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Manejo racional na vacinação de bovinos de corte

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16/03/09 - 09:51 
Manejo racional na vacinação de bovinos de corte: uma avaliação preliminar da eficiência e qualidade do trabalho
 
O manejo da vacinação é uma prática necessária, fazendo parte da rotina de todas as fazendas dedicadas à produção de bovinos de corte. Todavia os procedimentos rotineiramente utilizados durante o manejo do gado nesse processo acabam promovendo e/ou potencializando interações aversivas entre nós (seres humanos) e os animais, levando ao empobrecimento do bem-estar de ambos e aumentando os riscos de acidentes de trabalho. Assim, para evitar ou minimizar certas práticas que têm impacto negativo sobre os animais é necessário que o manejo na vacinação seja realizado de forma racional.

Segundo Renato dos Santos, veterinário e consultor da Beckhauser, é comum a vacina ser aplicada sem o manejo adequado (Figura 1), sob estresse, com reflexos negativos nas respostas imunológicas dos animais, o que implica em risco de menor eficiência da vacina. Ressaltou também que a aplicação no tronco coletivo (área do curral também conhecida por brete) agrava o estresse do rebanho, uma vez que muitos animais pulam e acabam pisoteando os outros; com isto há aumento do risco de contusões nos animais, de danos às instalações do curral e de acidentes de trabalho.

Além destes riscos, há perdas econômicas provenientes de descarte de carnes, devido à ocorrência de reações ou abscessos, muitas vezes decorrentes do manejo inadequado na vacinação. Logo, a adoção do manejo racional na vacinação (Figura 2) proporciona benefícios econômicos diretos, com diminuição na perda de vacina, de danos aos equipamentos (seringas quebradas e agulhas tortas) e de riscos de acidentes de trabalho, melhorando a rotina de trabalho da fazenda, como caracterizado no estudo realizado por Chiquitelli e colaboradores (2002).


Fonte: Manual de Boas Práticas de Manejo: Vacinação

Como relatado no manual de Boas Práticas de Manejo: Vacinação (Paranhos da Costa e colaboradores, 2006), um fator primordial no manejo racional é o planejamento do processo de vacinação, que começa com a definição de quem será responsável pela organização dos trabalhos. Essa pessoa deve estruturar um calendário de vacinações, definindo quais as vacinas que serão aplicadas, a data em que serão aplicadas, quais os animais que serão vacinados, o local onde a vacinação será realizada, as pessoas que estarão envolvidas no trabalho e como o manejo será feito, atendendo aos padrões de boas práticas de manejo.

Os responsáveis pela vacinação devem se atentar na preparação das instalações, evitando, primeiramente, o manejo com o piso do curral sujo e encharcado, para diminuir riscos de escorregões e quedas. Recomenda-se que percorram o caminho por onde os animais serão conduzidos, checando se há problemas (pregos salientes, pedras soltas no chão, buracos, tábuas soltas, quinas, degraus, sombras e objetos estranhos) que podem prejudicar o andamento do manejo e causar danos aos animais.

O trabalho deve ser realizado em tronco de contenção com características que permitam acesso ao pescoço dos animais e que seja seguro para os animais e trabalhadores. Detalhes importantes nunca devem ser esquecidos como a troca de agulhas, cuja recomendação é trocar a cada recarga da seringa, deixando a agulha suja em água fervente por no mínimo quinze minutos para obter uma boa esterilização, evitando assim o surgimento de abscessos decorrentes da má esterilização.

Evite o acúmulo de atividades no período de vacinação, para que o trabalho possa ser executado com calma e eficiência. No caso de fazendas com grande número de animais é necessário definir quantos animais serão vacinados por período de trabalho. Isto é importante para definir quantos animais devem ser levados ao curral, evitando assim que eles permaneçam ali por muito tempo, além de possibilitar o planejamento de outras atividades importantes.

Um ponto muito importante no manejo racional esta na condução e manejo dos animais no curral, procurando conduzi-los de forma calma, sem correria e gritos. Dentro do curral, deve-se evitar manejar grandes lotes de animais, vinte animais é um bom número. Para a condução ao tronco de contenção, a utilização de bandeiras facilitará o serviço, evitando choques e paus.

A má aplicação da vacina implica em prejuízos para o produtor, dada a ocorrência de abscessos e reações vacinais. No Brasil a maioria das vacinas é de aplicação subcutânea ou intramuscular. Ambas devem ser realizadas na tábua do pescoço, no caso de vacina subcutânea deve-se puxar o couro do pescoço e, mantendo o conjunto seringa em posição paralela ao corpo do animal, efetuar a aplicação; no caso da vacinação intramuscular a seringa deve ficar em posição perpendicular ao corpo do animal. Para cada caso há agulhas específicas, que também deve levar em conta a categoria do animal a ser vacinado.

Segundo pesquisa realizada pelo Grupo ETCO, com o objetivo de avaliar uma nova proposta de manejo de vacinação, definida com base em observações do comportamento de bovinos (Paranhos da Costa et al. 2000) e na eficiência do trabalho, verificou-se houve redução de comportamentos indesejáveis, como pular sobre o outro animal (PO), deitar no brete (BD) e saltar na tentativa de fugir (TF) com a adoção do manejo racional, quando comparado ao manejo convencional (Figura 3).


Figura 3: Porcentagem de ocorrência de comportamentos aversivos em bovinos durante o manejo da vacinação.

Constatou-se também queda no número de doses de vacinas perdidas e na ocorrência de sangramento no local da vacinação com o uso do manejo racional. O tempo de serviço medido não foi significativamente diferente, ou seja, segundo o estudo levou-se o mesmo tempo para realizar a vacinação nos dois tipos de manejo.

O resultado não mostrou redução na freqüência de abscessos e quantidade de carne perdida entre os dois tipos de manejo, estudos complementares para buscar minimizar este problema estão em andamento. Sabe-se que as perdas são grandes e que variam de uma fazenda para outra (Figura 4), o que é sugestivo de efeito de manejo.


Figura 4: Perdas de carne (kg) devido a abscessos vacinais em diferentes fazendas

A ineficiência do manejo na vacinação pode promover altas perdas, não podendo ser ignoradas, o que torna evidente a necessidade de investimentos em treinamento de mão-de-obra adequada e na racionalização do manejo, cujo embasamento está na biologia do animal. Práticas estas que reduzem a freqüência de respostas aversivas dos animais a ação humana, trazendo muitos benefícios a ambos. Maiores detalhes podem ser obtidos no site www.grupoetco.org.br, onde está disponível o manual de boas práticas na vacinação (Paranhos da Costa, M.J.R.; Toledo, L.M. e Schmidek, A. Boas práticas de manejo: vacinação. Editora Funep: Jaboticabal. 29p. 2006).

Agradecemos em especial à Anita Schmidek, Luciandra Macedo de Toledo, autoras do manual de Boas práticas de manejo: vacinação cujo texto foi baseado.

Bibliografia consultada

Chiquitelli Neto, M.; Paranhos da Costa, M. J. R.; Páscoa, A. G. e Wolf, W. (2002). Manejo racional na vacinação de bovinos Nelore: Uma avaliação preliminar da eficiência e qualidade do trabalho. In: L.A. Josahkian (ed.) Anais do 5º Congresso das Raças Zebuínas. ABCZ: Uberaba-MG p. 361-362

PARANHOS DA COSTA, M.J.R. Comportamento de bovinos durante o manejo: interpretando os conceitos de temperamento e reatividade. Disponível em < http://www.beefpoint.com.br/?actA=7&areaID=60&secaoID=230¬iciaID=5188 > acesso em 05/02/2007.

PARANHOS DA COSTA, M. J. R. TOLEDO, L. M. SCHMIDEK, A. Boas práticas de manejo: vacinação. Editora Funep: Jaboticabal. 29p. 2006.
 
Dados dos autores:
José Rodolfo Panim Ciocca
Grupo ETCO - Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, Departamento de Zootecnia, FCAV/UNESP

Mateus J. R. Paranhos da Costa
Grupo ETCO - Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP, Jaboticabal, SP.



Beef Point
Autor: José Rodolfo Panim Ciocca; Mateus J. R. Paranhos da Costa

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02/06/2014 às 05:28h - Boa tarde, sou de SC e temos uma fazenda de gado em SP, gostaria de comprar vacina (ivomec e outras) direto do forncedor, tenho CNPJ e gasto em grande quantidade. Gostaria de contatos de fornecedores que pudesse me vender. (Dileni)

29/01/2013 às 11:42h - Estou desenvolvendo um projeto e as informações me ajudaram muito, parabéns! (Glaucilene)

15/10/2012 às 10:03h - Sou iniciante na criaçãode bovinos e essa informação foi de grande importancia. (Elder)

29/03/2012 às 01:57h - Gostei da informação, parabéns! (Edson)

23/10/2011 às 07:07h - Excelente artigo... (Greicy )

23/10/2011 às 06:55h - ...Excelente artigo, muito explicativo e detalhistas, Parabéns... (Greicy)

22/04/2011 às 09:52h - Boa noite, eu queria saber porque quando a gente vacina um animal e no longal da vacina sai sangue porque, é agulha grossa demais ou não? (Sandro Silva Gonçalves)

22/06/2010 às 12:00h - Na minha região além do manejo deixar à desejar, muitos jogam a vacina cotra aftosa no mato. (Francisco Eduardo de Oliveira)