"Falta política comum para transgênicos"
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Agronegócio

"Falta política comum para transgênicos"

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O Brasil será o grande prejudicado se não introduzir o cultivo de transgênicos, segundo especialistas da América Latina. Na avaliação dos técnicos, o Mercosul precisa ter uma política única para os organismos geneticamente modificados (OGMs). Representantes da Argentina, Cuba e Venezuela consideram que o Brasil está barrando seu desenvolvimento científico ao não liberar os transgênicos. Também acreditam que a rotulagem dos produtos que contenham OGMs é exagerada. O grupo esteve reunido esta semana em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), na próxima década o mundo vai necessitar de mais 300 milhões de toneladas de alimentos. E, de acordo com estas projeções, Argentina e Brasil vão ser os principais países a abastecer o comércio internacional de commodities. Por isso, segundo Pablo Adreani, diretor da Agripac Consultores, da Argentina, o Brasil deveria ter visão estratégica como bloco, na medida em que cada vez mais as negociações internacionais se dão no âmbito do agrupamento de países, e seguir a posição argentina, liberando os transgênicos.

"Se o Brasil quer captar esta demanda mundial deveria adotar a biotecnologia. O Brasil tem que tomar consciência de que somos (os dois países) o maior produtor de soja do mundo." Adreani acredita que, em vista disso, o Mercosul precisa ter uma comissão de biotecnologia e criar política conjunta para o setor.

Exportações em alta

Segundo ele, apesar dos transgênicos, as exportações agrícolas argentinas cresceram de 27 milhões de toneladas para 57 milhões de toneladas nos últimos cinco anos, e a Europa, que afirmava não adquirir tais produtos, aumentou de 4 milhões de toneladas de farelo importadas para 10 milhões de toneladas no ano passado.

"É imperativo o Brasil tomar uma decisão a respeito dos transgênicos, pois está perdendo tempo de investigação, que vai afetar seu potencial científico", afirma Ricardo Lleonart, diretor do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de Cuba. Segundo ele, a transgenia não é só uma questão de avanço científico, mas uma necessidade econômica para o ganho de produtividade, citando como exemplo o aumento da produção para abastecer o programa Fome Zero. Cuba já realiza pesquisas com OGMs há 10 anos e pretende iniciar o cultivo comercial em 2004, com cana-de-açúcar e milho, resistentes a insetos.

Cuba e Argentina não rotulam produtos transgênicos e a Venezuela ainda estuda a classificação destes produtos. Por isso, os representantes consideram exagerada a exigência brasileira em certificar o produto com mais de 1% de transgenia. "Isto aumenta os custos dos produtos." Para Catalina Ramos, consultora em biotecnologia na Venezuela, o consumidor que quiser 100% livre de OGM terá que pagar por isso.

Para Leila Oda, presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), se o Brasil fechar os olhos para esta tecnologia vai perder mercados importantes e não resolver problema ambientais graves. Na avaliação dela, o governo está certo ao editar a Medida Provisória 113, que regulamenta a comercialização da safra cultivada ilegalmente no País. No entanto, ela considera que é preciso avançar mais na legislação, dando aos produtores o direito de escolha do melhor tipo de cultivo.


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