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Vacinas contra mastite

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26/06/08 - 11:35 
No Brasil e nos EUA, há vacinas comerciais contra mastite causada por Staphylococcus aureus e E. coli. As duas diferentes marcas americanas de vacina contra Staphylococcus aureus são, na verdade, o mesmo produto. Quatro marcas americanas de vacina contra os coliformes representam três diferentes produtos, apenas. A imunização efetiva contra a mastite é difícil devido a certas características do leite. O volume de leite presente na glândula dilui o número de células de defesa disponíveis para lutar contra a infecção e componentes do leite como a gordura e a caseína reduzem as habilidades bactericidas dessas células. O sucesso de uma vacina contra mastite pode variar de acordo com a situação do rebanho. Pode-se esperar que a vacina reduza a severidade e a freqüência dos casos, que previna novas infecções e que elimine novas infecções. Porém, é muito pouco provável que qualquer vacina seja capaz de conseguir tudo isso. Vacinas contra Staphylococcus aureus O senso comum concorda sobre as limitações das vacinas comerciais contra mastite por Staphylococcus aureus quanto a prevenir novas infecções. Um estudo de três lactações não provou que haveria redução no número de novas infecções por Staphylococcus aureus em um rebanho vacinado com tal produto. Esse estudo documentou um aumento na taxa de cura espontânea no grupo de vacas vacinadas. Resultados similares foram obtidos em outro estudo com 3 rebanhos comercias neozelandeses: a taxa de cura espontânea aumentou de cerca de 20% para aproximadamente 60% nos animais vacinados. Vários outros estudos relatam a habilidade das vacinas comerciais contra mastite por Staphylococcus aureus. A literatura publicada por representantes dos fabricantes sugere que o melhor uso dessas vacinas está na redução de infecções crônicas, quando comparado à prevenção de novas infecções. Pesquisadores australianos tiveram resultados diferentes em cada rebanho avaliado. Um pesquisador norueguês envolveu 108 novilhas de 16 fazendas num estudo com uma vacina que continha pseudocápsula e toxinas. Quase 20% dos animais estavam infectados com mastite por Staphylococcus aureus. A vacinação não afetou significativamente a taxa de mastite clínica nem a CCS dos animais, porém parece que reduziu o desenvolvimento de mastite clínica de animais infectados subclinicamente. Uma vacina desenvolvida na Argentina foi testada em quartos sadios de rebanhos com moderada prevalência de Staphylococcus aureus, tendo bons resultados na redução de novas infecções nessas condições, mas sem afetar significativamente a CCS. Em geral, parece estar havendo progresso no desenvolvimento de uma vacina efetiva contra Staphylococcus aureus, mas a eficácia dessas vacinas tem variado de acordo com o rebanho. O maior efeito das vacinas contra Staphylococcus aureus parece ser a redução no desenvolvimento de sintomas clínicos, e programas preventivos são necessários para realmente reduzir as taxas de novas infecções. Vacinas contra Coliformes Essas vacinas são consideradas eficazes mesmo quando a taxa de infecções intramamárias não é significativamente reduzida nos animais vacinados, porque elas reduzem significativamente os efeitos clínicos da infecção. A teoria prevalente é que as vacinas J5 melhoram a habilidade das células de defesa destruírem as bactérias. Assim, vacas vacinadas poderiam se infectar com patógenos gram-negativos à mesma taxa que animais controle, porém ter menor índice de mastite clínica. Pesquisadores também demonstraram que a vacinação com bacterinas J5 reduziram a duração das infecções intramamárias de 130 horas no grupo controle para 80 horas em animais vacinados. O uso de vacinas J5 tem sido justificado em vários modelos econômicos devido à redução nas perdas de produção, descartes e mortes. Outras vacinas Pesquisadores investigaram vacinas vivas contra Streptococcus uberis, mas concluíram que a especificidade da proteção limita a aplicabilidade de vacinas com antígenos vivos. Em um estudo, repetidas imunizações com cepas mortas de Streptococcus uberis reduziram o número de bactérias no leite de animais experimentalmente desafiados com a mesma cepa de Streptococcus uberis, mas não reduziram a CCS. Cepas de Streptococcus uberis e uma de Streptococcus agalactia foram incluídos em uma vacina experimental que não teve efeito na ocorrência de mastite causada por Streptococcus. Ou seja, não há comprovação proteção vacinal contra mastite por Streptococcus. Observações finais Preocupa-nos a comercialização de vacinas de eficácia duvidosa, composta por inúmeros antígenos de diversas cepas bacterianas simultaneamente. Algumas dessas vacinas inclusive se dizem autógenas, feitas especialmente para cada rebanho a partir dos microrganismos presentes no leite dos animais que o compõem. Na maioria dos rebanhos a estratégia de controle mais efetiva é a prevenção de novas infecções através do uso de boas práticas de manejo.

Rehagro
Autor: Thaís Passos, médica veterinária, Equipe ReHAgro

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