Iapar divulga tecnologias do "Programa Leite Mais" no Show Rural
Projeto inova na oferta de tecnologias para sistemas de produção familiar
Projeto inova na oferta de tecnologias para sistemas de produção familiar
Uma experiência prática e didática para os produtores de leite. É com este objetivo que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) apresenta no Show Rural 2016 as soluções tecnológicas e os resultados obtidos pelos produtores participantes do “Programa Leite Mais”.
O “Programa Leite Mais” existe há pouco mais de cinco anos e envolve 32 municípios do noroeste paranaense. Seu objetivo é consolidar um modelo de assistência técnica capaz de tornar mais sustentável a produção leiteira da região. Atualmente, estão envolvidos 143 produtores de vinte municípios das regiões de Campo Mourão, Cianorte, Paranavaí, Toledo e Umuarama.
INÍCIO – Para entender a dimensão do sucesso alcançado é preciso voltar a 1988, quando o Iapar e a Emater implantaram na região Noroeste o projeto “Redes de Referências para a Agricultura Familiar”. Durante 10 anos, pesquisadores e extensionistas testaram e validaram práticas e tecnologias para a bovinocultura de leite diretamente nas propriedades acompanhadas. “Chamou a atenção o aumento significativo da produtividade obtida pelos produtores”, explica o pesquisador Vanderlei Bett, do Iapar.
Nos anos de 2009 e 2010 o Iapar propôs validar esses resultados junto a produtores afiliados à Cooperativa dos Produtores de Leite do Território Entre Rios (Coopeler). O novo trabalho foi implantado com recursos da Secretaria de Ciência Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e conduzido em parceria com o Instituto Emater e prefeituras municipais da região.
Os resultados anteriormente obtidos no “Projeto Redes” foram confirmados e deram a senha para a multiplicação do modelo. Sempre sob a coordenação do Iapar e da Emater, o número de produtores assistidos e as parcerias com indústrias leiteiras e prefeituras foram ampliados. A partir de 2014 o programa ganhou autonomia e passou a ser chamado de “Leite Mais” – “Mais” significa "Modelo de Assistência Técnica de Intensificação Sustentável", explica Bett.
ASSISTÊNCIA TÉCNICA – A execução técnica do programa é feita pela Cooperativa de Trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural (Coopermais), que foi criada especialmente para este fim por um grupo de profissionais de ciências agrárias.
A propriedade leiteira é visitada mensalmente por um técnico da área de produção animal ou vegetal, que orienta o produtor em questões como planejamento forrageiro de verão e inverno, conforto animal, nutrição de precisão, controle reprodutivo, sanidade, criação de bezerras, qualidade do leite, adequação ambiental, e gestão de indicadores técnicos e econômicos. O custo do atendimento é partilhado com o produtor assistido.
RESULTADOS – Os resultados desse trabalho já foram comprovados. A produção média diária, que era de 119,7 litros por dia em 2009, passou para 167,7 em 2013. A primeira parição das novilhas se dá entre 23 a 25 meses nas propriedades assistidas, enquanto nos rebanhos de outros produtores da região ocorre entre 36 a 38 meses. O programa também instituiu protocolos de ordenha higiênica e de higienização dos equipamentos, melhorando a qualidade do leite produzido.
Para Bett, esses resultados são consequência da melhoria no manejo nutricional, reprodutivo e sanitário do rebanho, que possibilita aos animais expressar o potencial genético de produção.
Recentemente, a FAO (órgão das Nações Unidas para assuntos de agricultura e alimentação) incluiu a experiência na “Plataforma de Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável”, que pode ser conferido em www.boaspraticas.org.br.
REDES DE REFERÊNCIAS – Criadas com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis para a agricultura familiar paranaense, as “Redes de Referências para a Agricultura Familiar” estão presentes em todo o Paraná, envolvendo equipes do Iapar e do Instituto Emater.
Propriedades representativas dos principais sistemas de produção familiares do Estado são acompanhadas para o levantamento de suas referências técnicas e econômicas.
Uma rede é formada por vinte propriedades familiares que organizam a produção de modo semelhante. Diferentemente do modelo convencional de pesquisa, conduzido em estações experimentais, as “Redes de Referências” privilegiam a participação do produtor na pesquisa e propostas de mudanças na propriedade. Somente quando ele dá sua aprovação essas informações passam a constituir parâmetros para orientação de outros agricultores com as mesmas características.