02/09
CBOT
BM&F

Soja
US$ 10,97 (SET14)
R$ 22,93 (MAI15)

Milho
US$ 3,53 (SET14)
R$ 23,35 (NOV14 )


Saúde Animal


Intoxicação por Deltametrina em Cão: Relato de Caso

Visitas: 39374
Comentários: 2
18/02/09 - 11:10 
INTOXICAÇÃO POR DELTAMETRINA EM CÃO: Relato de Caso

FISCH, J.;SIMÕES, C.; ZEMBRZUSKI, C.B.
Residentes em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais HV-ULBRA

Um canino, poodle, macho, 3,2kg e 8 meses de idade, havia sido banhado há 24 horas, com 3ml de deltrametrina diluído em 3 litros de água e mantido em ambiente pulverizado com o mesmo produto.

Ao exame clínico geral o paciente apresentava temperatura retal de 39,20C, hidratado, mucosas normocoradas, tempo de preenchimento capilar de 2 segundos, freqüência cardíaca de 140 batimentos por minuto, taquipnéico, sem alteração a palpação abdominal, prurido generalizado, tremores em membros posteriores, sialorréia (Figuras 1 A e B) e eritema em coxins plantares.

 
Figuras 1 A e B: Paciente no momento da consulta apresentando sialorréia.
O animal foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva onde foi banhado (Figura 2), descontaminada a cavidade oral com água fria em abundância e logo após foi enxugado com toalha. Foi canulada a veia cefálica com cateter número 24 e instituída fluidoterapia com solução fisiológica 0,9% (5ml/kg/h). O paciente foi mantido em lugar acolchoado, ventilado e tranqüilo sob observação constante e aferição periódica de seus sinais vitais.

 
 
Figura 2: Descontaminação.
Os sinais clínicos foram revertidos cerca de 4 horas após o tratamento. Permaneceu com fluidoterapia com solução fisiológica 0,9% durante o período de internação, alimentação e água a disposição. Recebeu alta médica 24 horas após o atendimento, apresentando bom estado geral e sem nenhuma sintomatologia clínica de intoxicação. Foi indicado, enquanto o animal permanecia internado, a desinfecção geral do ambiente pulverizado com o produto.
 
INTOXICAÇÃO:

Sialorréia, vômitos, ataxia, dispnéia, anorexia, hiper ou hipotermia, incoordenação motora tremores musculares, convulsões, conjuntivite, dificuldade respiratória.
Casos graves são raros.
Felinos são mais sensíveis: início de sintomas em 1 a 3 horas após contato.
Além dos sintomas citados, contraturas musculares superficiais, tremores nas extremidades das orelhas e membros.
 
TRATAMENTO GERAL:

Pele: descontaminar áreas de contato.
Olhos: descontaminação. Avaliação oftálmica.
Inalação: remover da exposição.
Ingestão: paciente com possibilidade de ingesta de risco observar 4-6 h sinais de depressão do SNC ou convulsões. Avaliar se o diluente não é um solvente derivado de petróleo (condutas específicas).

SINTOMÁTICO: Medidas sintomáticas e de manutenção. Obs: Avaliar a clínica, tempo de exposição, formas de contato, levando sempre em consideração a idade e o peso dos animais evitando, desta forma atitudes intempestivas relacionadas à intoxicação.
PRECAUÇÕES:
Individuos com hipersensibilidade a flores de crisântemo ou qualquer tipo de piretróide não devem banhar os animais sem EPI adequado;
Contra-indicado para pessoas asmáticas ou com problemas respiratórios.
Produtos não devem ser usados em ambientes com pouca ventilação;
Na exposição ocupacional, adotar medidas de segurança: equipamento de proteção individual e cuidados com equipamento de aplicação e condições ambientais.
 
BIBLIOGRAFIA:
ALLEN, D. G.; PRINGLE, J. K.; SMITH, D. A. Handbook of veterinary drugs. 2. ed. Philadelphia: Lippincott - Raven Publishers, 1998. 842 p.
ELLENHORN, M. J.; BARCELOUX, D. G. Medical Toxicology: diagnosis and treatment of human poisoning. New York: Elsevier, 1988. 1512 p.
GFELLER, R. W.; MESSONNIER, S. P. Handbook of small animal toxicology and poisonings. St. Louis: Mosby, 1998. 405 p.
LORGUE, G.; LECHENET, J.; RIVIERE, A. Clinical veterinary toxicology. Oxford: Blackwell Science, 1996. 210 p.
OSWEILER, G. D. Toxicology. EUA: Williams & Wilkins, 1996. 491 p.




Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul - CIT/RS
Autor: FISCH, J.;SIMÕES, C.; ZEMBRZUSKI, C.B.

Notícias Relacionadas

22/08/14 » Febre aftosa
25/07/14 » Análise dos avanços na erradicação da febre aftosa no âmbito do plano hemisférico
16/06/14 » Um Estudo de Autômatos Celulares com Parâmetros Fuzzy para a Dispersão da Febre Aftosa em Bovinos
16/06/14 » Contribuição ao estudo do diagnóstico de gestação em Capra hircus
19/05/14 » Development and performance of inactivated vaccines against foot and mouth disease

Comentários (2)

Comente esse conteúdo preenchendo o formulário abaixo e clicando em enviar






- Opiniões expressas nesse ambiente são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento do Portal Agrolink.

07/05/2009 às 12:00h - A deltametrina também tem apresentação para uso humano (vide os produtos contra piolhos) e veterinário (vide frascos de 5ml, encontrados em qualquer avicultura). Animais devem ser sempre bem estudados, pois sua sensibilidade não é facilmente percebida como em humanos e o uso de tais produtos deve ser mensurado na relação benefício X risco. (Heloisa)

27/02/2009 às 12:00h - Como foi possível o uso da deltametrina se esta é um inseticida - piretroide sendo indicado para matar baratas, mosca e mosquito. É de total insanidade pulverizar este produto neste animal. Parabéns a todos que trabalharam para salvar o animal. Seus procedimentos foramcorretos, caso tivesse demorado mais para o atendimento este animal teria morrido. PARABÉNS, VALEU O ESFORÇO! (fernando)