“Segunda safra” garante lucros para os agricultores do Nortão do Mato Grosso


Agronegócio

“Segunda safra” garante lucros para os agricultores do Nortão do Mato Grosso

Por:
5 acessos

O secretário de Desenvolvimento Rural, Homero Pereira, participou no último sábado, do 1º Encontro Nacional sobre Tecnologia de Segunda Safra (Entecss), realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Integrado de Lucas Rio Verde, na sede do Município, junto com o diretor-técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer), Naildo da Silva Lopes.

O evento é uma vitrine de tecnologia para melhorar a qualidade de sementes e herbicidas. Na verdade, um trabalho para os agricultores da região, sem fins lucrativos, feito pela fundação para incentivar o melhor aproveitamento da terra. “Eu cheguei em 1986 e colhia 35 sacas por hectare. Hoje, com tanta informação à disposição, minha colheita chega à 60 sacas por hectare”, disse Evaldo Ângelo Dalmazo, agricultor que participou dos três dias do encontro.

Uma das novidades da Entecss é o próprio nome: não existe mais safrinha em Lucas do Rio Verde. Atualmente, o plantio de milho e sorgo, depois da colheita da soja, é chamado de ‘segunda safra’. “Essa denominação veio porque a segunda safra, que antes acontecia apenas para proteger a fertilidade da terra, agora ganhou espaço econômico entre os produtores”, explicou o presidente da Fundação, Raul Vuades, que é também é superintendente de Ações Políticas da Secretaria de Desenvolvimento Rural.

Egídio Vuades, presidente da Fundação e superintendente de ações políticas na Agricultura do Estado, será o responsável por disseminar a cultura de segunda safra e o uso pleno da terra em todo o Estado. “O que estamos vendo neste encontro é a mobilização de toda uma classe para que, em parceria com o Estado, promovam o crescimento da agricultura mato-grossense”, avaliou o secretário Homero Pereira.

Nova realidade - O Município de Lucas do Rio Verde colhe, atualmente, 10% da produção nacional da segunda safra. Para este mês, a expectativa é de que sejam colhidas 800 mil toneladas de grãos. Isso significa quase 90% de adesão de todos os agricultores da região. “Esses números superaram a primeira safra, o resultado da colheita da soja, que este ano foi de 660 mil toneladas”, informou Vuades.

A soja, em Lucas do Rio Verde, teve um aumento de 10% na produção em relação ao ano passado, quando registrou os mesmos números da segunda safra. “É a nova realidade: a máquina ‘plantadeira’ anda atrás da ‘colheitadeira’ e o produtor planta rápido, colhe rápido para aproveitar os seis meses de chuva”, enfatizou o presidente da Fundação.

A colheita da soja é realizada em fevereiro e o plantio da segunda safra ocorre na seqüência, para aproveitar os dois meses de chuva, antes da estiagem. “E nós nos preocupamos em ter plantas de raízes profundas para a segunda safra e assim aproveitar a água que fica debaixo da terra”, observou Vuades. “Aqui, a gente tem noção de como aproveitar a luz e a água, além do espaçamento para plantar o milho”, disse o agricultor Antônio Isaac Fraga Lira.

O encontro lembra a Agrishow do Cerrado, com exposição de máquinas e implementos agrícolas pelas grandes empresas do mercado, mas, segundo a diretora-executiva da Fundação, Dora Ceconello, a preocupação é só com a pesquisa e o desenvolvimento da agricultura da região, com enfoque na segunda safra, que gera mais lucros ao produtor rural.

Cerca de mil agricultores da região visitaram o encontro e puderam também conhecer projetos-pilotos, a exemplo de 2,5 milhões de mudas de palmeira real, como opção para os agricultores venderem palmito. Outra tecnologia que chamou a atenção no Entecss foi um aparelho meteorológico portátil que indica clima, umidade e pluviosidade numa área de 25 km em torno da área onde estiver instalado.

“Os agricultores que formam a Fundação e trazem todas estas novas tecnologias aos produtores de Lucas do Rio Verde são muito organizados. A intenção é estimular outras regiões do Estado a investirem em pesquisa e avançarem tecnologicamente para aumentar a produção agrícola de Mato Grosso”, analisou Homero Pereira. “Aqui, o hectare de terra vale 2 mil dólares. Por isso, precisamos aproveitá-la”, disse o agricultor Helmut Waslich.


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink