Agronegócio

Fertilizantes - Conceitos Aplicados Via Foliar

Por: -Admin
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FERTILIZANTES APLICADOS VIA FOLIAR

 

 

1. INTRODUÇÃO

Adubação foliar é o processo de aplicação de nutrientes minerais na folha vegetal, através da absorção total (absorção passiva e ativa), com a utilização destes nutrientes por toda a planta, não se limitando a uma terapia local da folha, suprindo as carências nutricionais em qualquer lugar da morfologia da planta. A adubação foliar não se limita à aplicação de soluções de nutrientes apenas à folhagem das plantas, o tratamento pode se estender aos ramos novos e adultos, das estacas e dos troncos por meio das pulverizações ou pincelamentos, o que é designado de adubação caulinar.


2. QUELATOS

A quelatização é o processo que combina uma carga iônica positiva (cátion) de zinco, manganês, ferro, cobre, magnésio, ou de cálcio com outra molécula orgânica de carga negativa, chamada de “agente quelatizador”. A molécula orgânica envolve o íon metálico carregando positivamente o cátion, protegendo a nova forma quelada do cátion da agressividade química do solo ou no tanque de dissolução do fertilizante solúvel. Os nutrientes quelatizados são mais facilmente absorvidos pelas plantas do que os mesmos nutrientes em formas não quelatizadas.

Estes compostos quelatizados inibem a ação de certos cátions altamente reativos de metais, impedindo-os de formar reações químicas e formar compostos insolúveis que são indisponíveis para as plantas. Se, por um lado, os quelatos usados em fertilizantes foliares precisam ter uma ligação química, suficientemente forte para protegê-los de inesperadas reações químicas, por outro, devem permitir a liberação de forma facilitada, quando absorvidos pelas plantas. Desta forma, quelatos incorporam íons de metal numa forma solúvel e facilmente disponível às plantas, pois são altamente solúveis em água. A quelatização é considerada a forma mais fácil de fornecer nutrientes as plantas através da adubação foliar.


3. REPOSIÇÃO DE NUTRIENTES VIA FOLIAR

Algumas condições específicas no solo causadas pelo pH, excesso de umidade ou baixas temperaturas, podem tomar alguns nutrientes inatingíveis para as raízes das plantas. Algumas condições específicas no solo causadas pelo pH, excesso de umidade ou baixas temperaturas, podem tomar alguns nutrientes inatingíveis para as raízes das plantas. Em alguns estádios de desenvolvimento das plantas, a necessidade de alguns nutrientes supera a sua capacidade retirá-los do solo, mesmo que esses nutrientes existam em abundância. Esta demanda pode ser suprida pelo uso de nutrientes foliares, que podem corrigir a deficiências de micro e macro nutrientes, fortalecendo colheitas e aumentando a velocidade e a qualidade de crescimento das plantas. As aplicações de fertilizantes foliares podem ser feitas em diversos estádios de crescimento das plantas.


4. MÉTODOS DE APLICAÇÕES FOLIARES

 


Cada espécie vegetal possui características foliares diferenciadas em relação a absorção foliar. As pulverizações grosseiras que produzem gotas muito grandes, que molham em excesso a folhagem, provocam um gotejamento excessivo e o escorrimento da solução para o solo, havendo, portanto, desperdício e diminuição dos resultados esperados. O uso de bicos pulverizadores de qualidade pode prevenir a formação de gotas nas folhas que agem como uma lente para a luz do sol, podendo queimá-las. Isso ajudará também a maximizar a quantidade de gotículas que grudará nas folhas aumentando a absorção. Pulverizadores de baixo volume podem perder a eficiência. Diversas técnicas devem ser utilizadas na tentativa de maximizar a absorção foliar de nutrientes que depende basicamente do tipo de equipamento pulverizador. Deve-se tentar pulverizar tanto na superfície inferior quanto a superior da folha, quando possível, facilitando, assim, a absorção pelos dois lados da folha.

Fertilizantes foliares devem ser aplicados quando a planta não está captando água em sua máxima potência. A aplicação de micronutrientes via foliar é melhor realizada quando a planta está túrgida (sem déficit hídrico). Os momentos mais críticos para a aplicação são momentos de grande esforço da planta que são os períodos de grande crescimento ou quando a planta está saindo do seu estado vegetativo e passando para um estado reprodutivo. A maioria das aplicações foliares deve conter Nitrogênio para agir como um eletrólito carregando os íons de micronutrientes para dentro da planta. Pequenas quantidades de Fósforo são recomendadas para a circulação interna.

Para que não ocorra deriva dos produtos aplicados deve-se proceder da seguinte maneira:

- Escolher bicos de pulverização que produzam gotas maiores;

- Utilizar baixa pressão para reduzir a quantidade de pequenas gotas (menor 100 microns). Em boas condições, regule a pressão entre 40-45psi;

- Reduzir a altura da barra de pulverização evitando, com a velocidade do vento, maior deslocamento das gotas. Prefira bicos de ângulo 110º que permitem executar trabalhos com altura da barra mais baixa (menor que 50 centímetros do alvo);

- Utilizar bicos de pulverização com maior capacidade de vazão;

- Aplicar somente quando a velocidade do vento for menor que 10 Km/h;

- Não aplicar quando o ar estiver muito calmo ou haja inversão de correntes de ar (inversão térmica);

- Usar adjuvantes quando necessário, pois eles diminuem a velocidade de evaporação das gotas e aumentam o peso das mesmas, o que diminui o arrasto pelo vento.


5. PREPARO DAS SOLUÇÕES DE NUTRIENTES

As soluções a serem aplicadas nas folhas devem ser elaboradas com cuidado, porque podem provocar prejudicar às plantas. Por isso, a concentração das soluções, a mistura de composto de nutrientes na mesma solução, adição de produtos molhantes e protetores, bem como o pH das soluções, deverão estar compatibilizados para que, quimicamente, a solução seja benéfica a planta e não cause injúrias. Também deve ser levada em consideração a concentração dos compostos nutrientes, devido ao efeito nutricional. Por exemplo, há concentrações de sais que em doses altas sobre as folhas, para determinadas plantas pode não prejudicar, mas pode levar à morte outras mais sensíveis devido a toxidade, a queima, etc.

a) AGENTES PROTETORES

O uso de agentes protetores é utilizada visando reduzir prejuízos que os nutrientes podem vir a causar as folhas. É o caso de açúcares e sais de magnésio por exemplo. Soluções a base de uréia tendem a apresentar velocidade de absorção reduzida quando em presença de protetores, bem como danos provocados às folhas por soluções contendo zinco podem ser evitados com a adição a solução de cal sodada.

Cabe salientar que, para a utilização de agentes protetores, é necessário que seu efeito seja comprovado previamente, evitando os efeitos tóxicos que impeçam a absorção dos nutrientes.


b) UMECTANTES E MOLHANTES

Os agentes umectantes são utilizados visando impedir a evaporação da solução aplicada e a manutenção dos nutrientes em contato com a superfície foliar por um período de tempo maior (Figura 1).

 


Figura 1 - Efeito protetor do umectante em solução nutritiva aplicada em citros.
 

Por outro lado, os agentes molhantes (ou espalhantes, adesivos ou surfactantes) são detergentes adicionados a solução de nutrientes visando a quebra/diminuição da tensão superficial entre as gotas e as folhas (Figura 2), permitindo o espalhamento da solução e o umedecimento da superfície foliar.

 


Figura 2 - Formação da gota sobre a folha em função da tensão superficial.
 
 

c) pH DA SOLUÇÃO

Vários são os efeitos do pH na solução sobre a absorção foliar de nutrientes. Por exemplo, a uréia absorve melhor em pH 5 e 8 e absorve menos em pH 6 e 9, enquanto soluções fosfatadas apresentam máxima absorção em pH 2 e 3 até 3,5.

6. FATORES QUE AFETAM A ADUBAÇÃO FOLIAR

A absorção foliar e a translocação do nutriente para outras partes da planta podem ser influenciada positiva ou negativamente por uma série de fatores, alguns externos, ligados ao meio, e outros internos, ligados à própria planta, que afetam a eficiência da adubação foliar. Estes podem ser agrupados em:

6.1. FATORES INTERNOS

a) 
PERMEABILIDADE DA CUTÍCULA


A espessura da cutícula, quantidade de cera, capacidade de umedecimento, número de estômatos e presença de pilosidade são fatores ligados a diferenças na absorção entre as espécies vegetais. A página inferior da folha, devido à presença de cutícula mais fina e predominância dos estômatos, de maneira geral, apresenta maior absorção da solução aplicada. Por isso, a distribuição uniforme da solução, atingindo também a face abaxial das folhas, é recomendada na prática da adubação foliar. O grau de hidratação da folha tem grande importância para absorção de nutrientes, pois as cutículas bem hidratadas são mais permeáveis à solução. As cutículas desidratadas das folhas murchas são bastante impermeáveis.

b) IDADE DA FOLHA

A absorção de nutrientes da solução é maior nas folhas novas do que nas velhas. Nestas, parece que o aumento da espessura da cutícula aumenta mais a resistência à penetração da solução. Além disso, as folhas mais novas apresentam maior atividade metabólica, consumindo mais rapidamente os nutrientes nos processos de síntese, reduzindo assim o seu estado iônico interno. Por outro lado, substâncias lipoidais podem ser absorvidas mais facilmente por folhas velhas, em função da maior quantidade de ceras e cutina em sua cutina.

c) ESTADO IÔNICO INTERNO

A capacidade de absorção foliar pode ser limitada pela quantidade interna do nutriente , ou seja, do estado nutricional da planta. Plantas deficientes em um elemento o absorvem mais rapidamente do que plantas sem deficiência nutricional.

6.2. FATORES EXTERNOS

Os principais fatores externos que influenciam a absorção foliar de nutrientes minerais são:

- Luz: quanto maior a intensidade da luz, maior será a absorção dos nutrientes, assim como a translocação para outras áreas da planta.

- Água: a absorção foliar se dá conforme a disponibilidade de água. A absorção diminui, quando a planta começa a murcha. Por isso, as aspersões foliares não devem ser feitas quando a planta está no período de murchamento, isto é, horas mais quentes do dia.

- Temperatura: em geral as temperaturas altas ajudam a absorver melhor os nutrientes, ao mesmo tempo que promove a evaporação da solução na superfície das folhas, proporcionando a concentração dos sais nutrientes nesta região. Quando a temperatura se eleva demais e baixa a umidade do ar, a elevada acumulação foliar dos nutrientes aplicados pode chegar a níveis tóxicos e prejudicar a planta.

- Umidade atmosférica: a absorção foliar dos nutrientes é beneficiada quando a umidade relativa do ar se eleva. Isto ocorre porque mantém a cutícula hidratada, evita a evaporação da solução além de manter os nutrientes aspergidos sobre a folha, por mais tempo. 


 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia


 
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