O vírus da gripe, de acordo com pesquisas, tem 80 milhões de anos, sendo a sua principal característica a mutação, conforme a capacidade do organismo humano em criar anticorpos. Pesquisas recentes indicam que existem em torno de 130 tipos de gripe, contra os quais não existem remédios e isso devido à capacidade de mutação do vírus, causando muitas mortes.
Essa nova gripe que primeiro atingiu o México e se espalha pelo mundo, inicialmente ficou conhecida como gripe suína e/ou mexicana e agora passou a se chamar de “Influenza A” (H1N1) pelo fato de não ser transmitida pelos suínos, mas de humano para humano. É mais uma mutação do vírus da gripe espanhola (gripe pneumônica, peste pneumônica) e posterior gripe aviária (H5N1), da mesma família da gripe comum. O vírus está em constante mutação, possivelmente com material genético das gripes humana, aviária e suína. Ao que parece não é tão violenta como as gripes espanhola (1918/19) e do frango (1997, 2003/06). No entanto, a mais devastadora foi a gripe espanhola, com mortes em torno de 50 a 60 milhões de pessoas.
A primeira pandemia que se têm notícias (gripe asiática - subtipo H2N8 do vírus Influenza) foi detectada em Bukhara (Rússia) em maio de 1889 e se espalhou pelo planeta e matou mais de 300.000 pessoas até 1892.
“O tempo entre pesquisa e elaboração da vacina demora alguns meses, motivo pelo qual a prevenção ainda é a melhor forma de se combater a doença”
A gripe espanhola surgiu tão logo acabou a Primeira Grande Guerra Mundial, cujo início foi em 1914 e término em 1918, com mortes de até 10 milhões de pessoas. Ela foi observada, pela primeira vez, nos Estados Unidos em março de 1918 e na Europa em abril do mesmo ano junto às tropas americanas, britânicas e francesas; em maio atingiu a Espanha, Grécia e Portugal; em junho a Dinamarca e a Noruega e em agosto os Países Baixos e a Suécia. No entanto, todos os exércitos estacionados na Europa foram contaminados pela gripe, com centenas de milhares de mortes. Essa gripe espalhou-se pelo mundo contaminando em torno de 50% da população.
No Brasil, a gripe espanhola chegou em setembro de 1918, através de marinheiros vindos de Dakar (África), que desembarcaram no porto de Recife e daí se espalhou por diversas cidades, dentre elas São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse período, Carlos Chagas assumiu a direção do Instituto Osvaldo Cruz, reorganizando-o tanto em sua administração como na atividade de pesquisa e tomou providências enérgicas no combate à gripe, cujo surto considerado como pandêmico foi entre outubro a dezembro de 1918. No Rio de Janeiro e em São Paulo houve mais de 35.000 mortes, dentre eles a do ex-presidente da República Rodrigues Alves, que havia sido eleito para o seu segundo mandato.
Uma nova pandemia ocorreu em 1957/58 (vírus H2N2), detectado na China e que matou um milhão de pessoas ao redor do planeta e, em 1968, novo surto da gripe (vírus H3N2), detectado em Hong Kong, dizimou também mais de um milhão de pessoas até 1969.
Com respeito à gripe das aves (gripe aviária – vírus H5N1) em 1997 foi detectado em Hong Kong, causando quatro mortes de humanos. É uma um tipo de vírus Influenza, o responsável pela gripe comum. Houve mutação genética, se tornando transmissível aos seres humanos. O governo local sacrificou 1,4 milhão de aves para evitar uma tragédia maior. Em 2003, um surto da gripe aviária na Ásia levou os governos a ordenarem o sacrifício de dezenas de milhões de aves domésticas, a fim de se evitar que o surto se espalhasse ainda mais. Mesmo assim, atingiu 121 países. Houve, no entanto, em torno de uma centena de mortes de humanos. O surto de 2005 infectou pessoas no Camboja, Indonésia, Tailândia e Vietnã e infectou aves na Alemanha, China, Grécia, Inglaterra, Laos e Turquia, como também em aves migratórias do Canadá. Principalmente nos países asiáticos ocorreram diversas mortes de humanos.
Atualmente, com a comunicação instantânea e ao vivo pelo planeta, providências são tomadas no sentido da prevenção imediata, impedindo que a doença possa contaminar um grande número de pessoas, como é caso da gripe “Influenza A”. Vacinas e medicamentos são produzidos em larga escala e ministrados em tempo hábil. No entanto, as pesquisas são uma constante, uma luta contra o tempo, pois o vírus da gripe é de uma mutação muito rápida. O tempo entre pesquisa e elaboração da vacina demora alguns meses, motivo pelo qual a prevenção ainda é a melhor forma de se combater a doença.