A alternativa agroecológica
CME MILHO (DEZ/20) US$ 4,200 (0,72%)
| Dólar (compra) R$ 5,63 (0,59%)


Agronegócio

A alternativa agroecológica

Rede de Sementes do Xingu está batalhando para conquistar autonomia
Por:
985 acessos

Rede de Sementes do Xingu está batalhando para conquistar autonomia e tem encomenda de 32 toneladas de sementes nativas do cerrado e da floresta amazônica

ISA - Instituto Socioambiental - Mais de 40 coletores se encontraram em São Félix do Araguaia, Mato Grosso, nos dias 25 e 26 de setembro, para o 7° Encontro da Rede de Sementes do Xingu. Em seu quarto ano de existência reúne mais de 300 famílias de coletores e dois desafios: desenvolver sua autonomia e atender à crescente demanda por sementes nativas para os trabalhos de restauração florestal desenvolvidos na região. As novas oportunidades e possíveis cenários para o futuro da rede foram discutidos durante o encontro.

Para esta safra de sementes, que vai de julho a fevereiro, a rede tem uma encomenda de 32 toneladas de sementes nativas do cerrado e da floresta amazônica. O volume supera a quantia produzida em todos os anos anteriores, que foi de 25 toneladas. O aumento da demanda é atribuído ao reconhecimento do trabalho da rede e à popularização do plantio mecanizado de florestas. “Muitos produtores rurais da região nos procuram porque precisam restaurar suas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Nós utilizamos a técnica do plantio mecanizado de sementes nativas, feito com o mesmo maquinário usado para plantar soja e milho. O plantio de sementes acaba ficando bem mais em conta que o plantio de mudas e é mais indicado para grandes áreas”, afirma Eduardo Malta, do Instituto Socioambiental (ISA), uma das organizações envolvidas na Campanha Y Ikatu Xingu e na rede.

A Rede de Sementes do Xingu foi criada em 2007 justamente para atender a demanda por sementes nativas dos projetos de restauração florestal realizados pelas instituições envolvidas na Campanha Y Ikatu Xingu, na Bacia do Rio Xingu. Em quatro anos, a rede cresceu de maneira surpreendente e hoje envolve agricultores, assentados e indígenas que se dedicam a coletar sementes em 19 municípios e sete comunidades indígenas.

O que era uma iniciativa socioambiental para atender uma demanda localizada mostrou-se um negócio lucrativo. “Quando a rede foi criada, nós nem imaginávamos que ela poderia crescer tanto assim. Era apenas uma iniciativa socioambiental que atenderia nossa necessidade de sementes. Hoje, essa atividade garante renda para diversas pessoas e se tornou um negócio rentável e próspero. Os pedidos crescem a cada mês”, explica Nicola Costa, assessor técnico do ISA e animador da rede.

Negócio rentável

Os coletores da rede de sementes já desenvolvem seu trabalho com autonomia, sabem onde encontrar as sementes, como coletá-las e beneficiá-las. Porém, a rede ainda não é autônoma serviços como transporte, armazenamento e comercialização ainda são apoiados e subsidiados pelas instituições que animam o projeto. O próximo passo para garantir seu crescimento com segurança e estabilidade é a autonomia, isto é, a organização dos coletores para cuidar de todas as etapas do trabalho.

Para isso, a rede está contando com a ajuda do consultor Stefano Ilha Dissiuta, engenheiro florestal com experiência na organização de cooperativas, que desenvolve um plano de negócios para a atividade. “Hoje a rede é um negócio subsidiado e não precisa ser. Os coletores já podem assumir o potencial desse negócio e fazer a rede decolar”.

Dissiuta ressalta também o potencial da rede de sementes. “Temos pessoas de várias partes do País querendo comprar as sementes daqui. São mais de 200 espécies dos biomas floresta, cerrado e caatinga, isto é, que atendem a diferentes necessidades. Além disso, tem o valor agregado, pois é uma iniciativa socioambiental que envolve pessoas de diferentes culturas e origens”.

Outras ações estão sendo realizadas para encaminhar a autonomia da rede. Uma delas é a criação de um fundo rotativo, através do qual os coletores podem pegar empréstimos para comprar materiais utilizados na atividade, como facões, peneiras e combustível para o transporte. O Fundo tem hoje R$ 50 mil, dos quais R$ 12 mil já foram emprestados.

O valor do quilo das sementes nativas varia entre R$0,50 e R$ 300,00, dependendo da dificuldade para encontrá-las e beneficiá-las. A média paga por quilo, portanto, é de R$ 10,00. Dissiuta avalia o crescimento da rede como uma grande oportunidade de desenvolver uma forte economia florestal no estado. “Se considerarmos que a encomenda de sementes para esta safra será de 32 toneladas, isso significa que a rede irá gerar R$ 320 mil aos coletores. Isso representa um impacto significativo na renda dessas pessoas”.

Troca de experiências

Muitos coletores desenvolvem sua própria técnica para beneficiar e limpar as sementes que colhe. Algumas frutas devem ser secas antes, outras devem ser passadas na peneira, com água corrente, para que as sementes sejam separadas. Essas descobertas e experiências de cada grupo coletor foram partilhadas no encontro. “Para limpar a lobeira, eu tiro ela quando está bem madura e mole, depois espremo bem com as mãos e em seguida piso nela para separar toda a polpa. Depois disso, lavamos em uma peneira até ficar limpa. Ela deve ser seca na sombra”. Elivaldo da Silva Nogueira, de São José do Xingu-MT, coleta de 15 a 20 espécies do cerrado e da floresta e garante que a atividade complementa sua renda mensal.

Números da Rede de Sementes do Xingu

- 300 famílias de coletores de sementes - indígenas, agricultores familiares, assentados rurais e viveiristas
- 200 espécies de floresta, cerrado e caatinga na lista de comercialização
- 19 municípios e sete aldeias indígenas envolvidas
- 25 toneladas de sementes coletadas em quatro anos
ISA/EcoAgência

Anúncios que podem lhe interessar


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink