Gripe Aviária

Perguntas mais freqüentes sobre a Gripe aviária:

A Coordenação de Sanidade Avícola, do Departamento de Saúde Animal organizou uma lista de perguntas mais freqüentes sobre a influenza aviária, que podem auxiliar na orientação sobre os riscos que a doença representa a população em geral e ao plantel avícola nacional.

  1. O que é Influenza Aviária?
  2. O que é H5N1?
  3. Quais vírus causam a doença de alta patogenicidade?
  4. Quais sintomas da IA em aves domésticas?
  5. As aves migratórias podem disseminar vírus de IA?
  6. O que há de especial sobre os focos de IA em aves?
  7. Qual desafio da IA para saúde pública?
  8. Já foram diagnosticados casos de IA no Brasil?
  9. É seguro o consumo de aves e seus sub-produtos?
  10. É seguro comer carne de frango cozida?
  11. É seguro o consumo de ovos?
  12. O Brasil é livre de IA. Por que medidas de vigilância estão sendo implementadas?
  13. Uma vez detectado o agente da IA no país, quais medidas serão aplicadas para restrição da doença?
  14. Por que estratégias de vacinação de aves não têm sido elaboradas?
  15. O Brasil realiza importação de material de risco?
  16. Eu tenho aves domésticas. Como saber se minhas aves têm IA?
  17. Eu trabalho na indústria de aves. Posso estar exposto à infecção por manipulação de frangos vivos ou subprodutos. Eu preciso de alguma precaução especial?
  18. Um viajante poderia se infectar com a IA e trazer o vírus para o Brasil?
  19. Quais medidas estão sendo tomadas no mundo com relação à disseminação da IA no sudeste da Ásia?
  20. Como posso obter mais informações sobre a IA?

 

1. O que é Influenza Aviária?

A influenza aviária (IA), ou a gripe aviária, é uma doença transmitida por vírus, altamente contagiosa, que ocorre em galinhas e outras aves e, menos comumente em suínos. Os vírus da gripe aviária são altamente espécie-específicos, mas em raras ocasiões, atravessaram as barreiras específicas entre as espécies e infectaram a população humana. Nas aves domésticas, a infecção pelo vírus da IA causa duas formas principais de doença, diferenciadas e classificadas por extremos de alta e baixa virulência. As cepas chamadas de baixa patogenicidade causam sintomas brandos, que podem passar desapercebidos. A forma de alta patogenicidade é muito mais dramática. Sua disseminação no lote de aves ocorre rapidamente, causando uma doença que afeta múltiplos órgãos internos e a mortalidade pode atingir 100% das aves afetadas, em menos de 48 horas.
Espécies de aves selvagens, principalmente as aquáticas, como patos e marrecos, albergam cepas do vírus de alta e baixa patogenicidade, sem apresentação obrigatória dos sintomas clínicos. O contato entre aves domésticas e migratórias tem sido a origem de muitos surtos epidêmicos. A IA pode ocasionalmente ser disseminada para a população humana e animal, após contato direto dessas espécies com aves infectadas.

 

2. O que é H5N1?

Existe uma grande quantidade de variantes do vírus da Influenza Aviária. Esta classificação está relacionada à caracterização de antígenos de superfície da cepa: hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Aves selvagens são os hospedeiros naturais da variante H5N1. Esta variante é muito contagiosa entre aves e pode levá-las à morte, particularmente se ocorrer contato entre espécies migratórias ou selvagens contaminadas e aves de criação industrial. O vírus não afeta regularmente a população humana, porém em 1997, ocorreu a primeira detecção de transmissão entre aves e humanos da cepa H5N1, durante um surto em Hong Kong. O vírus causou doença respiratória severa em 18 pessoas, com 6 mortes. Desde então, outros incidentes com H5N1 tem ocorrido com população humana. Contudo, o vírus da Influenza Aviária, H5N1 não é capaz de transmitir-se entre humanos. A disseminação do vírus entre as aves ocorre através de saliva, secreções nasais e fezes. A disseminação para aves susceptíveis ocorre quando estas têm contato com excretas contaminadas. Os casos na população humana de H5N1 são resultado de contato humano com aves ou fômites infectados.

3. Quais vírus causam a doença de alta patogenicidade?

O vírus de IA possuem 16 subtipos de H e 9 subtipos de N. Apenas os subtipos H5 e H7 são conhecidos por causar a forma altamente patogênica da doença. Contudo, nem todos os vírus H5 ou H7 são altamente patogênicos e nem todos irão necessariamente causar doença severa nas aves.

4. Quais sintomas da IA em aves domésticas?

Os sintomas podem variar e passar desapercebidos (no caso de vírus de baixa patogenicidade) até sintomas presentes no caso de IA de alta patogenicidade: depressão severa; inapetência; edema facial com crista e barbela inchada e com coloração arroxeada; dificuldade respiratória com descarga nasal; queda severa na postura de ovos; mortalidade igual ou superior a 1%; diminuição do consumo de água e ração, igual ou superior a 20%; morte súbita, que pode chegar até 100% do plantel.  Quando observar estes sintomas nas aves domésticas, qualquer cidadão deve reportar diretamente ao escritório local do Serviço de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura ou à Superintendência Federal de Agricultura do Estado.

5. As aves migratórias podem disseminar vírus de IA?

O papel das aves migratórias na disseminação dos vírus de IA de alta patogenicidade não está bem compreendido. Aves aquáticas selvagens são hospedeiros naturais da doença, e provavelmente, carrearam-na durante anos. É sabido que estas aves podem albergar cepas H5 e H7, contudo nas suas formas de baixa patogenicidade. Evidências têm demonstrado que as aves migratórias podem ser responsáveis pela introdução de cepas H5 e H7 de baixa patogenicidade nos plantéis avícolas comerciais, que em seguida sofrem mutação para cepas de alta patogenicidade.

6. O que há de especial sobre os focos de IA em aves?

Os recentes focos de gripe aviária de alta patogenicidade, que se iniciaram no Sudeste Asiático, no ano de 2003, são os maiores e mais severos focos registrados. Nunca na história da doença, tantos países foram simultaneamente afetados, resultando no sacrifício de grande quantidade de aves.

O agente H5N1 provou ser bastante perigoso. Além do sacrifício e morte de 150 milhões de aves, o vírus é considerado endêmico em muitos países da Ásia. O controle da doença nas aves levará muitos anos.

7. Qual desafio da IA para saúde pública?

A disseminação do H5N1 na população de aves pode representar riscos à população humana.

O risco se refere à infecção direta, quando o agente passa de aves para a população humana, resultando em doença bastante severa. Dos poucos casos ocorridos, H5N1 causou o maior número de casos da doença com morte de humanos, porém em muitos casos, o vírus da IA não afeta humanos.

O vírus tem tendência à mutação e pode ocasionalmente disseminar-se para outros animais. Diferente da influenza sazonal, onde as infecções causam apenas leves sintomas respiratórios, a doença infecção pelo H5N1 é seguida de curso clínico agressivo, com rápida deterioração e alta taxa de mortalidade. Pneumonia Viral Primária e falha sistêmica, são comuns de acontecer. Mais da metade das pessoas infectadas com este tipo de vírus morreram e a maioria dos casos aconteceu em crianças e jovens saudáveis. Os casos em humanos foram caracterizados pela presença de subtipos altamente patogênicos, devido a contato direto com aves infectadas.

O foco de atenção está voltado para a possibilidade de mutação genética do vírus circulante no Sudeste Asiático, levando a transformação do vírus do IA numa nova variante capaz de ser transmitido entre humanos. Esta mudança pode dar início à situação de pandemia.
Os costumes de convivência com aves domésticas, como no caso dos países asiáticos, onde a população mantém íntima convivência com patos e gansos,  pode ter facilitado a ocorrência de casos humanos.

8. Já foram diagnosticados casos de IA no Brasil?

Não foram registrados casos de gripe aviária no Brasil, quer seja em plantéis avícolas ou na população humana.

9. É seguro o consumo de aves e seus sub-produtos?

IA não é transmitida através de comida cozida. Até o momento, não há evidências que indique a infecção por consumo de frangos cozidos adequadamente, ou de produtos derivados, mesmo que estes alimentos tenham sido contaminados pelo vírus H5N1.
No Brasil, como não ocorreram casos de IA, aves e seus produtos devem ser preparados e consumidos como usualmente.

10. É seguro comer carne de frango cozida?

Sim. A carne de frango deve ser cozida de forma correta. O Brasil é livre de IA e mesmo em situações de vírus presente na carne da ave, ele será destruído durante o cozimento. Toda carne de frango crua deve ser manejada de forma higiênica. Lave as mãos e as superfícies que entraram em contato com a carne e sempre mantenha a carne de frango crua separada de outros alimentos.

11. É seguro o consumo de ovos?

Sim. Em caso de circulação do vírus da IA, a casca do ovo pode ser contaminada no contato com as fezes, por isso é importante que todos os ovos devem ser lavados antes de serem manipulados. É prudente ter cuidados especiais de higiene, quando manusear ovos, tais como lavar todos os ovos e lavar as mãos após manuseio. Não se deve separar a clara do ovo de sua gema com as mãos. É recomendável que o ovo seja cozido. Deve se tomar cuidado particular com alimentos feitos com ovos crus, como a maionese.

12. O Brasil é livre de IA. Por que medidas de vigilância estão sendo implementadas?

O Brasil possui o Programa Nacional de Sanidade Avícola, desde 1994 e elabora constante vigilância nas doenças de aves.
O Departamento de Saúde Animal, da Secretaria de Defesa Agropecuária é o órgão do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) responsável pela edição de políticas e fiscalização das atividades de prevenção à influenza aviária. Foram realizadas reuniões com o setor produtivo para formulação das políticas de prevenção da doença no território nacional. A União Brasileira dos Avicultores (UBA) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (ABEF) têm participado na formulação e difusão das políticas do Departamento, na promoção da conscientização de seus associados sobre a necessidade de implementação de medidas de biosseguridade nos plantéis avícolas industriais.
O Brasil está localizado numa posição geográfica distante dos principais focos da Doença, porém o Brasil preparou um plano de resposta a uma eventual detecção de infecção no plantel avícola nacional. A equipe da Coordenação de Sanidade Avícola, do Departamento de Saúde Animal está elaborando as ações para manter sistema ativo de vigilância à IA. A vigilância contínua e a rápida detecção inicial de vírus de baixa patogenicidade em aves industriais, de subsistência e migratórias é um fator de prevenção da ocorrência de formas de alta patogenicidade da doença.
Está sendo atualizado o cadastramento oficial de todos os estabelecimentos de criação avícola. Este trabalho servirá como base para identificação de plantéis sob risco de desenvolvimento da doença, quando da eventual detecção da circulação de vírus no país.
Nos últimos anos a vigilância de IA foi estabelecida: no atendimento às suspeitas de casos clínicos, realizada pelo Serviço Oficial (médicos veterinários do MAPA, Secretarias de Agricultura e Órgãos de Defesa Sanitária Animal), em levantamento sorológico, realizado nos plantéis avícolas industriais e em vigilância amostral de aves migratórias.
O MAPA aumentou a fiscalização nos portos, aeroportos e demais pontos de fronteira. A staff de quarentena e fiscalização já está alerta para aves vivas e produtos avícolas que entram no país. Os funcionários da Vigilância Agropecuária (VIGIAGRO) estão a par das informações necessárias para evitar a entrada de produtos de risco.
O plano de vigilância continuada está sendo elaborado pelo MAPA e será implementado após a análise dos resultados destas ações iniciais.

13. Uma vez detectado o agente da IA no país, quais medidas serão aplicadas para restrição da doença?

O MAPA editou a versão preliminar do Plano Nacional de Contingência de IA . Esse plano prevê ações para prevenir a disseminação da doença onde foi detectado um foco. As aves dos estabelecimentos afetados serão destruídas. As ações de destruição serão executadas pelo Serviço Oficial, pois o movimento de aves de origem destes estabelecimentos pode gerar disseminação do vírus no plantel avícola nacional.

14. Por que estratégias de vacinação de aves não têm sido elaboradas?

O Brasil não registrou casos de IA e, portanto, não recomenda ou autoriza a vacinação preventiva dos plantéis avícolas. As medidas de controle da IA podem passar por campanhas de vacinação, mas a decisão de uso é extremamente difícil e multifatorial. Restrições comerciais são impostas quando da utilização de vacinação, afetando a exportação de produtos da industria avícola. Em momentos futuros esta posição poderá ser revisada.

15. O Brasil realiza importação de material de risco?

Toda importação de material biológico animal, incluindo aves e seus produtos, é submetida a uma avaliação prévia do MAPA. Produtos de risco, originários de região afetados pela IA não têm entrada permitida no país. De outra forma, toda a entrada de material originário de outras regiões é acompanhado de certificação sanitária internacional, comprovando que o produto é isento de risco.

O Brasil realiza importação de aves e ovos férteis, para reposição de material genético, destinados a granjas avícolas de reprodução. Esta atividade é realizada sob estrita fiscalização do MAPA, através de normas que asseguram a certificação sanitária de origem destes produtos e a condição sanitária destas aves e ovos no seu destino, dentro do país.

16. Eu tenho aves domésticas. Como saber se minhas aves têm IA?

Nas aves, entre os sintomas mais freqüentes estão: corrimento no nariz e nos olhos, cabeça, crista e barbela inchadas, diarréia, plumagem arrepiada e diminuição de ovos.

Estes sintomas também estão presentes em outras doenças de aves. No caso de IA de alta patogenicidade, também é observada elevados índices de mortalidade, num período inferior a 48 horas.

Em caso de suspeita de IA, procure a Unidade Local, mais próxima, de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura do Estado ou contate a Superintendência Federal de Agricultura. O médico veterinário será responsável pela coleta de amostras e envio ao laboratório oficial, responsável pelo diagnóstico de IA.

Em caso de confirmação da doença, as medidas previstas no Plano de Contingência  serão aplicadas.

17. Eu trabalho na indústria de aves. Posso estar exposto à infecção por manipulação de frangos vivos ou subprodutos. Eu preciso de alguma precaução especial?

Não foram detectados casos de IA no país. Não há nenhuma precaução a ser tomada neste momento.
Em caso de detecção de sinais clínicos da IA, no plantel avícola de sua região, chame imediatamente o Serviço Oficial de atenção veterinária (Unidade Local de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura do Estado ou a Superintendência Federal de Agricultura).

18. Um viajante poderia se infectar com a IA e trazer o vírus para o Brasil?

Isso é muito difícil de acontecer. Até agora o vírus não se mostrou capaz de disseminar entre humanos.
Apesar de que o risco de contaminação para pessoas que viajam para países que apresentam a doença ser muito pequeno, pessoas que viajarem para essas regiões devem evitar situações de risco tais como: entrar em contato com fazendas e mercados de aves vivas e assegurar que todo contato físico com frango cru e ovos deve ser feito com cuidados higiênicos.
Viajantes originários de áreas contaminadas devem evitar a visita, por período de 21 dias, a estabelecimentos de avicultura.

MEDIDAS GLOBAIS

19. Quais medidas estão sendo tomadas no mundo com relação à disseminação da IA no sudeste da Ásia?

A Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE) está acompanhando a ocorrência da doença nos países que apresentaram casos de IA em aves.
Atualizações constantes são feitas no site da organização (www.oie.int).

MAIS INFORMAÇÕES

20. Como posso obter mais informações sobre a IA?

A maioria das informações sobre a IA pode ser encontrada em vários sítios eletrônicos no mundo todo. Se você não possui acesso à rede Internet, visite a biblioteca mais próxima ou procure um cybercafé. Sítios eletrônicos como o da Organização Mundial de Saúde Animal (www.oie.int), Organização Mundial de Saúde(www.who.int),  Ministério da Saúde (www.saude.gov.br) têm atalhos para várias outras direções que possuem informações sobre o assunto.

Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - SECRETARIA DE DEFESA AGROPECUÁRIA DEPARTAMENTO DE DEFESA ANIMAL  - COORDENAÇÃO GERAL DE COMBATE ÀS DOENÇAS  COORDENAÇÃO DE SANIDADE AVÍCOLA



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