"A estratégia do Brasil na OMC é equivocada"
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Agronegócio

"A estratégia do Brasil na OMC é equivocada"

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O governo brasileiro deveria reforçar o "lobby" com associações de empresários, ONGs, universidades e institutos de pesquisa da Europa e Estados Unidos em seu esforço para derrubar os subsídios agrícolas europeus e norte-americanos, no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC). "Muitos empresários europeus já se convenceram que o livre comércio será vantajoso para eles, e que a redução dos subsídios à agricultura não será tão dolorosa quanto se diz", diz Jean-Pierre Lehmann, professor do Institute for Management Development (IMD), escola de formação de executivos de Lausanne, da Suíça.

Para ele, o fim dos subsídios na Europa não terá o impacto anunciado pelos ruralistas porque os trabalhadores no campo representam apenas 3% da força de trabalho no continente e 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). "O Brasil vem perdendo tempo tentando convencer os governos de cada país da União Européia, quando na realidade deveria tentar convencer a sociedade", afirma. "Entre os europeus, há uma percepção da piora dos serviços públicos. Por que os membros do G-20 - grupo de países liderado pelo Brasil que luta pelo fim dos subsídios - não exploram o fato de que a UE dá dinheiro aos agricultores em detrimento dos serviços de saúde, por exemplo?", diz o professor.

União do G-20

Outro pré-requisito para o sucesso das negociações, na opinião de Lehmann, é a coesão do G-20. "Os Estados Unidos, principalmente, estão fazendo de tudo para esvaziar o grupo. Este é o momento em que o G-20 deve fazer de tudo para ser reconhecido como uma organização de nível", afirma o professor, para quem esse papel de liderança deve ser assumido pelo Brasil.

Assumir a liderança significa chamar para si a responsabilidade. "Antes de exigir o fim dos subsídios, o Brasil deveria sinalizar uma abertura maior de mercados importantes para ele, como o de compras públicas", diz Lehmann. Por lei, o governo brasileiro só compra de empresas nacionais. Caso o mercado se abra, empresas estrangeiras poderão participar de licitações para o fornecimento da merenda escolar ou a compra de material de escritório.


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