"Agricultor: um prestador de serviços" é tema do Seminário Cooplantio

Agronegócio

"Agricultor: um prestador de serviços" é tema do Seminário Cooplantio

Perspectivas para produtores foram debatidas
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Perspectivas para os agricultores, mudanças no maquinário e mecanização agrícola foram os temas do segundo dia do evento que acontece em Gramado/RS
 
 
“A mecanização vai transformar o agricultor em um prestador de serviços”. A afirmação do agrônomo e professor da UFSM, José Fernando Schlosser, destaca o tema central do segundo dia do 26ª Seminário Cooplantio em Gramado. O palestrante abordou as novas tecnologias em máquinas agrícolas e novas perspectivas. A preocupação com o meio ambiente, no controle da emissão de poluentes foi um dos principais temas. Schlosser chamou atenção para a necessidade das indústrias produtoras de máquinas agrícolas adaptarem seus produtos à realidade brasileira, mantendo a qualidade, mas reduzindo custos do equipamento e tendo atenção especial ao controle da emissão de poluentes, algo que ele acredita que estará sendo modificado até 2020. "Acredito que algumas inovações colocadas ainda não foram valorizadas economicamente e usualmente e acabam sendo usadas somente como ferramenta de marketing no Brasil”. Com estas modificações tecnológicas, principalmente no que se refere à mecanização da propriedade, que pode ocorrer a curto ou longo prazo, Schlosser acredita no surgimento de um novo tipo de agricultor - mais empresarial, gerente da operação do que propriamente agricultor, tratorista. "A tecnologia torna o agricultor mais preparado para receber a grande quantidade de informação que chega a ele. Ele continua tomando decisões, mas não sozinho. Ele se torna ciente da necessidade de mecanização e assistência técnica de sua propriedade para obter melhores rendimentos".

Mudanças
Entre as principais modificações no cenário do maquinário brasileiro, Schlosser destacou que ocorreram mudanças no perfil da máquina, massificação de motores turbo comprimidos a partir de quatro cilindros e outros componentes. “Na década de 80 o motor tinha muito metal e hoje são materiais leves, que deixaram os tratores com menor peso, redução que tem impacto sobre à potência. Algumas mudanças tornaram a máquina favorável ao uso, já outras têm necessidade de tecnologia apropriada, porque nem tudo o que é colocado numa máquina é importante para o perfil brasileiro", afirmou. Ele conta que muitas empresas fabricaram versões econômicas com menos itens de tecnologias com especificações semelhantes, mas com menor preço, o que se torna atrativo aos produtores brasileiros.

Pesquisa
José Fernando mostrou uma pesquisa de estratégias prioritárias feitas em 160 empresas européias. “A principal medida estratégica é a redução de custo, seguida pelo aumento da qualidade e depois a introdução de novas tecnologias”.

Modernizando a frota
O palestrante afirmou que atualmente se vê a necessidade de mais tecnologias no maquinário agrícola, como freios ABS nos tratores colheitadeiras, controle com piloto automático, pneus radiais de baixa pressão, seguido de fatores que geram menos impacto ao meio ambiente como o controle da emissão de poluentes e a questão do controle de produtos químicos incorporados à água.

Manejo e conservação
Durante o segundo dia de painéis, o pós-doutor em Manejo e Conservação de Pastagens pelo INCRA, Aníbal de Moares destacou a Integração Lavoura-Pecuária, como um sistema sustentável, sendo esta a salvação da lavoura e a redenção da pecuária no Brasil. Já o mestre em Microbiologia Agrícola, doutor em agronomia, José Carlos Polidoro, palestrou sobre a visão estratégica de fertilizantes no Brasil e no Sul do país. Ele enfatizou que através de boas práticas agrícolas, o Brasil pode obter maiores rendimentos. “A produção de suínos e aves concentradas no Sul do país, que gera quantidade de NPK, poderia suprir de 15% a 20% da demanda mundial. O dejeto desses animais podem passar por processos como compostagem e cama de frango, matéria industrializada em fórmulas iguais as recomendadas, pois existem fábricas eficientes em processo industrial. Só com o uso de nutrientes adequado, para que o produtor não tenha o fertilizante como um risco, mas um aliado na adubação do solo para a produção agrícola”.

O produtor como agente de mudanças no uso das biotecnologias foi assunto apresentado pelo agrônomo, diretor de marketing da Monsanto, André Franco, e Luis Federizzi, doutor em genética e melhoramento de plantas. André apontou que a mensagem trazida aos produtores, é que se faz necessária a adaptação às mudanças e que os próprios fornecedores também se adaptam a estas modificações.


PLANTAS DANINHAS
Uso demasiado leva à resistência
Desde a década de 60, com o surgimento das principais plantas daninhas que prejudicavam as lavouras como papua e milhã, foram lançados herbicidas pós emergentes que proporcionaram o controle das plantas daninhas no final da década de 90. Porém, cerca de quatro anos depois, o uso demasiado causou a resistência ou tolerância. Em seguida, o surgimento do glifosato, sendo inibidor das plantas daninhas foi considerado uma grande revolução no campo, entretanto, a repetição do mesmo erro do agricultor, em repetir frequentemente seu uso e de forma exagerada, traz o cenário de resistência, em especial a buva. “Tivemos situações favoráveis de controle, mas não soubemos manuseá-lo, o que era para ser um beneficio acabou se tornando um problema”, explica o agrônomo, mestre Fitotecnia e doutor em Ecologia pela Universidade da Califórnia, Aldo Merotto Junior.

A necessidade atual para o controle é a conjunção do glifosato com outros produtos. Não importa sistema de controle transgênico, capina ou herbicidas. “O que temos é necessidade de juntar essas ferramentas para manejar de forma eficiente. Não usar apenas uma ferramenta como se fosse salvadora”, destaca Merotto.

As plantas daninhas estão mudando como sempre estiveram e devem continuar e ainda, estão resistentes a herbicidas. Plantas daninhas tolerantes na soja, implicações da soja RR e do glifosato, com suas inúmeras vantagens, mas temos ocorrência de limitações, entre elas, limitado efeito em algumas culturas de folha larga. Conforme pesquisa da frequência de plantas daninhas nas safras de 94-95 e 2005-06, crescimento de papuã. E aumento da frequência de buva, poaia e trapoeraba.

Além destas, ocorreu o surgimento de outras plantas resistentes, como erva quente, erva de touro, e outras. As causas do aumento da frequência e resistência de espécies além da buva, é que a as demais plantas não tinham problemas, porque usava-se ouros herbicidas. Mas na medida da repetição do uso do glifosato com doses que não controlam estas espécies, e seu uso isolado e principalmente com problemas de dessecação e pousio, surgiram corda de viola poaia e trapoeraba.

Para o painelista, as próximas plantas que devem se tornar problemas ao agricultor é o milho RR ou soja RR guaxos, na medida em que são repetidas as semeaduras dessas culturas e da aplicação dos mesmos herbicidas. Situação hoje preocupante nos EUA são as opções de controle de milho guaxo RR.

Entre as necessidades apontadas para minimizar o problema atual está a rotação cultura e o controle adequado no inverno das áreas de pousio. Também é importante o preparo do solo ou dessecação, uso de sequencia de herbicidas em pós emergência, tendo atenção na pós colheita. “Controlar mato não é tarefa a ser realizada somente nas culturas da soja ou arroz. Temos que pensar antes, durante e depois. É preciso saber o que está acontecendo nestas situações e não esperar que o mato nos mostre o que não queremos”, destaca.

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