28/07
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Armazenamento

A massa de grãos armazenada constitui um ecossistema em que estão presentes elementos abióticos e bióticos. Os abióticos são as impurezas e o volume de ar, enquanto os bióticos são organismos tais como os próprios grãos, insetos, ácaros, microrganismos e roedores. As técnicas de conservação de grãos fundamentam-se na manipulação dos fatores intrínsecos e extrínsecos à massa de grãos, visando à preservação das qualidades dos produtos armazenados.

Desta forma, juntamente com o esforço para o aumento da produtividade, necessariamente há que se aprimorar as condições de armazenagem. O nível tecnológico do armazenamento será estabelecido de acordo com o volume a ser armazenado e a disponibilidade de recursos para a construção e para os equipamentos que constituirão a unidade armazenadora. Os grãos de soja podem ser armazenados a granel, em silos ou armazéns herméticos, ou em sacarias em armazéns, no caso de sementes. O sistema a granel é a forma mais comum de se armazenar a soja, em função dos avanços tecnológicos disponíveis aos produtores.

Uma característica positiva dos grãos é a possibilidade de serem armazenados por longo período de tempo, sem perdas significativas da qualidade. Entretanto, o armazenamento prolongado só pode ser realizado quando se adotam corretamente as práticas de colheita, limpeza, secagem, combate a insetos e prevenção de fungos.

É fundamental que o processo de limpeza seja realizado previamente ao armazenamento para que se garanta a qualidade e a uniformidade da massa de grãos normais, para que os processos de aeração e/ou secagem se tornem mais eficientes. Isto porque um lote de grãos armazenados é um material sujeito às transformações, deteriorações e perdas devido a interações entre os fenômenos físicos, químicos e biológicos. Uma massa de grãos que sofreu um processo de limpeza deficiente sofre grande influência de agentes como microrganismos, insetos, roedores e pássaros, que se aproveitam desse ambiente propício. Além disto, outros fatores como temperatura, umidade e disponibilidade de oxigênio atuam diretamente sobre uma massa de grãos. Desta forma, além de limpo, o material deve ser seco de forma adequada, para que a estabilidade de sua qualidade seja mantida.

Como regra geral, todas as instalações e equipamentos envolvidos no processo de armazenagem devem ser limpos antes de novo carregamento, de modo a se eliminar focos de infestação e de contaminação. Deve se ter em mente que todo procedimento realizado nos grãos de soja colhidos não aumentará sua qualidade pós-colheita, mantendo, no máximo, a qualidade obtida durante o processo de produção no campo.

Desta forma, a qualidade da soja armazenada deve ser a prioridade para os produtores, processadores e distribuidores do produto. São muitos os fatores que contribuem para a perda de qualidade e quantidade dos grãos armazenados e, dentre eles, destacam-se as pragas. No Brasil, algumas indústrias admitem até 3% de grãos com insetos, enquanto outras exigem a classificação "isento" como padrão de qualidade.

Assim, as pragas de armazenamento têm grande importância na avaliação da qualidade dos grãos armazenados. São muitas as espécies de pragas que se encontram em produtos armazenados e seus subprodutos. Dentre elas, destacam-se os insetos como principal agente responsável pelas perdas no período pós-colheita. A maioria das espécies é cosmopolita, embora tenham sido disseminadas em todo o mundo, em razão, principalmente, dos intercâmbios comerciais.

O principal inseto-praga que ataca os grãos de soja armazenados é uma mariposa frágil da ordem Lepidóptera, conhecida como traça (Plodia interpunctella). Esta espécie permanece na superfície da massa de grãos, causando assim prejuízos superficiais nos grãos.

O uso de métodos de controle de pragas em grãos armazenados, associado aos procedimentos corretos de colheita, limpeza e armazenagem permite a manutenção por longo tempo da qualidade dos grãos armazenados.
 

 

 

José Luis da Silva Nunes.

Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia.