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Custos de produção da pecuária de corte sobem com dólar alto


A renda dos pecuaristas foi menor nos primeiros sete meses deste ano, segundo levantamento efetuado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No período de janeiro a julho deste ano, os custos de produção subiram 7% e os preços pagos aos pecuaristas caíram 2,8%. No entanto, a tendência é de reversão deste quadro no segundo semestre. No último mês, os valores da arroba do boi registraram alta 4% e os custos reduziram-se em 0,18%.

A pesquisa, feita em conjunto com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), mostra que o câmbio foi fator determinante para o aumento dos custos de produção e a safra o redutor do preço pago ao produtor. O estudo indica ainda que, em julho, devido à entrada da entressafra, houve valorização dos valores da arroba e também redução dos preços dos principais insumos.

No levantamento, não está computado o ganho por arroba, de R$ 1 a R$ 2, principalmente em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, devido à rastreabilidade do rebanho. Acredita-se que este prêmio comece a ser verificado este mês para os criadores.

Criador de bezerros

"No acumulado do ano, o pecuarista está em situação desvantajosa", diz Antenor Nogueira, presidente do Fórum Permanente de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Ele salienta que o maior prejudicado foi o criador de bezerros, pois são necessários três filhotes para equivaler ao preço do boi gordo.

No entanto, Antenor Nogueira acredita que haverá reversão desta perda porque os preços tendem a subir neste segundo semestre - podendo chegar a US$ 22 a arroba até novembro - e, com a estabilização do dólar, recuarem os custos. Ele salienta ainda que há estimativa também de recuperação dos preços em dólares, devido ao aumento do consumo mundial. Desde janeiro, a alta no mercado internacional foi de 20%.

Maior exportador

Com um preço melhor e o dólar estável, Antenor Nogueira estima que o País tende a ser o maior exportador de carnes do mundo em 2003. Nos últimos 12 meses, o Brasil comercializou com o mercado externo cerca de 1,18 milhão de toneladas (em equivalente carcaça), podendo superar a Austrália, cuja estimativa para o ano é de 1,3 milhão de toneladas.

O levantamento foi realizado em seis estados que respondem por 52,49% do rebanho nacional. De acordo com os dados, de janeiro a julho Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rondônia foram os estados em que os custos de produção mais se elevaram, entre 11% e 9%. O maior gasto com insumos, explica a alta diferenciada da média nacional. Nestas regiões, a queda do valor da arroba variou entre 3% e 5,8%, acima da média nacional.

A pesquisa indica ainda que o Estado do Pará é o que tem o menor custo de produção do País, devido à menor quantidade de insumos empregada. Esse estado é também aquele que tem registrado maior recuperação dos preços pagos. No entanto, o valor médio da arroba no Pará, de R$ 47, é inferior à media do País, de R$ 55.

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