A Influenza Aviária é o termo comumente utilizado para designar a infecção provocada pelo vírus da influenza A, pertencente à família Orthomyxoviridae, nas aves. A doença é caracterizada por problemas respiratórios e, dependendo da patogenicidade do agente, pode infectar outros órgãos, provocando alta mortalidade. Classificação e características de patogenicidade do vírus da Influenza aviária O vírus da influenza é classificado em três tipos distintos: A, B e C. O tipo A acomete aves (comerciais, silvestres e migratórias), cavalos, humanos, suínos, focas, gatos e baleias. Os tipos B e C acometem somente humanos e são responsáveis pelos surtos de gripe (influenza) humana. A influenza aviária apresenta diferentes tipos de patogenicidade: o vírus de baixa (Low Pathogenic Avian In- fluenza - LPAI) e alta patogenicidade (Highly Pathogenic Avian Influenza - HPAI). O vírus de baixa patogenicidade ocorre em várias regiões do mundo e causa queda na produção de ovos e problemas respiratórios leves sem mortalidade, passando geralmente desapercebido. O vírus de alta patogenicidade tem surgido em algumas regiões do mundo e em diferentes épocas causando alta mortalidade de aves comerciais, de fundo de quintal e migratórias, como os surtos que estão acontecendo até agora em diferentes países da Ásia. O subtipo H5N1, mais patogênico, tem aparecido justamente na Ásia, onde as condições de criação de aves são bastante precárias. Além disso, o vírus possui duas proteínas – a hemaglutinina e a neuraminidase- importantes para a ligação do vírus às células do hospedeiro e na liberação do vírus da célula infectada, respectivamente, existindo 16 classes de hemaglutininas e 9 tipos de neuraminidases, podendo- se fazer várias combinações e gerar as diferentes estirpes virais. O vírus replica-se, inicialmente, no epitélio nasal e da faringe e depois pelas membranas mucosas do sistema respiratório. O vírus pode se disseminar por todo o corpo do animal e causar doença sistêmica. O vírus causa, também, uma síndrome hemofagocítica, que é o fator contribuinte para a linfopenia, a disfunção hepática e falência múltipla dos órgãos. Comparação das condições de criação do Brasil em relação à Ásia – onde estão ocorrendo os surtos As condições de criação de aves são bastante precárias na Ásia. As criações concentram-se nas mãos de pequenos produtores ou de produtores de subsistência (criações familiares). Aliado a este aspecto, há a criação de aves em múltiplas idades e em múltiplas espécies, o que favorece a circulação e persistência do vírus (Ex.: patos, gansos, perus, galinhas, marrecos e outras aves silvestres com mamíferos domésticos [cães, gatos e suínos] e silvestres). O vírus da Influenza apresenta uma alta capacidade de recombinação entre eles e de mutação. No Brasil, as condições de criação são bastante diferentes, onde encontramos criações com alta tecnologia e com sistemas de manejo e biossegurança sofisticados. Em algumas regiões, encontramos instalações rústicas com manejo satisfatório, mas é muito raro encontrarmos situações como àquelas de muitos países da Ásia. Porque o vírus de Influenza aviária tem capacidade de mutação ou recombinação tão alta? O vírus de Influenza A tem como material genético um RNA de fita simples segmentado, sendo assim, o vírus possui a característica de mutação ou recombinação maior do que outros vírus RNA. Em condições normais, o vírus pode sofrer mudanças conformacionais pequenas que levam ao surgimento de epidemias anuais de influenza (ou resfriado comum), ou seja, podem, eventualmente diminuir a efetividade de certos antígenos; estas pequenas mudanças são conhecidas como “drifts” antigênicos. Ao contrário, grandes mudanças no genoma do vírus de influenza poderiam gerar novas estirpes virais, talvez mais perigosas do que as amostras de vírus iniciais, devido à perda de imunidade ou reconhecimento. Estas grandes mudanças são conhecidas como “shifts” antigênicos. Para explicar melhor o que é um shift antigênico, pode-se citar o exemplo dos suínos (que são susceptíveis à infecção por vírus de influenza tanto quanto aves e humanos). Em uma co-infecção entre o vírus da influenza humana e o aviário numa mesma célula de um suíno, o material genético de ambos seria compartilhado, dando origem a uma nova estirpe viral mais perigosa. VER NA ÍNTEGRA