FRAC contraria Aprosoja e defende calendário da soja

POLÊMICA

FRAC contraria Aprosoja e defende calendário da soja

Associação recomendou que produção de sementes próprias seja feita em fevereiro
Por: -Leonardo Gottems
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O FRAC-Brasil (Comitê de Ação a Resistência de Fungicidas) se posicionou contrariamente à iniciativa de plantio próprio de sementes salvas fora do calendário técnico da soja. A quebra foi sugerida pelo atual presidente da Aprosoja MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), Antônio Galvan.

O dirigente mandou carta aberta aos produtores daquele estado afirmando que, pela “ausência de pesquisas que respaldem a manutenção da norma como está” recomendava aos seus associados que “não façam seus plantios para produção de sementes próprias agora em dezembro e sim a partir de 01/02/19”.

O FRAC defendeu a manutenção do calendário atual da soja no Mato Grosso justificando que “o combate à resistência e a manutenção da vida útil dos fungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) na cultura soja, somente será possível se mantidas boas práticas agronômicas que, dentre as diversas táticas, inclui o respeito às leis que estabelecem a data limite para semeadura ou calendarização de plantio”.

“Com fundamentação técnica, portanto, o FRAC se posiciona CONTRÁRIO ao cultivo extemporâneo de soja, mais especificamente após o período de calendarização no Estado do Mato Grosso”, afirmou o Comitê. Confira os motivos apresentados:

  • A calendarização de plantio é uma ferramenta que auxilia na regulação do período em que a cultura e patógeno estão disponíveis no campo. Considerando que o inoculo de ferrugem asiática da soja aumenta exponencialmente ao longo deste período e que quanto mais extenso for este período, maior será a exposição e pressão de seleção da resistência aos fungicidas (independentemente do modo de ação e do histórico de resistência do fungicida).
  • Com base no constante do programa de monitoramento realizado pelos membros do FRAC, o mesmo dispõe de dados técnico-científicos que indicam que à medida que avançamos para plantios mais tardios, maior é a adaptação e seleção da ferrugem asiática da soja aos fungicidas (populações menos sensíveis, com maior dificuldade de controle).
  • Estes dados reforçam o posicionamento do FRAC e comprovam que os plantios extemporâneos vão acelerar o problema da resistência, comprometer ainda mais a longevidade dos poucos modos de ação disponíveis e tornar o controle da ferrugem mais desafiador e mais dispendioso para o produtor.
  • No plantio extemporâneo proposto possivelmente haverá um cenário de aplicação curativa, em função da infecção antecipada (elevada quantidade de inoculo) aliada a alta probabilidade de ocorrência de condições climáticas suficientes para o desenvolvimento da ferrugem, propiciando um ambiente de alta pressão de seleção (favorável à evolução de resistência, acarretando em perdas de controle e de produtividade).

O FRAC apresentou seu posicionamento quanto a este assunto em várias ocasiões, incluído comunicados disponíveis em seu website (http://www.fracbr.org).

O controle químico através do uso de fungicidas é a principal ferramenta de manejo da ferrugem asiática da soja. Todavia, não deve ser utilizado de forma isolada, mas sim integrado a boas práticas agrícolas como a calendarização de plantio e orientações técnicas proferidas por órgãos especializados e pelo FRAC.

Estas recomendações são essenciais para se preservar a manutenção da eficácia dos fungicidas, tecnologia indispensável para o cultivo da soja no Brasil. Respeitosamente e em conjunto a maior parte da comunidade científica, o FRAC reforça sua posição contrária a alteração da instrução normativa conjunta SEDEC/INDEA – MT N 002/2015.

O FRAC-BR coloca-se à disposição para esclarecimentos necessários. Para maiores informações consultar www.frac-br.org

É a presente, portanto, a cumprir o seu objetivo, sobretudo técnico, nos termos dos objetivos e finalidades do FRAC-BR.

Atenciosamente, FRAC Brasil

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