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Preço do arroz no varejo acende alerta

Promoções fazem parte da estratégia do varejo para atrair consumidores


Promoções fazem parte da estratégia do varejo para atrair consumidores Promoções fazem parte da estratégia do varejo para atrair consumidores - Foto: coniferconifer

A queda nos preços do arroz no varejo tem ampliado o alerta sobre a pressão enfrentada pela cadeia produtiva, em um momento de margens comprimidas e dificuldades para remunerar adequadamente os custos em diferentes etapas do setor. A avaliação é de Sérgio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, ao analisar ofertas que chegam ao consumidor em patamares considerados baixos diante da realidade do mercado.

Segundo o diagnóstico apresentado, o setor vive um cenário extremamente desafiador. Em diversas regiões, as cotações ao produtor giram em torno de R$ 55 por saca de 50 quilos, valor apontado como insuficiente para cobrir de forma adequada os custos de produção. Na indústria, a situação é descrita como ainda mais preocupante, especialmente quando se observa a formação de preços do produto já beneficiado.

Um exemplo citado é a comercialização de um pacote de arroz parboilizado de 5 quilos a R$ 8,79. Esse valor equivale a aproximadamente R$ 52,74 por 30 quilos de produto acabado. Ao descontar impostos, fretes, embalagens, custos industriais, despesas comerciais, perdas e margens dos elos da cadeia, a remuneração da matéria-prima poderia ficar próxima de R$ 35 por saca de 50 quilos, abaixo dos níveis praticados no mercado do arroz em casca.

Promoções fazem parte da estratégia do varejo para atrair consumidores, mas preços nesse patamar indicam que algum elo da cadeia abriu mão de margem de maneira significativa. A leitura é que tais condições dificilmente seriam sustentáveis em uma situação normal de mercado.

A preocupação vai além de produtores ou indústrias de forma isolada. A pressão sobre os preços pode comprometer a capacidade de investimento, inovação e sustentabilidade de toda a cadeia produtiva de um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros.

Embora o arroz siga entre os produtos mais acessíveis da cesta básica, o cenário reforça a discussão sobre até que ponto a cadeia consegue absorver preços que não remuneram seus custos. 
 

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