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Apesar de alto nível, rebanho de ovinos e caprinos não supre demanda interna

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Apesar de alto nível, rebanho de ovinos e caprinos não supre demanda interna
11/03/10 - 13:58 

Para Enio Queijada, coordenador da carteira de projetos de ovinos e caprinos do Sebrae, enquanto o produtor não fizer a lição de casa, o Brasil vai continuar importando carne do Uruguai

São Paulo - Magra e com alto valor protéico, a carne de ovinos é cada vez mais procurada em açougues e restaurantes do país. O rebanho mundial de caprinos e ovinos é de aproximadamente 900 milhões cabeças, segundo a Embrapa. O Brasil detém 22,487 milhões cabeças, sendo 37 % de caprinos e 63 % de ovinos. Cerca de 92% do rebanho caprino e 58,44% do rebanho ovino situam-se na região Nordeste, a grande produtora nacional. Para abastecer, no entanto, o mercado interno, o Brasil precisa importar carne, principalmente do Uruguai.

Os números mostram o potencial de crescimento da cadeia da ovinocaprinocultura no país, mas muito ainda precisa ser feito, segundo o coordenador da carteira de projetos de ovinos e caprinos do Sebrae, Enio Queijada de Souza, durante abertura da 7ª Feira Internacional de Caprinos e Ovinos (Feinco), o maior evento indoor do setor na América Latina, em São Paulo.

O Brasil é um dos mais importantes países no desenvolvimento da genética dos animais, mas Souza lembra que, além da estruturação da cadeia produtiva para a orientação do mercado, o setor precisa melhorar a gestão das
unidades produtivas primárias e agroindustriais.

Segundo ele, a caprinovinocultura é uma atividade com um grande potencial para geração de ações de inclusão social, pois cada 40 animais são capazes de gerar um emprego. “O dever de casa começa pelo produtor. Enquanto ele não se convencer que é necessário manejo nutricional, escrituração zootécnica, integração da cadeia produtiva e foco no mercado, nós vamos continuar importando carne do Uruguai. O produtor precisa saber para onde vai a carne que ele produz”, afirma.

Enio Queijada afirma que uma boa matriz, se não for bem acompanhada, pode não gerar bons filhotes, que terão problemas de saúde. “Isso acontece o tempo todo. Os produtores acabam perdendo cabeças por falta de organização”.

Ele também alerta as autoridades governamentais para a questão. “É preciso que os governos estaduais valorizem o setor e implementem políticas públicas de incentivo à produção, como o Sistema de Vigilância Sanitária Unificado”.

O Sebrae atualmente trabalha com 36 projetos na carteira da ovinocaprinocultura, envolvendo cerca de 30 mil produtores. Segundo Enio Queijada, se os gargalos da cadeia produtiva forem melhorados, o Brasil no prazo de três a cinco anos terá condições de ser um grande produtor de carne da ovinocaprinocultura.

Consumo - Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos, Paulo Afonso Schwab, atualmente o Brasil possui 28 raças do animal, podendo “transformar esse material genético no maior rebanho do mundo”. O consumo de carne de ovinos é de apenas 700 gramas habitante/ano. “Se multiplicarmos por 10 precisamos ter um rebanho de 100 milhões de ovelhas”, avalia.

Para se ter uma idéia, o consumo médio mundial de carne ovina é de cerca de 2 kg per capita ano, entretanto países como Mongólia, Nova Zelândia e Islândia, segundo a FAO (2007), apresentam os maiores consumos de carne ovina, com 39 kg, 24 kg e 22 kg per capita ano, respectivamente.


Agência Sebrae de Notícias
Autor: Beth Matias

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