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Colheita

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Por: -Admin
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Colheita

A colheita é um procedimento agrícola em que o produtor deve planejar todas as fases, de forma a integrar a colheita ao sistema de produção, de forma a que o grão apresente bom padrão de qualidade. Nesse sentido as várias etapas, desde a implantação da cultura, até a colheita, o transporte e o armazenamento dos grãos têm de estar diretamente relacionadas.

A soja está pronta para ser colhida quando atinge o estádio R8, e o início da colheita nesta fase evita perdas na qualidade do produto. Diversas são as causas de perdas e o seu conhecimento é fundamental para o planejamento da lavoura e para que se evitem tais perdas. Fatores como o mau preparo do solo, que promovem desníveis no terreno e oscilações na altura de corte durante a colheita, semeadura em época não indicada, que promove baixa estatura ou acamamento nas plantas, cultivares pouco aptas à região, presença de plantas invasoras, que promove alta umidade na área por maior tempo, e retardo na colheita são fatores indiretos de promoção de perdas.

A subestimação da importância econômica e a conseqüente falta de monitoramento (avaliação com metodologia adequada) durante todos os dias da colheita, são as principais causas das perdas, uma vez que esta operação deveria ser realizada com base nesse monitoramento.

A má regulagem e operação da colhedora, na maioria das vezes, são causadas pelo pouco conhecimento do operador sobre regulagens e operação adequada da colhedora. O trabalho harmônico entre o molinete, a barra de corte, a velocidade da operação, e as ajustagens do sistema de trilha e de limpeza é fundamental para a colheita eficiente.

Com relação as diversas causas de perdas ocorridas em uma lavouras de soja, as fontes podem ser definidos da seguinte forma:

a) perdas antes da colheita - causadas por deiscência ou pelas vagens caídas ao solo antes da colheita;

b) perdas causadas pela plataforma de corte - que incluem as perdas por debulha, as por altura de inserção e as por acamamento das plantas que ocorrem na frente da plataforma de corte;

c) perdas por trilha, separação e limpeza - em forma de grãos que tenham passado através da colhedora durante a operação.

Embora as origens das perdas sejam diversas e ocorram tanto antes quanto durante a colheita, cerca de 80% a 85% delas ocorrem pela ação dos mecanismos da plataforma de corte das colhedoras (molinete, barra de corte e caracol), 12% são ocasionadas pelos mecanismos internos (trilha, separação e limpeza) e 3% são causadas por deiscência natural.

Para avaliar as perdas durante a colheita, recomenda-se a utilização do copo medidor de perdas. Este copo correlaciona volume com massa, permitindo a determinação direta de perdas em sacas.ha-1 de soja, pela simples leitura dos níveis impressos no próprio copo. As perdas serão mínimas se forem tomados alguns cuidados relativos à velocidade adequada de operação e pequenos ajustes e regulagens desses mecanismos de corte e recolhimento, além dos mecanismos de trilha, separação e limpeza.

O teor de umidade está relacionado diretamente com a resistência dos grãos ao dano mecânico, sendo a faixa de umidade de 12 a 15% a ideal para a colheita em função da cultivar utilizada. Para a maioria das cultivares de soja, a colheita pode ser iniciada com umidade de 13%.

Todavia, em regiões onde se verificam condições climáticas adversas antes do processo de colheita, uma das opções para a melhoria da qualidade da semente de soja é a colheita um pouco antecipada, ou seja, quando o teor de umidade estiver na faixa de 15 a 18%. Para tal, o produtor deve levar em consideração a necessidade e disponibilidade de secagem, o risco de deterioração, o gasto de energia na secagem e o preço do milho na época da colheita.

Uma lavoura, para que se obtenham os melhores resultados em termos de produtividade, deve ser planejada visando a funcionalidade e operacionalidade das máquinas e equipamentos envolvidos na colheita. Desta forma, as áreas devem ser divididas de forma a facilitar a movimentação da colhedora e do escoamento dos grãos colhidos. Alguns fatores estão relacionados e devem ser levados em conta, quando se espera a obtenção de uma boa colheita:

- Regulagem adequada das máquinas colhedoras;

- O teor de umidade do grão e a qualidade do grão colhido.

Com relação à qualidade do grão colhido, a pesquisa tem mostrado que os índices de danos são menores quando os grãos estão com umidade entre 12 e 15%  e quando são colhidos em rotações menores.  Além disto, a velocidade de trabalho a ser utilizada para a colhedora deve ser determinada em função dos níveis de perdas aceitáveis durante a realização da operação de colheita. Quando a colheita é realizada com teores mais elevados de umidade, aumenta-se a possibilidade de incidência de danos mecânicos latentes, enquanto que, para teores mais baixos, os grãos estão suscetíveis ao dano mecânico imediato.

A secagem natural da soja no campo traz benefícios no sentido de economizar energia na secagem artificial, mas, à medida que as plantas de soja secam, diminui a concorrência com as plantas invasoras, aumentando a incidências destas. Este fato traz inúmeros problemas para a operação de colheita mecânica, como, por exemplo, o embuchamento das colhedoras com plantas invasoras, impedindo que as máquinas tenham bom desempenho.

 

Como evitar perdas

Na grande maioria dos casos, as perdas nas operações de corte podem ser minimizadas se forem tomados os seguintes cuidados:

a) troque as navalhas quebradas, alinhe os dedos das contra-navalhas substituindo os que estão quebrados e ajuste as folgas da barra de corte;

b) opere mantendo a barra de corte o mais próximo possível do solo, quando as plataformas não apresentam controle automático de altura de corte;

c) use velocidade de trabalho entre 4 a 5 km h-1;

d) use a velocidade do molinete cerca de 25% superior à velocidade da máquina combinada;

e) a projeção do eixo do molinete deve ficar de 15 a 30 cm à frente da barra de corte e a altura do molinete deve permitir que os travessões com os pentes toquem na metade superior da planta, preferencialmente no terço superior, quando a uniformidade da lavoura assim o permitir.

As perdas na trilha podem ser eliminadas tomando-se os seguintes cuidados:

a) confira e/ou ajuste as folgas entre o cilindro trilhador e o côncavo;

b) ajuste a velocidade do cilindro trilhador, que deve ser a menor possível, evitando danos às sementes, mas permitindo a trilha satisfatória do material colhido;

c) mantenha limpa e desimpedida a grelha do côncavo;

d) mantenha limpo o bandejão, evitando o nivelamento da sua superfície pela criação de crosta formada pela umidade e por fragmentos da poeira, de palha e de sementes;

e) ajuste a abertura das peneiras;

f) ajuste a velocidade do ventilador.

 

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia 

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