01/09
CBOT
BM&F

Soja
US$ 10,85 (SET14)
R$ 0 (MAI15 )

Milho
US$ 3,57 (SET14)
R$ 23,6 (NOV14 )


Saúde Animal


Vaca emprenha duas vezes num intervalo de 21 dias e dá a luz a dois terneiros

Visitas: 3297
Comentários: 1
16/10/08 - 10:14 

Uma vaca da raça Holandesa emprenhou duas vezes num intervalo de 21 dias, através de inseminação artificial. Quando o animal entrou no período de cio, o inseminador da Secretaria Municipal de Agricultura, Paulo Jungles, foi chamado pela proprietária do animal a realizar a inseminação artifical. Feita a inseminação, depois de 21 dias, período de intervalo entre um ciclo ovulatório e outro, a vaca entrou novamente no cio. Pensando que o animal não havia emprenhado na primeira inseminação, foi realizado novamente o processo.

Terminando o período gestacional, a mãe deu à luz ao primeiro filhote, mas teve dificuldades para amamentá-lo. Então, a médica veterinária da Secretaria de Agricultura, Edilsséia dos Santos, foi chamada pela proprietária do animal para aplicar os medicamentos necessários para o leite descer. Três dias após esse procedimento, a mãe entrou novamente em trabalho de parto, nascendo prematuramente o segundo filhote.

Os dois terneiros nasceram de raças diferentes, sendo um terneiro Pardo Suíço e o outro Gir Leiteiro.

O fato não chega a ser muito raro, mas foi a primeira vez que aconteceu em Papanduva, por isto, fizemos algumas pesquisas na internet e conversamos com um veterinário em busca de uma explicação

plausível para o caso.

Não obtivemos um exclarecimento conclusivo, mas repassamos abaixo algumas informações gerais sobre o cio, gestação e parto de vacas que, esperamos, seja útil aos criadores, inseminadores e veterinários que tratam do assunto.

Para os leitores que não dispõem de muito tempo para textos longos, procuramos condensar as informações obtidas.

No momento em que o inseminador percebe a manifestação do cio, faz seu trabalho de introduzir o sêmen no útero do animal; se essa ação não for bem sucedida, o cio se repetirá depois de 21 dias, período normal entre as vacas. No caso presente, como o animal voltou a manifestar “apetite sexual”, julgou-se que a inseminação não tivesse sido bem sucedida e repetiu-se o procedimento. Passado o tempo normal de gestação, um belo bezerro veio aumentar a população da estrebaria e alegrar os proprietários da vaca heroína, entretanto, havia algo de estranho no comportamento da vaca-mãe e a veterinária foi chamada para aplicar algum medicamento que fizesse o leite descer para amamentar o bezerrinho. A surpresa veio alguns dias depois com o nascimento de outro “herdeiro” em parto prematuro e de raça diferente do seu irmão quase gêmeo.

Poderíamos creditar esse fato raro à “gestação policística”, a presença de cistos foliculares que desencadariam uma produção anormal de hormônios que, em tese, provocariam a formação de um novo feto gêmeo, mas, no caso, fruto de outra inseminação, inclusive, de raça diferente e gerado em outro ciclo gestacional.

Não queremos induzir o leitor a aceitar esta explicação, até porque não somos conhecedores da área médica ou veterinária, mas apenas sugerir um início de busca por um exclarecimento conclusivo sobre o assunto.

Queremos deixar claro, entretanto, que esse raríssimo caso ocorrido em Papanduva não tem nenhuma relaçao com os procedimentos básicos dos inseminadores e, sim, trata-se de uma anomalia da natureza, portanto, um fato que está fora do alcance dos mais experientes profissionais de inseminação artificial.

Reproduzimos, então, alguns textos formulados por pesquisadores e profissionais de veterinária para servirem de base de consulta aos interessados.

FATORES QUE CAUSAM REPETIÇÃO DE CIO

Problemas reprodutivos,estress calórico, alta produção de leite, podem provocar a repetição do cio, porém, a causa mais comum é a ocorrência de falhas no manejo.

A inseminação artificial a cada dia torna-se mais comum, sobretudo em vacas leiteiras, mas a repetição de cios também tem aumentado consideravelmente. Esse problema, na maioria das vezes, é conseqüência de falhas no manejo, que podem ser facilmente corrigidas, mas que se não forem detectadas rapidamente causam prejuízos significativos ao produtor.

A vaca ou o sêmen são os que levam a culpa normalmente, mas nem sempre trata-se de um problema reprodutivo dos animais, embora essa também possa ser a causa do insucesso em inseminações.

O erro na observação visual do cio pelo Inseminador e o mau manuseio do sêmen é a causa de 70% a 80% dos casos de insucesso na fertilização das matrizes.

Esses erros de manejo (humano) têm origem no treinamento dos Inseminadores. É justamente a parte mais importante do curso de inseminação, saber descongelar e a hora certa de colocar o sêmen no trato genital da vaca. Se o inseminador antecipar muito ou deixar passar o momento, o trabalho todo e a dose de sêmen estarão perdidos.

Pesquisas indicam que quanto mais cedo for feita a inseminação, maior a probabilidade de nascerem fêmeas. Se a vaca tiver ciclos normais, é bem provável que a repetição de cios seja a conseqüência de uma falha humana.

O tempo gasto por dia e o horário de observação são muito importantes na eficiência da detecção de estro. Com o aumento da freqüência de observação do estro, aumenta-se a eficiência da detecção. O horário em que se observa maior número de vacas em cio é o da manhã. Assim, além da necessidade de se aumentar o número de observações por dia, o momento e o tempo da observação também é importante.

Manifestações de cio são menores devido à doenças, problemas nas pernas e pés ou a outros fatores estressantes. Fatores ambientais (estresse térmico) podem influenciar o número de montas durante o período de cio, e também decrescem a duração e a intensidade do cio. Vacas alojadas em piso de concreto também mostram menor intensidade de cio do que vacas mantidas a pasto. Resumindo, são muitos os fatores que influenciam a rotina da observação de cio, o que a torna muitas vezes falha, levando à baixa taxa de detecção de cio, menor taxa de prenhez e maior intervalo entre partos.

QUANDO O PROBLEMA É DE ORIGEM REPRODUTIVA

Algumas vacas apresentam cio durante um período muito curto, o que o faz passar despercebido pelo Inseminador. O problema pode ser resultante de uma condição corporal inadequada, desequilíbrio mineral, etc..., nesse caso, o rufião é bastante útil para que não se perca a oportunidade de inseminar.

Fêmeas que não emprenham após duas ou mais inseminações já podem ser classificadas como repetidoras de cio. Entre as causas orgânicas mais freqüentes dessa disfunção estão as endometrites, infecções uterinas causadas, normalmente, por retenção de placenta.

É muito comum, o erro de tentar arrancar a placenta retida. A providência mais sensata é chamar o Veterinário, para que o profissional tome as medidas necessárias e assim evite complicações futuras. O atraso na ovulação, que se caracteriza pela ocorrência da mesma após o período considerado normal, é um problema de difícil diagnóstico, mas pode ser constatado após um exame minucioso.

A repetição de cios em espaços irregulares também pode resultar em insucesso das inseminações artificiais. A causa mais freqüente desse problema é a presença de cistos foliculares, que desencadeiam na vaca uma condição de ninfomania. O problema tem tratamento, que deve ser conduzido, preferencialmente, por um Veterinário especializado.

A ocorrência de cistos foliculares, está associada a uma alimentação rica em proteínas e (ou) com alta porcentagem de uréia.

Partos distócicos podem causar lesões na cérvix ou no útero, provocando, até mesmo, a esterilidade da vaca. Muitas vezes, ao ajudar o bezerro a nascer, a parede do órgão pode ser rasgada. A cicatrização do ferimento diminui ou até impede a dilatação do colo do útero, em casos de laceração deformante. Dependendo da gravidade da lesão, pode haver o bloqueio da passagem de espermatozóides quando em monta natural.

É aconselhável que sejam feitas pelo menos duas ou três tentativas de Inseminação Artificial com cada vaca e uma última experiência com um touro apto a fecundar. Se não forem bem-sucedidas, resta o tratamento, de acordo com cada diagnóstico, e, em caso de insucesso, o descarte do animal.

Vacas primíparas também podem apresentar o cio sem que o mesmo seja notado. Não raro, são consideradas “maninhas”, isto é, estéreis. Às vezes, são abatidas prenhes, sem que se perceba a sua condição.

CIO DE ENCABELAMENTO

É um cio falso que uma pequena porcentagem de vacas pode ocasionalmente apresentar. Ocorre por volta do 5º mês de gestação, daí o seu nome, pois o bezerro está "encabelando" no útero materno.

Neste cio normalmente não ocorre eliminação de muco, uma vez que o colo está fechado e no seu interior encontra-se o "tampão mucoso".

O inseminador menos avisado pode tentar inseminar esta fêmea, mas o trânsito do aplicador é dificultado e a sensação de "grude" durante a passagem do aplicador é sempre observada nestes casos.

O rompimento deste tampão pode levar ao aborto.

No entanto, um inseminador consciente e observador dificilmente cometerá este erro.

Além disso, o inseminador deve observar a ficha da vaca antes de inseminar e, em caso de dúvida, comunicar ao Veterinário.

C!STOS FOLICULARES: são folículos que acumularam grande quantidade de fluído, mas não ovularam. A incidência de cistos foliculares é mais freqüente em bovinos leiteiros, nos três primeiros meses de lactação, do que em bovinos de corte.

Vacas com cistos foliculares exibem manifestação sexual intensa (ninfomania) a intervalos irregulares, relaxamento dos ligamentos sacrociáticos e cauda elevada, acentuado corrimento de muco pela vulva e podem desenvolver características secundárias masculinas. Como é uma condição de caráter hereditário, os animais portadores devem ser eliminados.

Correio do Contestado


O Barriga Verde On-Line - Taió

Notícias Relacionadas

02/09/14 » RS, SC e PR criam aliança para tonar Sul principal produtor de leite do país
02/09/14 » Associação Gaúcha do Cavalo Árabe consagra seus novos campeões durante a Expointer 2014
02/09/14 » Receita das exportações de carne de frango mantém alta em agosto
02/09/14 » Estado destaca avanços na pecuária sustentável no Pampa
02/09/14 » 2ª Semana Nacional da Carne Suína tem apoio da MSD Saúde Animal

Comentários (1)

Comente esse conteúdo preenchendo o formulário abaixo e clicando em enviar






- Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento do Portal Agrolink.

22/01/2013 às 10:58h - Tenho uma vaca que já repetiu o cio quatro vezes e foi montada por três touros diferentes e não ficou prenha. O que pode estar acontecendo? (Nilson)