Conferência debaterá a expansão da cadeia carne/grãos no cerrado
Maior parte dos produtos não é mais exportada in natura, a preços baixos
Há uma mudança em curso na cadeia produtiva de carne e grãos na região Centro-Oeste do Brasil, que inclui o cerrado. A maior parte das colheitas não é mais exportada in natura, a preços baixos. Os agricultores agregam valor aos grãos, transformando-os em ração para suínos e aves ou em produtos industrializados, que geram mais divisas ao País quando exportados. Esse será o tema central da conferência Novas fronteiras do capital no cerrado: cadeia carne/grão, que será proferida pela a geógrafa Júlia Adão Bernardes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento será realizado de 10 a 15 de julho de 2011, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO).
Segundo Júlia, em todas essas fases de suas pesquisas ela destaca o potencial e os condicionantes (obstáculos ao desenvolvimento das cadeias produtivas) do cerrado. “Na minha conferência na reunião da SBPC, vou tratar mais detalhadamente do novo movimento de expansão da fronteira de grãos e carnes no cerrado brasileiro”, adianta. “Nesse movimento, o Centro-Oeste emerge com seu imenso cenário de formação de um novo parque industrial, baseado em novas tecnologias, numa região que é fundamental para o projeto de país, assim como para a dinâmica do mercado mundial.”
No caso específico da cadeia carne/grãos, a geógrafa diz que a fronteira mais recente se encontra no trecho matogrossense da BR-163. A do biodiesel, por sua vez, está hoje em Mato Grosso, e a do etanol, em Goiás. Júlia explica que a cadeia carne/grãos se caracteriza hoje pela diversificação da produção, por meio do aproveitamento da maior parte da safra de grãos, principalmente de soja e milho, na própria região. Mas uma parcela, sem valor agregado, continua sendo exportada.
O desenvolvimento das novas cadeias produtivas significa investimentos em infraestrutura, intensificação do processo de industrialização e maior dinamismo da economia regional. De qualquer forma, também há problemas nesse novo cenário. Segundo Júlia, estamos frente a uma nova interpretação de fronteira. A adoção de novas técnicas de produção exige a ocupação de novos territórios, o que poderá causar problemas sociais e ambientais. São questões que também serão abordadas na sua conferência na reunião da SBPC.
As informações são de assessoria de imprensa.