Preço do leite reage e eleva remuneração dos criadores de SC
É a maior escalada de recuperação dos últimos meses e sinaliza uma linha ascendente até agosto
O motivo dessa reação é a chegada da entressafra leiteira que, de abril a setembro, reduz em cerca de 30% a produção de leite no território barriga-verde. O Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite (Conseleite) projetou os valores de referência para este mês de abril com reajuste de pelo menos 5,9%: o litro do leite padrão passa a render R$ 0,6838 aos pecuaristas.
Mas quem é competente ganha mais. Os bons produtores – aqueles que têm qualidade e volume elevado – estão recebendo R$ 0,81 neste mês e devem passar a R$ 0,85 em maio, realça o presidente do Conseleite e vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc), Nelton Rogério de Souza.
No Brasil, o inverno representa uma entressafra para a produção do leite, e a natural redução da oferta faz o preço subir. Mas há outro fator contribuindo para isso: o preço do leite em pó no mercado mundial quase dobrou nos últimos meses e a entrada de leite estrangeiro no Brasil vem caindo. Por outro lado, a aproximação do inverno assinala um período de maior consumo e menor oferta.
“Essa escalada de recuperação de preços devolveu a lucratividade à atividade leiteira na hora certa, porque os custos de produção cresceram, especialmente os preços do milho e da soja, principais insumos da ração animal”, explica Nelton.
De acordo com o Conseleite, os preços finais de referência do mês de março subiram 6,8% para R$ 0,7422 (leite acima do padrão), R$ 0,6454 (leite padrão) e R$ 0,5867 (abaixo do padrão). Para abril, a projeção é, respectivamente, de R$ 0,7864, R$ 0,6838 e R$ 0,6216 valores pagos pelo produto posto na plataforma da indústria (com Funrural incluso).
Essa projeção será confirmada ou reajustada na próxima reunião mensal do Conseleite, em meados de maio, ocasião em que serão anunciados os números definitivos de abril e a projeção dos valores para maio.
O leite é uma riqueza econômica e nutricional em Santa Catarina. Sexto produtor nacional, o Estado gera 1,9 bilhão de litros/ano. Praticamente todos os 190.000 estabelecimentos agropecuários produzem leite que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 60% da produção com cerca de 50.000 estabelecimentos rurais.
As informações são da MB Comunicação Empresarial/Organizacional