GREENPEACE

“Produção agroecológica é capaz de alimentar todo o planeta”

Afirma Marina Lacôrte, especialista em Agricultura e Alimentação do Greenpeace
Por: -Leonardo Gottems
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O Portal Agrolink entrevistou com exclusividade a Marina Lacôrte, especialista em Agricultura e Alimentação do Greenpeace. Na reportagem de hoje desta série a especialista explica qual seria a alternativa apontada pela ONG (Organização Não-Governamental) para substituir o uso de agroquímicos e manter níveis de produção atual.

“Existem medidas de curto prazo que nos trarão mudanças a longo prazo, como a aprovação da Política Nacional de Redução dos Agrotóxicos (PL 6670/2016), que já está no Congresso e prevê a redução gradual do uso dessas substâncias. O Greenpeace defende urgentemente a revisão deste modelo de produção e a aprovação desta política permitiria o início dessa transição”, aponta ela. 

De acordo com Marina, é seguro afirmar que, com uma “distribuição responsável (acesso) e com uma transição adequada – que leve em consideração outros fatores importantes como modelos de distribuição, comercialização e especialmente consumo em diversos níveis – a produção agroecológica é capaz de alimentar todo o planeta, algo recentemente afirmado também pela ONU”.

“Outra questão que não se pode deixar de lado é o desperdício. De acordo com a FAO, o mundo descarta, aproximadamente, um terço do alimento produzido globalmente, o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas anuais¹. No Brasil, 70% dos alimentos consumidos é proveniente de pequenas propriedades², sendo que boa parte destes pequenos agricultores já não fazem uso de agrotóxicos enquanto que outra parte passa a fazer cada vez mais uso dessas substâncias estimulados pelo modelo convencional”, critica. 

“Recentemente a ONU afirmou que os agrotóxicos são responsáveis por 200 mil mortes por intoxicação aguda a cada ano, e aponta que mais de 90% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento. Além disso, coloca como mito a ideia de que o uso de pesticidas é essencial para se produzir mais e garantir a segurança alimentar futura”, conclui.

Leia também: Greenpeace explica como Brasil pode manter PIB sem o modelo de agronegócio atual

1 - EMBRAPA. Disponível em: https://www.embrapa.br/tema-perdas-e-desperdicio-de-alimentos/sobre-o-tema
    “Enquanto o Brasil, por exemplo, descarta mais do que o necessário para neutralizar a insegurança alimentar no País, apenas um quarto do desperdício agregado dos EUA e Europa é suficiente para alimentar as 800 milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo”
    FAO, 2014. Food wastage footprint: impacts on natural resources. Food and Agriculture Organization for the United Nations, Rome, Italy. Disponível em: http://www.fao.org/3/a-i3991e.pdf
    FAO, 2014. Food losses and waste in the Latin America and the Caribbean. Food and Agriculture Organization for the United Nations, Rome. Disponível em: http://www.fao.org/3/a-i3942e.pdf/.
    FAO, 2015. The State of Food Insecurity in the World. Rome: Food and Agriculture Organization of the United Nations.

2 - MDA, 2010. Disponível em: http://sistemas.mda.gov.br/arquivos/2072421532.pdf
    Portal do Governo, 2015: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/07/agricultura-familiar-produz-70-dos-alimentos-consumidos-por-brasileiro

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