Agronegócio

Cultivares

Cultivares
Por: -José Luis da Silva Nunes
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Cultivares

 A escolha da cultivar adequada é uma decisão que cabe ao produtor e/ou técnico, levando-se em conta que o rendimento de uma lavoura de arroz é o resultado do potencial genético da semente e das condições edafoclimáticas do local de plantio, além do manejo da lavoura. De modo geral, a cultivar é responsável por 50% do rendimento final. Consequentemente, a escolha correta da semente pode ser a razão de sucesso ou insucesso da lavoura.
Outros aspectos relacionados às características da cultivar e do sistema de produção deverão ser levados em consideração, para que a lavoura se torne mais competitiva. A escolha de cada cultivar deve atender as necessidades específicas, pois não existe uma cultivar superior que consiga atender a todas as situações. Na escolha da cultivar, o produtor deve fazer uma avaliação completa das informações geradas pela pesquisa, assistência técnica, empresas produtoras de sementes, experiências regionais e pelo comportamento em safras passadas. O produtor deverá ter em mente aspectos como adaptação da cultivar a região, produtividade e estabilidade, ciclo, tolerância a doenças e qualidade do grão. 

A melhor forma de garantir um rendimento superior é a utilização de sementes das categorias básicas, fiscalizadas e/ou certificadas e o uso de cultivares recomendadas pelas Comissões Regionais de Pesquisa, conforme descrito pelo Zoneamento agrícola da cultura para cada região do país.

 

Cultivares registradas no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC)

Com a promulgação da Lei de Proteção de Cultivares (Lei nº 9.456, de 25 de abril de 1997) e da instituição do Registro Nacional de Cultivares – RNC (Portaria nº 527, de 31 de dezembro de 1997) as instituições ou empresas detentoras das variedades de arroz ao fazerem o registro junto ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares – SNPC, vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Ministério da Agricultura e do Abastecimento, ficam responsáveis por todas as informações fornecidas sobre as características e desempenho das cultivares dentro da região recomendada. A listagem completa e atualizada das cultivares de arroz registradas no Brasil está disponível para consulta na Internet (http://extranet.agricultura.gov.br/php/proton/cultivarweb/cultivares_protegidas.php ).

Em razão da diversidade genética entre cultivares, representada por diferenças nas reações a doenças e a estresses ambientais, resposta ao nitrogênio e pela desigualdade do ciclo, é aconselhável utilizar no mínimo duas cultivares com características distintas para garantir maior estabilidade da produção e facilitar o escalonamento da colheita. 

 

Características das cultivares de arroz irrigado


Um dos fatores que mais contribuem para elevar a lucratividade via aumento da produtividade de grãos, na lavoura de arroz, é o perfeito conhecimento, por parte do produtor, das exigências e peculiaridades das principais cultivares disponíveis para o cultivo, que permita a escolha do material genético mais adequado à sua realidade de lavoura.

Diversos parâmetros podem ser considerados para classificar as diferentes cultivares de arroz irrigado, dentre os quais destacam-se:

 

1. A arquitetura de planta

Embora seja uma classificação empírica, em termos práticos existem três tipos de arquitetura de plantas de arroz nas lavouras orizícolas do Brasil, assim denominadas:

a) Tradicional (gaúcha);

b) Intermediária (americana);

c) Semi anã filipina (moderna filipina) e semi anã americana (moderna americana).

A distinção de grupos de plantas auxilia aqueles que estão envolvidos com a lavoura orizícola, pois facilita tomada de decisões quanto a práticas de manejo a serem adotadas, diagnóstico de estresses bióticos (doenças) e abióticos (frio) e até prognóstico de produtividade.

 

Tradicional

As plantas de arquitetura "tradicional", em geral, apresentam porte superior a 105 cm, baixa capacidade de perfilhamento, folhas longas e decumbentes pilosas, rústicas e, consequentemente, menos exigentes quanto às condições de cultivo, embora possam responder favoravelmente quando conduzidas dentro da melhor tecnologia recomendada. Além disto, apresentam suscetibilidade à brusone em semeaduras tardias e/ou sob alta fertilidade de nitrogênio, ciclo biológico médio ou semi-tardio, tolerância à lâmina de água de irrigação desuniforme (terreno não aplainado) em razão do porte alto e boa resistência às doenças de importância econômica secundária, como rizoctonioses.

Os grãos destas cultivares podem ser curtos, médios ou longos, de secção transversal elipsóide, de casca pilosa clara. Dado ao alto vigor possuem boa capacidade competitiva com plantas invasoras, podendo, no entanto, apresentar acamamento quando sob alta fertilidade natural ou quando recebem doses elevadas de nitrogênio. Mesmo em condições de solo frio, o vigor inicial das plantas desse grupo permite competir com as plantas por luz solar, água e nutrientes, motivo pelo qual elas são adaptadas às semeaduras do cedo, quando geralmente ocorrem baixas temperaturas de solo.

 

Intermediária

As plantas desse grupo, em geral, possuem o porte intermediário (ao redor de 100 cm), folhas curtas, estreitas, semi-eretas e lisas. Como regra, as plantas apresentam baixo vigor inicial quando em semeaduras do cedo, em função da baixa temperatura do solo.

Em razão do porte e vigor inicial, são cultivares exigentes principalmente quanto ao preparo do solo, incluindo aplainamento e controle de plantas daninhas. Têm o ciclo, em geral, variando entre precoce e médio, baixa capacidade de perfilhamento, baixa resistência às doenças de importância econômica secundária (especialmente as rizoctonioses), porém são fontes de resistência à ponta branca.

Os grãos podem ser curtos, médios ou longos, tipo patna (longo, fino e cilíndrico), de alta qualidade e aceitação no mercado internacional. Em razão da fácil debulha, são cultivares impróprias à colheita manual. Possuem suscetibilidade à brusone variável, porém a maioria é atacada sob níveis elevados de nitrogênio e deficiente manejo de água, principalmente com retardo no início da irrigação. Em função da precocidade, algumas delas toleram as semeaduras tardias.


Semi anã filipina

Inclui todas as cultivares de porte baixo (ou semi-anão), inferior a 100 cm, folhas curtas e eretas (pilosas ou lisas) e de alta capacidade de perfilhamento, o que proporciona condições de produzir mais grãos que as cultivares de outros grupos.

Essas cultivares possuem colmos fortes, tolerando níveis elevados de nitrogênio em cobertura, sem sofrerem acamamento. O ciclo biológico vai de precoce a tardio e os grãos tipo patna, de casca pilosa ou lisa. Em geral, as cultivares possuem reações variáveis às raças de brusone, predominando a reação intermediária.

Em condições de solo frio, demonstram vigor inicial mediano, indicando baixa competição com as plantas daninhas. Devido à arquitetura das plantas, respondem em produção de grãos a níveis mais altos de nitrogênio do que as cultivares dos demais grupos até aqui descritos. O porte baixo e alta degranação natural das sementes obriga ao corte mecanizado. O porte semi-anão, juntamente com o vigor inicial médio, tornam as cultivares de arquitetura "moderna filipina" altamente exigentes quanto ao preparo e aplainamento do solo (uniformidade na altura da lâmina de água) e ao controle inicial de inços.

A dormência e a debulha características das cultivares deste grupo, não permite o uso da mesma área para produção de sementes de outra cultivar, especialmente nos primeiros anos de cultivo.

 

Semi anã americana

Inclui as cultivares de porte baixo (ou semi anão moderno), inferior a 100 cm. As plantas possuem folhas de superfície lisa, cor verde-azulada, curtas, hábito ereto e baixa capacidade de perfilhamento, característica que a diferencia das plantas do tipo moderna filipina. As panículas são, geralmente, compactas com alta fertilidade de espiguetas, superando a da moderna filipina, principalmente sob condições ambientais de ampla variação térmica do ar, pois toleram mais frio na fase reprodutiva.

As plantas dessas cultivares possuem colmos fortes e robustos, por isso, toleram níveis elevados de nitrogênio em cobertura, sem acamarem, podendo ser alternativas no sistema de implantação do arroz através de sementes pré-germinadas. O ciclo biológico vai de precoce a mediano e os grãos tipo patna, de casca lisa. Em geral, as cultivares possuem reações variáveis às raças de brusone, predominando a reação intermediária.

Em condições de solo frio, demonstram vigor inicial mediano, indicando baixa competição com as plantas daninhas. Devido à arquitetura das plantas, respondem em produção de grãos a níveis altos de nitrogênio, a exemplo das cultivares do grupo moderna filipina. O porte baixo obriga ao corte mecanizado e a baixa debulha natural das sementes evita maiores perdas na faixa recomendada de colheita, entre 19 à 23% de umidade no grão. O porte semi-anão, juntamente com o vigor inicial médio, tornam as cultivares de arquitetura moderna americana altamente exigentes quanto ao preparo e aplainamento do solo (uniformidade na altura da lâmina de água) e ao controle inicial de inços.

 

2. Ciclo/grupo de maturação

Quanto ao ciclo de desenvolvimento, as cultivares de arroz irrigado do clima subtropical do Sul do Brasil, variam, no Rio Grande do Sul, entre super precoce (<100 dias), precoce ( 110-120 dias), médio (121-130 dias) e semi tardio ( >130dias). Em Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul e nos demais estados produtores, o ciclo é definido como precoce (<120 dias), médio (121-135 dias), semi-tardio (136-150 dias) e tardio (> 150 dias).

 

Cutivares de ciclo super precoce e precoce

As cultivares super-precoces têm importância nas lavouras que apresentam peculiaridades de cultivo, como por exemplo, em locais da lavoura de alta infestação de plantas de arroz vermelho e preto, cuja concorrência por nutrientes, água e luminosidade com cultivar de ciclo biológico semelhante, não permite mais lucratividade. As cultivares super-precoces são colhidas antes da maturação do arroz vermelho, propiciando redução no índice de sementes da invasora na lavoura e lucratividade ao negócio. A colheita do cedo, também, leva à obtenção de um melhor preço por entrar antes no mercado e em condições de clima quente e luminoso, proporciona uma soca (segunda colheita à custos baixos) na mesma safra.

As cultivares precoces apresentam o ciclo em torno de dez dias inferior ao das cultivares de ciclo médio. Consequentemente mostram um potencial produtivo ligeiramente inferior. Contudo, este tipo de cultivar permite ao agricultor, estabelecer, no planejamento da lavoura, o escalonamento adequado no plantio e, principalmente, na colheita, com base na sua realidade de infra-estrutura de máquinas, mão-de-obra, capacidade de secagem, transporte, entre outras. Assim como as super-precoces, estas cultivares são uma alternativa para o plantio em regiões sujeitas à ocorrência, com maior frequência, de períodos de baixas temperaturas, na fases mais críticas da cultura.

 

Cultivares de ciclo Médio
 

As cultivares de ciclo médio, uma vez bem manejadas, apresentam potencial produtivo, em lavouras comerciais, acima dos 10.000 kg ha-1. Como regra, um dos problemas mais acentuados deste grupo de cultivares, é a sensibilidade a baixas temperaturas, especialmente, quando estas coincidirem com as fases de diferenciação dos primórdios florais (emborrachamento) e floração, consideradas as mais críticas do desenvolvimento das plantas.

 

Cultivares de ciclo semi tardio e tardio

As cultivares de ciclo semi tardio compreendem aquelas que apresentam, em média, o período entre a emergência e a maturação igual ou superior a 135 dias. 

 

3. Descrição de cultivares de arroz irrigado


Epagri

Epagri 106

Cultivar de ciclo precoce (106 dias), medianamente resistente ao acamamento e à toxidez indireta de ferro. Destaca-se por ser resistente às raças de brusone atualmente prevalentes em Santa Catarina.

Epagri 107

Cultivar de ciclo médio (124 dias), resistente ao acamamento e à toxidez indireta de ferro. Apresenta resistência mediana à brusone na panícula, considerando-se
as raças atualmente prevalentes em Santa Catarina.

Epagri 108

Cultivar de ciclo longo (142 dias), resistente ao acamamento e à toxidez indireta de ferro. É medianamente resistente à brusone na panícula considerando-se as raças atualmente prevalentes em Santa Catarina.

Epagri 109

Bastante semelhante à Epagri 108, apresentando também, ciclo longo (142 dias), resistência ao acamamento e à toxidez indireta de ferro. É medianamente resistente às raças de brusone atualmente prevalentes em Santa Catarina.

SCSBRS 111

Cultivar de ciclo médio (123 dias), medianamente resistente ao acamamento, brusone e à toxidez indireta de ferro.

SCS 112

Cultivar tardia (138 dias), resistente ao acamamento. Não é aconselhável o plantio desta cultivar em áreas com histórico de ocorrência de toxidez indireta de ferro e de brusone, pois é medianamente suscetível a estes dois fatores. É mais sensível a extremos de temperatura, por isso, recomenda-se especialmente que o plantio seja feito dentro do período preferencial.

SCSBRS Tio Taka

Cultivar tardia (141 dias), resistente ao acamamento. É medianamente suscetível à toxidez indireta de ferro.

SCSBRS 114 Andosan

É uma cultivar de arroz que se destaca pela estabilidade de produção nos diversos ambientes em que foi testada, pela alta qualidade de grãos tanto beneficiados para arroz branco como para parboilizado, além da alta produtividade. Apresenta ciclo longo, 140 dias da semeadura até a maturação e é medianamente resistente a toxidez indireta por ferro e brusone.

SCS 115 CL

Cultivar de ciclo médio (130-135 dias), destinada ao sistema de produção Clearfield de controle de arroz vermelho (é resistente ao herbicida Only), de excelente desempenho agronômico, no entanto de estatura relativamente alta (110 cm), o que sugere cautela nas adubações nitrogenadas; é resistente a toxidez por ferro, e medianamente resistente à brusone; é adequada ao processo de beneficiamento direto (arroz branco) ou arroz parboilizado.

 

Embrapa e IRGA

BR-IRGA 409

Foi a primeira cultivar semi-anã do tipo moderno de planta, lançada em parceria pela EMBRAPA e IRGA no ano de 1979. Destaca-se pela excelente qualidade dos grãos e alta produtividade. As principais limitações são suscetibilidade à brusone e toxidez por ferro. É uma cultivar que possui alta abrasividade nas folhas e na casca e possui arista de tamanho variável em alguns grãos da extremidade da panícula.

BR-IRGA 410

Cultivar do tipo moderno de planta e juntamente com a BR-IRGA 409 foram as mais plantadas nas décadas de 80 e 90 no RS. Destaca-se pelo alto potencial de rendimento de grãos e boa adaptação a todas as regiões orizícolas do RS. Possui ciclo médio (cerca de cinco dias menor que a BR-IRGA 409). As principais limitações são suscetibilidade à brusone e toxidez por ferro, alto índice de centro branco e menor rendimento de grãos inteiros.

BR-IRGA 412

É uma cultivar derivada da BR-IRGA 409, da qual diferencia-se pela ausência de pilosidade nas folhas e grãos e pelo ciclo mais longo. É suscetível à brusone e a mais sensível à toxidez por ferro, o que tem limitado sua utilização.

BR-IRGA 414

Foi obtida a partir da seleção de uma planta lisa e mais precoce encontrada na linhagem P 793-B4-38-1T. É suscetível à brusone e apresenta fácil debulha dos grãos. Foi muito cultivada na Depressão Central devido à reação de tolerância à toxidez por ferro.

IRGA 416

Cultivar de ciclo precoce, com alta produtividade e excelente aspecto visual dos grãos. Por outro lado, o teor de amilose nos grãos pode variar de intermediário a baixo o que pode fazer com que os grãos fiquem pegajosos após a cocção. Esta cultivar tem demonstrado falta de estabilidade na produtividade e alta susceptibilidade à brusone.

IRGA 417

Foi a primeira cultivar do tipo moderno derivada de cruzamento de genitores das subespécies índica x japônica. Destaca-se pela precocidade, alta produtividade, ótima qualidade dos grãos, alto vigor inicial das plântulas e boa adaptabilidade a todas as regiões orizícolas do RS. Apresenta reação de suscetibilidade à toxidez por ferro e nas últimas três safras tem-se mostrado suscetível à brusone na panícula.

IRGA 418

Cultivar de ciclo precoce e estatura mais alta que a IRGA 417. Apresenta bom vigor inicial das plântulas, alto potencial produtivo e resistência à brusone. As principais limitações são falta de estabilidade na produtividade e no rendimento industrial de grãos inteiros. É uma cultivar de fácil debulha e com reação intermediária à toxidez por ferro.

IRGA 419

Cultivar de ciclo médio e com ausência de pilosidade nas folhas e grãos. Apresenta resistência à brusone e tolerância à toxidez por ferro. A debulha dos grãos é considerada fácil e nas regiões mais frias do RS apresenta-se suscetível às manchas nos grãos. Embora inicialmente tenha sido indicada para o sistema pré-germinado também pode ser utilizada para o cultivo nos sistemas de semeadura em solo seco. Não recomenda-se o uso desta cultivar no extremo sul do RS.

IRGA 420

É uma cultivar muito similar à IRGA 419, distinguindo-se pelo ciclo levemente mais curto e com maior potencial produtivo. Também pode ser usada no sistema de cultivo pré-germinado. Apresenta excelente adaptação às condições climáticas da Fronteira Oeste, mas pode ser cultivada nas demais regiões, exceto no extremo sul do RS.

IRGA 421

É derivada da cultivar IRGA 416 e destaca-se pela precocidade (ciclo completo em torno de 100 dias) e qualidade dos grãos. É suscetível à brusone e com reação intermediária à toxidez por ferro. É uma excelente opção para controle de arroz vermelho.

IRGA 422CL

Esta cultivar foi derivada da IRGA 417, através do método de retrocruzamento, diferenciando-se desta pelo ciclo mais longo, maior peso do grão e por possuir tolerância ao herbicida Only. É recomendada exclusivamente para o sistema de produção CLEARFIELD, que tem como principal objetivo o controle de arroz vermelho.

IRGA 423

Cultivar de ciclo precoce que se destaca pela excelente qualidade industrial dos grãos. Apresenta porte baixo, folhas pilosas, resistência à brusone e tolerância à toxidez por ferro. Está indicada para cultivo em todas as regiões orizícolas do Estado, porém apresenta-se mais adaptada às regiões da Depressão Central, Fronteira Oeste e Planícies Costeiras Interna e Externa.

IRGA 424

Cultivar de ciclo médio derivada de um cruzamento triplo e selecionada na Estação Regional do IRGA em Santa Vitória do Palmar, RS. Destaca-se pelo alto potencial produtivo e boa qualidade industrial e de cocção dos grãos. Apresenta porte baixo, folhas pilosas, é tolerante à toxidez por ferro e resistente à brusone. É especialmente indicada para cultivo nas regiões da Zona Sul e Campanha pela sua boa adaptação às condições de temperatura média baixa, porém mostra excelente desempenho também nas demais regiões do Estado do RS.

IAS l2-9 FORMOSA

Foi liberada para o cultivo no Rio Grande do Sul, em 1972. Pertence ao grupo de arroz japônico, apresentando tolerância às baixas temperaturas, que ocorrem principalmente na zona sul do RS, durante o período reprodutivo das plantas. Esta cultivar possui grão curto do tipo japonês, com baixo teor de amilose e baixa
temperatura de gelatinização.

BRS 6 “CHUÍ”

Tem boa capacidade produtiva de grãos, ciclo precoce e grão do tipo patna (longo, fino e cilíndrico) e liso. Apresenta moderada tolerância à toxicidade por ferro e pode ser semeada mais tarde, com possibilidade da fase reprodutiva das plantas escapar do frio.

BRS 7 “TAIM”

Destaca-se pela elevada capacidade produtiva, sendo que, em algumas lavouras na região Fronteira-oeste do RS e na Argentina, atingiu produtividades médias acima de 10.000 kg ha-1. Essa cultivar tem ciclo médio, grãos do tipo patna, de casca lisa, clara e sem aristas. BRS 7 “Taim” possui genes da cultivar TE-TEP, que lhe conferem melhor reação às raças de brusone atualmente predominantes no Rio Grande do Sul.

BRS LIGEIRINHO

Destaca-se pelo ciclo super precoce, em torno de 100 dias, da emergência à completa maturação. Apresenta grãos do tipo patna e bom rendimento industrial. Seu ciclo curto proporciona melhor otimização da área (diversificação com outras espécies na mesma safra), controle da população de arroz daninho (vermelho e preto), por ser colhida antes da maturação da invasora, redução de custos de produção e do escape da lavoura aos danos do frio em semeaduras tardias. Contudo, deve-se salientar que essa cultivar tem menor teto produtivo do que as demais do tipo moderno.

BRS AGRISUL

Tem ciclo médio e apresenta grande capacidade de emissão de perfilhos. Tem excelente qualidade de grão, com rendimento industrial ao redor de 63% de grãos inteiros quando polidos. Apresenta certa suscetibilidade a algumas raças de brusone em condições desfavoráveis. Esta cultivar apresenta excelente comportamento
em áreas com problemas de toxidez por ferro.

BRS BOJURU

Ë a primeira cultivar de arroz irrigado de grão curto, da subespécie japônica, desenvolvida pela Embrapa no Sul do Brasil. A sua liberação visa a atender o mercado formado pelos consumidores de origem oriental. Esta cultivar apresenta uma estatura média de plantas de 90 cm.

BRS ATALANTA

É uma cultivar de ciclo super precoce, apresentando plantas com folhas lisas e ciclo biológico ao redor de 100 dias. Possui grão longo e fino (agulhinha), de casca lisa-clara. É uma cultivar comparável à BRS Ligeirinho, porém apresenta potencial produtivo cerca de 20% superior e grão de melhor qualidade, bem como maior resistência à brusone e à bicheira da raiz.

BRS FIRMEZA

Tem se adaptado bem a todos os sistemas de cultivo, especialmente ao sistema Pré-germinado. Apresenta colmos vigorosos e baixo perfilhamento, necessitando uma maior densidade de semeadura que as demais cultivares. Seu ciclo biológico é semi precoce. O rendimento industrial de grãos pode superar a 65% de grãos inteiros e polidos. O baixo grau de esterilidade indica que a cultivar tem certo nível de tolerância genética ao frio, na fase reprodutiva.

BRS PELOTA

É uma cultivar de ciclo médio e destaca-se pelo seu alto potencial produtivo (acima de 12.000 kg ha-1). O grão é do tipo agulhinha de casca pilosa-clara. Essa cultivar tem rendimento industrial que pode superar a 65 % de grãos inteiros e polidos. Em algumas situações de cultivo, pode mostrar-se moderadamente sensível à toxicidade por ferro, na fase vegetativa, e a quedas de temperatura, na fase reprodutiva.

BRS QUERÊNCIA

Cultivar de ciclo precoce, ao redor de 110 dias, com variação de 106 a 115 dias, da emergência das plântulas à maturação completa dos grãos, é constituída por plantas do tipo “moderno-americano”, de folhas e grãos lisos com boa tolerância a doenças, apresenta alta capacidade de perfilhamento, colmos fortes e destaca-se pela panícula longa, variando entre 24 e 27 cm, com grande número de espiguetas férteis. Seus grãos são longo-finos, com elevado rendimento industrial, altamente translúcidos e de ótima qualidade culinária.

BRS FRONTEIRA

Cultivar de ciclo médio, em torno de 135 dias, podendo variar de 130 a 140 dias, da emergência à maturação, constituída de plantas do tipo “moderno” de folhas lisas, apresenta ampla adaptação no Rio Grande do Sul, com boa tolerância ao acamamento e às doenças. Seus grãos são longo-finos, de ótima qualidade, com baixa incidência de centro branco, e com textura solta e macia após a cocção.

 

Ricetec


AVAX

Híbrido de arroz com ciclo precoce que se destaca pelo seu alto potencial produtivo (alcançando 14.287 kg ha-1 em Dom Pedrito – RS, na safra 06/07). Possui grande capacidade de emissão de perfilhos, o que permite a utilização de baixa densidade de semeadura (45 kg ha-1). Apresenta boa tolerância à brusone, manchas foliares e estresses ambientais.

TIBA

Híbrido de arroz com ciclo médio que apresenta boa adaptabilidade a zonas temperadas, subtropicais com bons níveis de resistência a brusone e manchas foliares. Apresenta alto potencial produtivo (alcançando 13.469 kg ha-1 em Maçambará – RS, na safra 06/07). Possui alta capacidade de emissão de perfilhos o que permite a utilização da densidade de semeadura de 50 kg ha-1.

SATOR CL

Híbrido Clearfield de arroz com ciclo médio que, apresenta alta tolerância ao herbicida Only com boa adaptabilidade a zonas temperadas, subtropicais e tropicais. Apresenta alto potencial produtivo (alcançando 14.801 kg ha-1 em Jaguarão – RS, na safra 06/07). Devido ao seu alto potencial de emissão de perfilhos indicamos a densidade de semeadura de 50 kg ha-1. Possui alta tolerância à brusone e manchas foliares e estresses ambientais.

INOV

Híbrido de arroz com ciclo precoce adaptado a zonas temperadas e subtropicais, que se destaca pela sua alta produtividade (13.076 kg ha-1 em Arroio Grande – RS, na safra 06/07) aliada ao seu alto padrão de qualidade industrial. É característica deste material bom nível de resistência a brusone e manchas foliares. Em função de seu alto potencial de perfilhamento indica-se a densidade de semeadura de 50 kg ha-1.

AVAXI CL 

Híbrido Clearfield de arroz com ciclo precoce que se destaca pelo seu alto potencial produtivo (alcançando 15.676 kg ha-1 em Cachoeira do Sul – RS, na safra 06/07) com alta tolerância ao herbicida Only. Possui grande capacidade de emissão de perfilhos, o que permite a utilização de baixa densidade de semeadura (45 kg ha-1). Apresenta boa tolerância à brusone, manchas foliares e estresses ambientais.

XP710 CL

Híbrido Clearfield de arroz com ciclo precoce que, apresenta alta tolerância ao herbicida Only com boa adaptabilidade a zonas temperada e subtropical, destacando-se por seu alto potencial produtivo (14.051 kg ha-1 em Cachoeira do Sul – RS, na safra 06/07). Sua capacidade de emissão de perfilhos é alta, o que permite a utilização de semeadura de 50 kg ha-1. Possui uma boa tolerância à brusone, manchas foliares e estresses ambientais.

 

Bayer Cropscience
 

 

ARIZE 1003

Trata-se da cultivar de arroz híbrido da Bayer CropScience de ciclo médio, destacando-se pelo uso de baixa densidade de semeadura, 40 kg ha-1, com alto potencial produtivo, grão tipo longo-fino, excelente qualidade culinária e industrial, resistente ao acamamento e degrane natural.

QUALIMAX 1

É a denominação comercial da linhagem de arroz irrigado Supremo E.3, originária de seleções feitas a partir da safra 1990/91, em população de material genético muito utilizado no RS, comercialmente chamada de Colombiano, caracterizando-se por apresentar plantas de porte baixo, eretas e boa capacidade de perfilhamento, ciclo médio, com produtividades acima de 8.000 kg ha-1.

QUALIMAX 13

É a cultivar de arroz de ciclo médio, com baixa esterilidade floral, com produtividades acima dos 8.500 kg ha-1, oriunda de seleções realizadas em populações geradas a partir do cruzamento artificial entre as cultivares CICA 8 e BR-Irga 416, no ano agrícola de 1990/91.

 

Descrição de cultivares de arroz de sequeiro

Bonança

Cultivar semi precoce, de porte baixo, resistente ao acamamento lançada em 2001, apresenta ampla adaptação a sistemas de manejo e tipos de solo. Seus grãos apresentam problemas de adequação a uma referida classe por terem dimensões próximas do limite entre elas, entretanto apresentam boa aparência e boa qualidade culinária, porém inferior à Primavera. Destaca-se pela excepcional estabilidade do rendimento de grãos inteiros, mesmo em circunstâncias em que ocorrem atrasos na colheita, dentro de um certo limite.

Caiapó

Seu grão, embora não seja do tipo agulhinha, tem ótima aceitação no mercado, devido ao alto rendimento de inteiros e à boa qualidade culinária que apresenta. É recomendada para solos novos ou velhos, em níveis moderados de fertilidade, para evitar acamamento. Deve ser plantado o mais cedo possível, em plantio pouco denso, planejando-se medidas de controle de brusone, em situações de risco, principalmente nas áreas dos Cerrados e em regiões de maior altitude. Apresenta melhor produtividade em regiões onde a incidência de brusone é baixa.

Canastra

Apresenta boa produtividade nas mais diversas situações de plantio, em áreas velhas ou novas, adaptando-se a diferentes níveis de fertilidade. Em condições muito favorecidas tende a apresentar alta incidência de escaldadura e mancha de grãos. Tem boa resistência ao acamamento e pode alcançar alta produtividade. Seus grãos são da classe longo-fino, e a qualidade de panela é regular.

Carajás

De ciclo precoce, é indicada para áreas de fertilidade média ou alta, apresentando bom potencial de produção e pouco acamamento. Seus grãos são do tipo tradicional, longos e largos, o que pode levar a um preço inferior ao praticado para as cultivares de grão agulhinha nos mercados em que este padrão é o preferido.

Carisma

Cultivar semi-precoce, de porte baixo, resistente ao acamamento,de grãos da classe longo fino. Pode ser cultivada em sequeiro, sob pivô central ou em várzea úmida, sem irrigação, apresentando alto potencial de produção. Necessita medidas de controle de brusone, quando cultivada em situações de risco desta doença. Tem grão longo fino e de boa qualidade de panela.

Maravilha

Recomendada para regiões com baixo risco de veranico, ou com disponibilidade de irrigação suplementar por aspersão ou, ainda, em várzea úmida não-sistematizada. Seus grãos são do tipo agulhinha. É moderadamente resistente à brusone e à escaldadura, e moderadamente suscetível à mancha de grãos. Por ser resistente ao acamamento e responsiva à fertilidade, é recomendada para cultivo com alta tecnologia, inclusive sob pivô central. Seu crescimento inicial é lento, o que, somado à sua arquitetura de folhas eretas, torna-a pouco competitiva com plantas daninhas, exigindo, portanto, um bom controle.

Primavera

Indicada para plantio em áreas de abertura e áreas velhas, pouco ou moderadamente férteis, devido à sua tendência ao acamamento em condições de alta fertilidade. Pode também ser plantada em solos férteis, desde que os fertilizantes sejam utilizados com moderação. É uma cultivar com excelente qualidade culinária. Contudo, para que se obtenha uma boa porcentagem de grãos inteiros no beneficiamento, é necessário que a colheita seja feita com a umidade dos grãos entre 20% e 24%.

Soberana

Como a Primavera é indicada para plantio em solos pouco ou moderadamente férteis, normalmente presente em áreas de abertura, devido à sua tendência ao acamamento em condições de alta fertilidade. Pode também ser cultivada em solos férteis, utilizando menores dose de fertilizantes e espaçamentos mais largos, como 30 a 40 cm, para evitar acamamento. È ligeiramente menos resistente à seca que a Primavera e pôr isto deve ser preferida em áreas de melhor disponibilidade de chuva como o Centro Norte do Mato Grosso. Em condições experimentais tem-se mostrado menos suscetível à brusone e ao acamamento que a Primavera, mas não a nível de dispensar atenção em medidas ou práticas que reduzem os riscos de incidência destes dois fatores restritivos. Produz grãos com excelente qualidade culinária, todavia exige colheira com umidade dos grãos entre 20 a 24%, para que se tenha uma boa porcentagem de grãos inteiros no beneficiamento.

Talento

Cultivar semiprecoce, de porte baixo, perfilhadora, resistente ao acamamento, de grãos da classe longo-fino. È uma cultivar de ampla adaptação, de ótimo potencial de produção e responsiva ao uso de tecnologia. Pode ser considerada uma opção para plantio em várzeas úmidas. De grãos translúcidos e boa qualidade de panela, pode ser disponibilizada para o consumo logo após a colheita. Os resultados obtidos, possibilitaram seu lançamento para cultivo a partir de 2002/2003, nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Maranhão, Piauí e Tocantins. Tem se mostrado resistente à escaldadura e à mancha de grãos, mas em relação à brusone, a BRS Talento se comporta apenas como moderadamente resistente. Em locais de alta pressão da doença, necessita-se, portanto, adotar as medidas de controle recomendadas.

 

Uso de melhoramento genético para obtenção de cultivares de arroz

As novas cultivares de arroz são obtidas através de processos e técnicas de melhoramento que possibilitam aos melhoristas selecionarem os melhores indivíduos através do fenótipo e, mais recentemente, com a ajuda da biotecnologia (marcadores moleculares), diretamente através do genótipo, o que oferece maior segurança, pois a influência ambiental, neste caso, é insignificante.

Para tanto, são necessárias duas etapas básicas :

a) obtenção de variabilidade genética;

b) seleção dos genótipos superiores.

Para obter e explorar a variabilidade no programa de melhoramento de arroz, é necessário o conhecimento da constituição genética das populações com que trabalha e decidir quais os genitores (pais) que serão utilizados no programa de hibridações controladas.

Outra fonte muito explorada em arroz irrigado é a variabilidade natural encontrada, frequentemente, em cultivares comerciais e que pode ser atribuída à pequena taxa de segregação residual das próprias cultivares ou ao cruzamento natural existente em arroz.

A decisão de onde, como e quando deve ser iniciado o processo de seleção também depende de vários fatores. De modo geral, a seleção para características associadas ao rendimento de grãos e comportamento agronômico deve ser realizada em ambientes uniformes, que representem as características da região ou regiões, para qual a nova cultivar está sendo selecionado. Por outro lado, para avaliar características que dizem respeito à tolerância à estresses relacionados ao solo e clima ou, ainda, a agentes biológicos como pragas e doenças, os programas de melhoramento simulam efeitos sobre as plantas em seleção.

Para características qualitativas, aquelas governadas por um ou poucos genes, como ausência de pilosidade em arroz, qualidade importante para a lavoura e indústria do arroz, o ambiente tem pouca influência e a herdabilidade é alta. Nestes casos, a seleção já é realizada nas gerações mais precoces do processo de melhoramento (F2 e F3).

Para características quantitativas, como rendimento de grãos, qualidade determinada pela interação de muitos pares de genes com o meio ambiente, a seleção vai desde as primeiras gerações (F2-F3) até as mais avançadas (F5-F7).

O melhoramento genético do arroz visa principalmente a obtenção de cultivares com elevado potencial produtivo, alta qualidade industrial, comercial e culinária do grão, além de tipo de grão, ciclo biológico e altura da planta, adequados à colheita mecanizada. Também, devem ter reação de resistência às doenças (brusone), insetos, bem como tolerância ao frio, a toxicidade por ferro e a salinização do solo e da água. Em síntese, a cultivar deve ter produtividade alta e estável, com tipo e qualidade (intrínseca) de grão que atendam as necessidades e preferências do usuário do arroz.
 

 

 

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia


 


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