundo. Hoje, o país produz soja com a mesma eficiência, desde 34ºS até 7ºN, incluindo a linha do Equador, com 0º.

Paradoxalmente, o Estado da Bahia, que havia fracassado na tentativa de cultivar a oleaginosa no século 19, foi responsável pela conquista da mais alta produtividade média entre os estados brasileiros na safra 2010/2011, com rendimentos próximos de 3.400 kg/ha, em área superior a 1.000.000 ha.

A evolução da produção de soja no Brasil poderia ser dividida em três fases: 1ª fase, expansão na Região Sul durante as décadas de 1960 e 1970, quando a produção evoluiu de 478 mil para 8,08 milhões de toneladas; 2ª fase, expansão na Região Centro Oeste durante as décadas de 1980 e 1990, quando a produção cresceu de 1,85 para 13,36 milhões de toneladas e a 3ª fase, na presente década, com a expansão da cultura na divisa das regiões N e NE, principalmente nos estados de Maranhão, Tocantins e Piauí (MATOPI), período durante o qual a produção evoluiu de 676 mil para 5,3 milhões de toneladas, convertendo-se na mais nova fronteira agrícola para a produção de soja no Brasil, a qual responde, atualmente, por cerca de 7% da produção nacional. As perspectivas são de mais crescimento, visto que é nessa região onde se concentram os maiores aumentos de área de cultivo da soja.

Junto com a soja cresceu a economia regional e a renda per capita da população, elevando o Índice de Desenvolvimento Humano da região. A soja tem sido um dos mais importantes, senão o mais importante fator de desenvolvimento econômico e social da região do MATOPI, assim como o foi, anteriormente, nas regiões Sul e Centro Oeste.

A Embrapa se orgulha de ter sido ator importante nesse processo de desenvolvimento e continua engajada no esforço de seguir disponibilizando ferramentas tecnológicas para que a soja continue sendo um sucesso em todo o território nacional.

Comentários (9)

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28/03/2012 - Na década de 60 as variedades eram Hardee, Bragg, Bienville, Davis, Viçoja, entre outras. Em seguida o IAC lançou IAC2 e Pelicano. A soja para o cerrado teve como progenitores Jupter e as PI das Filipinas. Daí surgiram as linhas LO de Londrina, de onde saiu a Tropical, que viabilizou o cultivo nas baixas latitudes. Na Bahia as primeiras recomendações foram J 200 e Paranagoiana, nos anos 80. (Benedito Carlos Lemos de Carvalho)

16/01/2012 - POR FALAR EM NOVAS FRONTEIRAS; SERÁ COMO ANDA A RESERVA"RAPOSO TERRA DO SOL? SERÁ QUE P PROJETO DO GOVERNO DEU CERTO? COMO SERÁ QUE ESTÃO OS AGRILCULTORES QUE O GOVERNO INDENIZOU (RECEBERAM)? E OS INDIOS ESTÃO CONSEGUINDO SOBREVIVER NA TERRA? (Ademir)

14/01/2012 - Este povo varonil ( Irmãos do Sul e Embrapa) são responsáveis pela grandeza que é nosso Pais hoje. " Embrapa" , simbolo de conhecimento, riqueza, determinação, bravura. " Irmãos Sulistas", simbolo de trabalho, guerreiros, desbravadores, vitoriosos, Brasileiros. Nós brasileiros, só temos que nos orgulhar de vocês. (Orlei M Buiatti)

10/01/2012 - Legal! (SERGIO)

09/01/2012 - Excelente matéria. Esse exodo também ocorre em função da lmitação de áreas onde hoje são ocupadas com agricultura. Se o pai vai dividindo a propeiredade entre os filho s começa ficar pequena. Na sua maioria o pai compra área em novas fronteiras e os filhos entram desbravando. (Ademir Jose Sari)

04/01/2012 - Bom dia! Estou morando na cidade de Balsas-MA , há 09 anos e estou acompanhando o desenvolvimento agricola da região MAPITO, por atuar comercialmente neste 03 estados. Hoje a realidade da região e clara , temos capacidade e tecnologia para superar a produção das demais regiões, pela caracteristica de relevo e climatica. hoje não somos somente uma promessa, esim realidade para plantio de soja , milho, algodão, feijão caupi, eucalipto, cana de açucar - sem deixar de resaltar o arroz, que foi principal cultura de abertura da região, e que atualmente esta em crise , principalmente por falta de investimento em pesquisa e abandono por parte do governo federal - que não monitora as importações de arroz do uruguai , suriname e outros paises que desembarcam em São luis e abastecem o mercado regional , desmotivando o produtor reginal a continuar investindo na cultura por conta do baixo retorno. a região do MAPITO e tão prospera que os principais grupos agricolas e de investimento estão se estabelecendo na região, estão acelerando abertura agricola na região , pelo potencial economico que possuel,mas ao mesmo tempo não esta desenvolvendo a região, pois os produtores menores estão vendendo suas areas para os grupos ou arrendando e com isso o desenvolvimento social da região esta quase parando. Governos locais fazem muito pouco pelas reigões produtoras, precisamos de infra estrutura basica- saude, saneamento basico, segurança . e uma maior participação social deste grandes grupos no desenvolvimento da região. Sou paulista de nasciemnto, mas hoje sou maranhese de coração e acredito na região com muito otimismo e fé, e tenho certeza que vou conseguir prosperar nesta região e criar meus filhos . (Glauco La Rosa)

03/01/2012 - Seguindo esta limha de raciocinio em breve semente das variedades de soja do cerrado serão cultivadas no RS tendo em vista a elevação de temperatura no Sul. (Vicente)

03/01/2012 - Excelente matéria! Eu não tinha conhecimento que já havia há tanto tempo, uma tentativa de cultivo da soja no Brasil. Foi posterior ao ciclo do algodão? É, mais o importante é o resultado obtido hoje, inclusive na nova fronteira de expansão. (Francisco Jandui)

03/01/2012 - Concordo plenamente com as colocações aqui feitas. Apenas faço uma simples lembrança ao trabalho da EMGOPA, Empresa Goiana de Pesquisa, que com o apoio da EMBRAPA, muito contribuiu para o avanço da pesquisa vegetal, no Centro-Oeste, e no Tocantins, antigo norte de Goiás. (Jose Edgar C. Andrade)

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