Os agricultores zambianos produziram muitas toneladas de milho e não sabem como comercializar os excedentes
A política do Governo zambiano de subsidiar o setor agrícola na aquisição de fertilizantes permitiu ao país produzir 2,8 milhões de toneladas de milho na campanha agrícola 2009/2010, contra 1,8 milhão da campanha anterior, só que os camponeses perceberam que não tinham onde colocar os seus excedentes, e nem o Governo tem capacidade de adquiri-los e armazenar.
Os agricultores familiares praticamente não têm acesso aos mercados, e dependem da Agência de Reserva Alimentar (FRA), do Governo, para comercializarem o seu milho. A FRA compra o milho como uma estratégia nacional para a segurança alimentar no país.
Desde Maio a esta parte, a FRA recebeu dos camponeses 697 mil toneladas de milho ao preço fixo de 260 dólares americanos por tonelada. A esse preço, a FRA está a dever aos camponeses um total de 180 milhões de dólares, o que de longe ultrapassa os 20 milhões de dólares do orçamento da agência para aquisição do milho aos camponeses este ano.
O milho encontra-se armazenado em depósitos nos diferentes pontos do país, mas muitos camponeses estão ainda à espera de receber os seus pagamentos. Antes da última safra, os depósitos de reserva alimentares na Zâmbia já tinham em armazém cerca de 330 mil toneladas de milho da campanha anterior, totalizando 3,1 milhões de toneladas de milho disponíveis no país.
Philemon Kamwi, um pequeno agricultor do distrito de Shang’ombo, no oeste da Zâmbia, receia que o seu produto se vai deteriorar com a chegada da época chuvosa, neste mês de outubro. Por causa da demora dos pagamentos pela FRA, alguns agricultores decidiram entregar o seu milho a vendedores nos mercados da aldeia a preços de cerca de 100 dólares por tonelada.
Outros começaram a trocar o milho por outros bens e artigos, tais como bicicletas ou outros. Os agricultores precisam de dinheiro imediatamente, embora estejam plenamente conscientes de que a preços tão baixos eles só vão recuperar os custos de produção.
Para aliviar a pressão, alguns bancos comerciais, liderados pelo Standard Chartered da Zâmbia, concordaram este mês em emprestar 140 milhões de dólares à FRA para apoiar na compra do milho, mas o ministro zambiano da Agricultura, Peter Daka, admite que esta colheita recorde de milho colocou vários desafios, incluindo transporte, armazenamento e comercialização.