Zoneamento Agrícola
Apesar de não influir no custo de produção, a semeadura de uma lavoura de milho na época adequada e sob condições ambientais favoráveis afeta a rentabilidade em função do desempenho superior da cultura. Por isto é importante conhecer os fatores de riscos, que tendem a ser minimizados quanto mais eficiente for o planejamento das atividades relacionadas à produção. O agricultor tem que estar consciente de que a chance de ter sucesso deve-se a seu planejamento, e que este depende de vários elementos, dentre eles os riscos climáticos a que está sujeito.
Época de semeadura do milho
A produtividade da cultura do milho varia em função de uma série de fatores bióticos e abióticos que estão interagindo, em relações onde as plantas tentam se adaptar as condições ambientais predominantes. Desta forma, a expressão do potencial produtivo da cultura depende da interação do genótipo das plantas com as condições do ambiente. Sabe-se que a interação genótipo e ambiente está associada a relações simples, relacionadas com a diferença de desempenho dos genótipos no ambiente, e complexas quando não há correlação entre os desempenhos dos genótipo no ambiente.
Daí a importância de conhecer a época de plantio analisando todo o ciclo da cultura, procurando prever as condições ambientais em todas as suas fases fenológicas. Porém, a grande dificuldade que se encontra no planejamento é com respeito às variações ambientais não previsíveis. Essas variações imprevisíveis correspondem aos fatores ambientais altamente variáveis como precipitação, temperatura, vento, etc. Além disto, é difícil de ser estabelecido a melhor época de plantio quando não se tem conhecimento prévio das características do material a ser semeado e das possíveis respostas do mesmo as condições ambientais prevalecentes em uma região.
Portanto, a época de semeadura refere-se ao período em que a cultura tem maior probabilidade de desenvolver-se em condições edafoclimáticas favoráveis. Com isto, o uso de cultivares adequadas as condições edafoclimáticas e a semeadura dentro do período previsto para a cultura na região tende a ser o melhor caminho.
Riscos climáticos para a cultura do milho
No Brasil, os riscos climáticos inerentes à cultura do milho, embora o cultivo do milho seja feito em diversas condições de clima, relacionam-se basicamente às limitações térmicas e hídricas e à distribuição espacial e temporal da precipitação pluvial, considerando regiões e épocas de cultivo. Para alguns estados, como os da região sul, existe o risco climático da possibilidade de ocorrências de geadas tardias (agosto –setembro - outubro) associado ao risco de déficit hídrico e má distribuição de precipitações, enquanto que, para estados como os da região centro-oeste, os maiores riscos estão associados com a irregularidade das precipitações e elevada evapotranspiração, em função das elevadas temperaturas diurnas e noturnas.
Zoneamento agroclimático para o milho – época de semeadura X riscos climáticos
Visando definir os melhores períodos para a semeadura do milho, foram elaborados pelas Comissões Regionais de Pesquisa em Milho e Sorgo e publicados pelo Ministério da Agricultura modelos de zoneamento prevendo os riscos climáticos para cada um dos estados envolvidos na produção de milho no pais. Nestes são relacionadas os principais fatores de risco (temperatura, disponibilidade hídrica e distribuição espacial e temporal da precipitação pluvial) associado às classes de solo, definindo as épocas ideais para o plantio.
A definição dos melhores períodos para a semeadura do milho leva em conta modelos de balanço hídrico para períodos de dez dias, desconsiderando outros fatores limitantes, como fertilidade do solo e ocorrência de pragas e doenças.
Os zoneamentos agroclimáticos para a cultura do milho para os estados brasileiros estão descritos como segue:
José Luis da Silva Nunes
Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia