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Zoneamento Agrícola

A disponibilidade hídrica durante a estação de crescimento da soja constitui-se na principal limitação à expressão do potencial de rendimento da cultura e na maior causa de variabilidade dos rendimentos de grãos observados de um ano para outro, principalmente na Região Sul do Brasil. Por isto é importante conhecer os fatores de riscos, que tendem a ser minimizados quanto mais eficiente for o planejamento das atividades relacionadas à produção. O agricultor tem que estar consciente de que a chance de ter sucesso deve-se a seu planejamento, e que este depende de vários elementos, dentre eles os riscos climáticos a que está sujeito.

 

Época de semeadura da soja

A produtividade da cultura da soja varia em função de uma série de fatores bióticos e abióticos que estão interagindo, em relações onde as plantas tentam se adaptar as condições ambientais predominantes. Desta forma, a expressão do potencial produtivo da cultura depende da interação do genótipo das plantas com as condições do ambiente.

A época de semeadura é um dos fatores que mais influenciam sobre o rendimento da soja. Como essa é uma espécie termo e fotossensível, está sujeita a alterações fisiológicas e morfológicas, quando as suas exigências ambientais não são satisfeitas. A época de semeadura determina a exposição da soja à variação dos fatores climáticos limitantes. Assim, semeaduras em épocas inadequadas podem afetar o porte, o ciclo e o rendimento das plantas e aumentar as perdas na colheita. Daí a importância de conhecer a época de plantio analisando todo o ciclo da cultura, procurando prever as condições ambientais em todas as suas fases fenológicas

Porém, a grande dificuldade que se encontra no planejamento é com respeito às variações ambientais não previsíveis. Essas variações imprevisíveis correspondem aos fatores ambientais altamente variáveis como precipitação, temperatura, vento, etc. Além disto, é difícil de ser estabelecido a melhor época de plantio quando não se tem conhecimento prévio das características do material a ser semeado e das possíveis respostas do mesmo as condições ambientais prevalecentes em uma região.

Portanto, a época de semeadura refere-se ao período em que a cultura tem maior probabilidade de desenvolver-se em condições edafoclimáticas favoráveis. Com isto, o uso de cultivares adequadas as condições edafoclimáticas e a semeadura dentro do período previsto para a cultura em cada região de plantio, tende a ser o melhor caminho.

 

Cultivares e épocas de semeadura

O escalonamento da produção de soja através da semeadura de cultivares de diferentes ciclos em diversas épocas, numa mesma propriedade, é indicado para minimizar os riscos eventualmente causados por adversidades climáticas.

 

Riscos climáticos para a cultura da soja

Disponibilidade de água

A água constitui aproximadamente 90% do peso da planta, atuando em, praticamente, todos os processos fisiológicos e bioquímicos. Desempenha a função de solvente, permitindo a entrada nas células de solutos, nutrientes e gases, além do movimento pela planta. Tem, ainda, papel importante na regulação térmica da planta, agindo tanto no resfriamento como na manutenção e distribuição do calor.

Dois são os estádios fenológicos em que a água é fundamental no desenvolvimento da soja:

- Período da germinação-emergência: neste período, tanto o excesso quanto o déficit de água são prejudiciais ao stand inicial da cultura e a uniformidade da população de plantas. Para assegurar qualidade de germinação, a semente de soja necessita absorver no mínimo 50% de seu peso em água. Para isto, o conteúdo máximo de água disponível do solo não pode exceder 85% e nem ser inferior a 50%;

- Período de floração-enchimento de grãos: a necessidade de água na cultura da soja vai aumentando com o desenvolvimento da planta, atingindo o máximo durante a floração-enchimento de grãos (7 a 8 mm.dia-¹), decrescendo após esse período. Déficits hídricos expressivos, durante a floração e o enchimento de grãos, provocam alterações fisiológicas na planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas e, como conseqüência, causam a queda prematura de folhas e de flores e abortamento de vagens, resultando, por fim, em redução do rendimento de grãos.

A necessidade total de água na cultura da soja, para obtenção do máximo rendimento, varia entre 450 a 800 mm em cada ciclo, dependendo das condições climáticas, do manejo da cultura e da duração do ciclo.

Para minimizar os efeitos do déficit hídrico, indica-se semear apenas cultivares adaptadas à região e à condição de solo; semear em época recomendada e de menor risco climático; semear com adequada umidade em todo o perfil do solo; e adotar práticas que favoreçam o armazenamento de água pelo solo. A irrigação é medida eficaz, porém, de custo elevado.

 

Temperatura e fotoperiodismo

A soja melhor se adapta a temperaturas do ar entre 20ºC e 30ºC; a temperatura ideal para seu crescimento e desenvolvimento está em torno de 30ºC. Sempre que possível, a semeadura da soja não deve ser realizada quando a temperatura do solo estiver abaixo de 20oC porque prejudica a germinação e a emergência. A faixa de temperatura do solo adequada para semeadura varia de 20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a temperatura ideal para uma emergência rápida e uniforme.

O crescimento vegetativo da soja é pequeno ou nulo a temperaturas menores ou iguais a 10ºC. Temperaturas acima de 40ºC têm efeito adverso na taxa de crescimento, provocam distúrbios na floração e diminuem a capacidade de retenção de vagens. Esses problemas se acentuam com a ocorrência de déficits hídricos.

A floração da soja somente é induzida quando ocorrem temperaturas acima de 13ºC. As diferenças de data de floração, entre anos, apresentadas por uma cultivar semeada numa mesma época, são devido às variações de temperatura. Assim, a floração precoce ocorre, principalmente, em decorrência de temperaturas mais altas, podendo acarretar diminuição na altura de planta. Esse problema pode se agravar se, paralelamente, houver insuficiência hídrica e/ou fotoperiódica durante a fase de crescimento. Diferenças de data de floração entre cultivares, numa mesma época de semeadura, são devido, principalmente, à resposta diferencial das cultivares ao comprimento do dia (fotoperíodo).

A maturação pode ser acelerada pela ocorrência de altas temperaturas. Quando vêm associadas a períodos de alta umidade, as altas temperaturas contribuem para diminuir a qualidade da semente e, quando associadas a condições de baixa umidade, predispõem a semente a danos mecânicos durante a colheita. Temperaturas baixas na fase da colheita, associadas a período chuvoso ou de alta umidade, podem provocar atraso na data de colheita, bem como haste verde e retenção foliar.

A adaptação de diferentes cultivares a determinadas regiões depende, além das exigências hídricas e térmicas, de sua exigência fotoperiódica. A sensibilidade ao fotoperíodo é característica variável entre cultivares, ou seja, cada cultivar possui seu fotoperíodo crítico, acima do qual o florescimento é atrasado. Por isso, a soja é considerada planta de dia curto. Em função dessa característica, a faixa de adaptabilidade de cada cultivar varia à medida que se desloca em direção ao norte ou ao sul. Entretanto, cultivares que apresentam a característica "período juvenil longo" possuem adaptabilidade mais ampla, possibilitando sua utilização em faixas mais abrangentes de latitudes (locais) e de épocas de semeadura.

 

Zoneamento agroclimático para a soja - época de semeadura X riscos climáticos

O nível de tecnologia adotado e a variabilidade climática explicam grande parte das flutuações no rendimento de grãos das culturas, que ocorrem em diferentes safras e entre locais, nos diversos estados brasileiros.

A implantação do Programa de Zoneamento Agrícola pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, como principal instrumento de apoio à Política Agrícola do Governo Federal, buscou reduzir as perdas causadas por adversidades climáticas na agricultura brasileira. A precipitação pluvial (déficit hídrico), durante a estação de crescimento, é a principal variável meteorológica determinante de oscilações no rendimento de grãos, tanto interanual quanto entre as diferentes regiões do país.

O Projeto de Redução dos Riscos Climáticos na Agricultura, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA) define o período de semeadura da soja para cada município do país, considerando tipo de solo, déficit hídrico, insolação, temperatura, risco de geadas e ciclo dos cultivares como principais variáveis de definição. Desta forma, foram elaborados pelas Comissões Regionais de Pesquisa em soja e publicados pelo Ministério da Agricultura modelos de zoneamento prevendo os riscos climáticos para cada um dos estados brasileiros envolvidos na produção da soja. Nestes são relacionadas os principais fatores de risco (temperatura, disponibilidade hídrica e distribuição espacial e temporal da precipitação pluvial) associado às classes de solo, definindo as épocas ideais para o plantio.

A definição dos melhores períodos para a semeadura da soja leva em conta modelos de balanço hídrico para períodos de dez dias, desconsiderando outros fatores limitantes, como fertilidade do solo e ocorrência de pragas e doenças.

Os zoneamentos agroclimáticos para a cultura da soja para os estados brasileiros estão descritos como segue:
 

NORTE NORDESTE CENTRO-OESTE SUDESTE SUL
Pará Bahia Distrito Federal São Paulo Rio Grande do Sul
Rondônia Maranhão Goiás Minas Gerais Santa Catarina
 Tocantins Piauí Mato Grosso   Paraná
Acre   Mato Grosso do Sul    
         
         
         
         
         

 

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

 

 




 



 

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