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Influenza A aviária (H5N1) - A gripe do frango

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Influenza A aviária (H5N1) - A gripe do frango
22/05/06 - 11:44 

Resumo Este estudo tem como objetivo rever a literatura sobre o vírus influenza A aviária (H5N1). O levantamento bibliográfico foi realizado nos bancos de dados eletrônicos Medline, MD Consult, HighWire, Medscape e Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud (LILACS, Literatura Latinoamericana e do Caribe em Ciências da Saúde), e por pesquisa direta, referentes aos últimos dez anos. Foram selecionados 32 artigos originais abordando os surtos recentes de infecção por um subtipo de vírus influenza A aviária, o H5N1, em criações de aves domésticas na Ásia, que resultaram em importantes prejuízos econômicos e repercussões em saúde pública, além de casos de infecção humana de alta letalidade. A maioria dos casos está associada com a exposição direta a aves infectadas ou superfícies contaminadas com excrementos dessas aves, porém foi confirmada a transmissão entre humanos. O período de incubação foi de dois a quatro dias. As manifestações clínicas variaram de infecção assintomática e doença leve do trato respiratório superior a pneumonia grave e falência múltipla de órgãos. A radiografia de tórax pode apresentar infiltrado intersticial bilateral, colapso lobar, consolidação focal e broncograma aéreo sem derrame pleural. A presença de linfopenia indica pior prognóstico. O tratamento de suporte parece ser o único tratamento aceitável. Os fatores de risco para mau prognóstico incluem idade avançada, demora na hospitalização, envolvimento do trato respiratório inferior, baixa contagem de leucócitos totais e linfopenia à admissão. Controlar os surtos em aves domésticas e o contato entre seres humanos e tais aves deve ser a prioridade no manejo da doença em nível de saúde pública, e medidas e conhecimentos acerca da doença devem ser amplamente divulgados. Descritores: Vírus da influenza A aviária/patogenicidade; Influenza; Surtos de doenças; Vetores de doenças; Ensaios clínicos Introdução Surtos recentes de infecção por um subtipo de vírus influenza A aviário, o H5N1, em criações de aves domésticas na Ásia, resultaram em importantes prejuízos econômicos e repercussões em saúde pública. Em janeiro de 2004, como já havia acontecido em 1997 e 2003, casos de infecção humana de alta letalidade por esse vírus foram detectados em várias regiões da Ásia, levando as autoridades em saúde pública a ficarem em alerta sobre a possibilidade de uma nova pandemia pela influenza.(1-2) Por outro lado, no Brasil, e em especial na região Sudeste, no período do outono e inverno, surtos de vírus sincicial respiratório levam a um aumento na veiculação de notícias na imprensa acerca de infecções respiratórias virais, que lançaram conceitos errôneos acerca da infecção pelo vírus influenza A aviária, conhecida no Brasil como gripe do frango, colocando-a até como a causa dos referidos surtos. Nesse sentido, o presente artigo propõe-se a fazer uma revisão do tema, com o objetivo de apresentar o histórico das pandemias por influenza no século XX, bem como a epidemiologia, patogenia e transmissibilidade, quadro clínico, diagnóstico e tratamento da gripe da influenza A aviária, com base em artigos publicados nos últimos dez anos. Histórico O século XX testemunhou três pandemias de influenza: a espanhola (subtipo viral H1N1), em 1918, a asiática (H2N2), em 1957, e a de Hong Kong (H3N2), em 1968. Essas epidemias causaram doença grave com altas taxas de mortalidade, em particular a espanhola que, em 1918, dizimou pelo menos 20 milhões de pessoas em todo o mundo. A seqüência de genes do vírus influenza H1N1, responsável por esta epidemia, sugere que ele tenha se originado de um reservatório aviário. Os subtipos virais responsáveis pela pandemia asiática e pela de Hong Kong compartilham duas características importantes: surgiram no sudeste asiático e são antigenicamente distintos dos vírus influenza que circulavam antes em humanos. O sudeste da China é considerado o epicentro do vírus influenza, com base nas duas epidemias prévias que lá ocorreram. A convivência estreita entre porcos, pessoas e patos, nessa região, propicia um ambiente ideal para a geração de vírus recombinantes, ou seja, uma recombinação genética entre vírus humanos e aviários. Estudos genéticos e análises bioquímicas indicam que as pandemias da Ásia e de Hong Kong foram geradas por vírus recombinantes. É importante salientar que o H5N1 isolado de humanos não é um recombinante como os de 1957 e 1968, e todos os seus genes originaram-se de vírus aviários.(1-3) Em 1996, o subtipo H7N7 foi isolado, na Inglaterra, do olho de uma paciente com conjuntivite que lidava com patos. Este subtipo era idêntico ao vírus que infectava aves, com mais de 98% de homologia entre os nucleotídeos.(1-2) Considerando-se os aspectos apresentados, percebe-se que os vírus aviários têm um papel chave na emergência de cepas pandêmicas. Embora humanos e outros mamíferos possam experimentalmente ser infectados com vírus influenza aviários, estes vírus não eram, até recentemente, transmitidos diretamente aos humanos. O reservatório dos vírus influenza A, em populações de aves aquáticas, é a origem dos vírus influenza A que infectam humanos, outros mamíferos e aves domésticas.(3) A teoria segundo a qual os vírus influenza aviários não se replicam eficientemente em humanos levou à formulação da hipótese de que seria necessário um intermediário para promover a infecção em humanos. Entretanto, as recentes epidemias do H5N1 na Ásia levaram pesquisadores a reexaminar esse conceito.(3-4) O primeiro caso de infecção humana pelo H5N1 ocorreu em maio de 1997. Nenhum outro caso foi detectado durante seis meses, mas, em novembro e dezembro desse mesmo ano, uma epidemia ocorreu e mais dezessete casos foram relatados.(3) Durante dezembro de 2003 e até fevereiro de 2004, um total de 23 casos de infecção humana por esse mesmo vírus, confirmados laboratorialmente, foram detectados no Camboja, China, Indonésia, Japão, Laos, Coréia do Sul, Tailândia e Vietnã.(4) VER NA ÍNTEGRA


Unifenas e UFMG
Autor: Cássio da Cunha Ibiapina, Gabriela Araújo Costa e Alessandra Coutinho Faria

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