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Representantes da indústria de suínos do RS afirmam que varejo obtém maior parte do lucro


Representantes das principais indústrias de suínos do Rio Grande do Sul prestaram depoimento nesta segunda-feira (18-08) na CPI das Carnes, em Porto Alegre, e confirmaram a declaração dos produtores. Segundo os empresários, as grandes redes de supermercados estão exigindo que as indústrias vendam a carne suína a um preço muito baixo, o que conseqüentemente é repassado ao produtor. “Caso uma indústria se recusa a aceitar o preço, os supermercados procuram outra que atenda suas necessidades”, declara o presidente da CPI das Carnes, deputado Jerônimo Goergen (PP/RS). Ele acrescenta que “ao produtor é pago o que a indústria e o varejo impõe, e a indústria alega que esse valor ocorre em razão da pressão exercida pelo varejo”.

Goergen ressaltou que todos os prejuízos são repassados aos produtores quando, por exemplo, o varejo realiza desconto do quilo do suíno vivo ao consumidor com a realização de publicidade que não é feita, além disso, com o preço do produto elevado nas gôndolas, os suinocultores não recebem esse ganho dos varejistas. O presidente da CPI explica que o “marketing para promover o produto, mesmo não sendo feito, ocasiona desconto de 18% ao produtor”. De acordo com ele, a visão da indústria para a política tributária é a mais alta do país, o que também prejudica a cadeia como um todo.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sips) e diretor de Relações Institucionais da Doux/Frangosul, Aristides Vogt, concorda com estas declarações. Para ele, o preço da carne cobrado nos supermercados está muito acima em comparação ao preço pago ao produtor. “As promoções no varejo são momentâneas, duram apenas uma semana e depois volta tudo ao normal”. Hoje o produtor gaúcho vem recebendo entre R$ 1,40 e R$ 1,60 pelo quilo do suíno vivo, enquanto a indústria repassa o produto a R$ 3,05. O preço no varejo, que chega ao consumidor, vem atingindo R$ 5,55. Essa prática vem possibilitando que os supermercados atinjam lucro médio de 55% com os produtos suínos.

Vogt citou que um estudo realizado pelo Sips em conjunto com a Universidade Federal do Rio Grande Sul (UFRGS) apontou que o prejuízo no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2000, aumentou 38% no setor. Esse estudo abrange os 17 principais frigoríficos gaúchos, que são responsáveis por 85% dos abates no Estado.

O representante da Frangosul apontou que uma das saídas para o setor seria disponibilizar capital de giro. As linhas de financiamento atendem somente novas instalações de fábricas, o que nesse momento é desnecessário. Outra alternativa destacada por ele é redimensionar o endividamento das empresas, isto é, alongar os débitos para períodos maiores. Ele exaltou a importância do Organização Internacional de Epizootias (OIE) ter liberado a comercialização de animais de zona livre com vacinação para área livre sem vacinação.

Na próxima sessão, marcada para segunda-feira (25-08), serão ouvidos os representantes dos setor varejista do Rio Grande do Sul. Goergen também afirmou que pretende convocar representantes do Frigorífico Chapecó, da unidade de Santa Rosa (RS), para esclarecer as denúncias de que o Grupo Macri, que adquiriu o frigorífico em meados de 2000, teria recebido recursos do BNDES e disponibilizado produtos com preços muito baixo de mercado, o que prejudicou outras indústrias que foram forçadas a reduzir o preço do produto em razão da concorrência desleal. “Muitas destas indústrias foram obrigadas a operar no vermelho para continuar no mercado”, relata. Ele pretende também questionar todas as indústrias “sobre os incentivos fiscais que receberam e onde os recursos públicos foram aplicados. Caso os representantes não forneçam esse recurso administrativamente, será solicitada a quebra de sigilo bancário já determinada na primeira sessão há 15 dias”.

Nesta quinta-feira (21-08), os membros da CPI das Carnes voltam a se reunir a partir das 9h. Esta será uma reunião interna de trabalho para encaminhar a relação dos novos depoentes e avaliar os pedidos de informações já respondidos. A previsão é de que a CPI esteja concluída até o final de novembro.

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