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Brasil pode ampliar exportações

Quebra de safra americana abre portas para o Brasil


Quebra de safra americana abre portas para o Brasil, que poderá ampliar as exportações que no ano passado foram de 8 milhões de t, podendo atingir até 11milhõs de t
O cenário atual é positivo para a safra de verão regional, especialmente devido as previsões climáticas e também pelo comportamento do mercado. Os produtores, diante dos bons resultados obtidos no ano passado, deverão formar as lavouras com bom aporte tecnológico, o que também indica tendência de altos rendimentos. Entretanto, as informações divulgadas no relatório USDA, apontam queda de produção devido ao clima, o que significa uma boa lacuna para a exportação brasileira.

Apesar do cultivo em uma área 4% superior ao ano passado, a produção de milho americano está projetada em 317,4 milhões de toneladas - uma redução de 3,2% previstos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Este impacto negativo fez as cotações do cereal aumentar no mercado internacional. “Com esta quebra, os americanos vão reduzir em 2% a fabricação de etanol e em 5,1% o consumo animal – e ainda, 10,1% as exportações. Consequentemente, abre uma oportunidade para o Brasil se inserir no mercado internacional, exportando o produto”, declara o agrônomo da Emater Regional, Cláudio Dóro. Segundo Dóro, em 2010, o Brasil exportou 8 milhões de t. Para a nova safra, as perspectivas são de 8 a 11 milhões de toneladas que podem ser destinados aos países árabes, principalmente. A projeção estimada de plantio de milho no país, entre a safra e safrinha é de 61 milhões de t e o consumo é de 52 milhões – o excedente precisa ser exportado.
 
Na região de abrangência do escritório regional da Emater, que compreende 71 municípios, deverão ser plantados 207 mil hectares – um aumento de 4,9% na área em relação à safra anterior. “Como o resultado do ano passado foi positivo, o produtor leva este fator em consideração e deverá aumentar a área cultivada. Além disso, os preços em alta também contribuíram para esta decisão”, destaca o agrônomo.

Até o momento, cerca de 75% da área que será ocupada com o cereal já foi plantada. No ano passado, a produtividade média obtida foi de 6.600 quilos por hectare. Mas há possibilidade de se obter de 13 a 15 t por há. Somado a este fator, os preços atuais deixam margem de lucro satisfatória. A comparação pode ser feita com os preços praticados há um ano, quando a saca de 60 quilos estava cotada no balcão em R$ 18,00 e hoje estão em R$ 25,00.

Soja

Com relação a soja, a oleaginosa deverá ocupar área destinada ao sorgo e feijão, sendo ampliada em 1% passando a ocupar 820 mil hectares na região. O plantio inicia depois do dia 15 de outubro, mas poderá ser um pouco adiado devido ao atraso que se deu na implantação do trigo e em seu desenvolvido, por causa das condições climáticas: excesso de chuva, geadas e pouca luminosidade.

Também para esta commoditie os preços estão favoráveis, com a saca de 60 quilos cotada em R$ 44,00, sendo que no ano passado estava em R$ 37,00 – deixando margem de lucro.

Rotação de culturas para manter a produtividade

Pequeno produtor prefere intercalar soja e milho ao invés de plantar influenciado pelo preço de marcado da oleaginosa ou do cereal

“O pequeno produtor não pode ficar atrelado apenas no mercado de preços na hora de decidir qual a espécie de grão que vai colocar no solo, da sua propriedade”. A dedução é do pequeno agricultor, Iagro Moura Hoffmann, 25 anos, que cuida dos 18 hectares de terra pertencentes à família, em Bela Vista, no município de Carazinho. Para ele, um dos pontos mais importantes, que leva em conta, no momento de tomar a decisão, é a preservação do solo em condições favoráveis de proporcionar boa produtividade. “Minha filosofia de produção passa pela rotação de culturas. O preço da soja ou do milho vem num segundo momento, pois de nada adianta valor se condenamos a qualidade da terra pela saturação da monocultura, independente de ser da oleaginosa ou do cereal”, explica sua posição. Enquanto alguns produtores anunciam aumento de área destinada ao milho ele anda na via inversa. Este ano não vai plantar o cereal, que no ano passado ocupou os 10 hectares de área agricultável da propriedade.

De acordo com o jovem, este ano faz parte do planejamento ocupar os 10 hectares com o plantio de soja. “Sei que o preço do milho é bem superior ao da oleaginosa, mas vou seguir a orientação técnica de não ocupar mais um ano o solo com milho, pois o que pode parecer lucro vai acabar em despesas para a recuperação da terra”, comenta Hoffmann. Utilizando sistema de plantio com média tecnologia aponta que colheu na última safra 120 sacas de milho por hectare. Estima que a soja, que vai plantar no final do mês de outubro, poderá render entre 40 e 50 sacas por hectare, o que considera uma boa produtividade na lavoura da família. Segundo Hoffmann, este ano deverá plantar uma variedade de soja hiper-precoce, para antecipar a cobertura verde do solo com o plantio de grãos que produzem massa para a formação de silagem.

Conforme o agricultor, no próximo ano, os 10 hectares voltarão a ser plantados com milho, que permanecerá na área por duas safras, quando a soja retornará pelo sistema de rotação de culturas. “Mantendo uma boa média de produtividade de soja ou milho, pela preservação do solo, conseguimos um lucro razoável para uma pequena propriedade”, frisa Hoffmann. Ele aponta que hoje uma das dificuldades que enfrenta é a falta de apoio tecnológico público. “Muito se fala em incentivo ao pequeno, mas quando existe a necessidade de ajuda na parte técnica a saída é buscá-la na iniciativa privada, o que muitas vezes acaba elevando o custo de produção, de quem possui áreas pequenas”, salienta. Lembra que, custeios agrícolas existem, mas que há ainda uma carência técnica.
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