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Planta transgênica despolui o solo


A biotecnologia pode ser uma importante ferramenta para a proteção do meio ambiente. Além das já utilizadas, em diversos países, plantas tolerantes a herbicida e resistentes a insetos, que diminuem o uso de agrotóxicos e a aragem do solo, a ciência agora desenvolve a chamada fitorremediação – a aplicação de plantas geneticamente modificadas na limpeza de solos contaminados por substâncias danosas ao ser humano, plantas e animais. O sistema, além de criar soluções antes inexistentes para certos casos de poluição, poderá ser implementado até mesmo em países em desenvolvimento, já que é de baixo custo.

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Pesquisa em Fitorremediação (Coréia), por exemplo, transferiram um gene da levedura Saccharomyces cerevisiae para o DNA da Arabidopsis thaliana, planta modelo em pesquisas genéticas e o primeiro genoma vegetal seqüenciado. O gene conferiu à Arabidopsis tolerância a metais pesados, como chumbo e cádmio. O resultado é uma planta transgênica capaz de absorver esses metais do solo. Assim, pode-se prevenir a contaminação de pessoas e crianças, um grave problema em áreas industriais. O chumbo é altamente tóxico em seres humanos, podendo afetar o sistema nervoso central, células sangüíneas e rins, e o cádmio é cancerígeno mesmo em baixas concentrações.

Outra pesquisa, desenvolvida pela Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, também modificou geneticamente a Arabidopsis thaliana, só que com dois genes da bactéria Escherichia coli. Com isso, a nova variedade da planta é capaz de absorver arsênico do solo - contaminação comum principalmente em algumas regiões indianas, onde estima-se que 250 mil pessoas consomem água com o semimetal. O arsênico é utilizado na fabricação de vidros, cristais, inseticidas e tintas, entre outros, e pode causar câncer e afetar o sistema nervoso central.

Outro metal que polui o solo tanto em áreas industriais como de garimpo é o mercúrio. Por isso, a Universidade da Georgia também desenvolve algodoeiros transgênicos para limpar solos contaminados com esta substância. As plantas já estão sendo testadas em um terreno da cidade de Danbury, no Estado norte-americano de Connecticut, de onde 60 algodoeiros irão retirar o mercúrio depositado por uma antiga fábrica de chapéus. A cidade deverá economizar cerca de US$ 500 mil – o custo de remoção e recolocação do solo.

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