A força cada vez maior do etanol

Agronegócio

A força cada vez maior do etanol

Alguns especialistas preveem que, no futuro, o derivado da cana será capaz de substituir o óleo diesel
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Neste ano, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), idealizado pelo ministro Shigeaki Ueki no governo do presidente Ernesto Geisel, completará 34 anos, registrando em si três fases bastante distintas.

A primeira se estende entre os dois choques do petróleo e é marcada por um incremento de produção alcooleira de 600 milhões de litros por safra, nos anos de 1975-76, para 3,4 bilhões em 1979-80. Na segunda fase, registramos um crescimento considerável, tendo a fabricação do derivado da cana alcançado perto de 12 bilhões de litros, em 1985-86.

Os anos seguintes, correspondentes a mais de duas décadas, após uma fase de semiestagnação (1987 a 1996), registraram o seu excepcional sucesso e consagração, e as indústrias sucroalcooleiras forneceram para o uso interno e exportações quase 30 bilhões de litros, o equivalente a mais de 400 milhões de barris diários de petróleo, em 2009.

O presidente Lula fez do projeto um cartão de visita do seu governo, promovendo a sua apologia nas viagens internacionais. É inquestionável, hoje, sob o ponto de vista socioeconômico e ambiental, o impacto do Programa no desenvolvimento pátrio. O Brasil, ainda, é a única nação do universo que encontrou um substituto natural e eficiente para a gasolina, derivada do petróleo, passando a liderar o futuro da energia limpa e renovável no globo.

O etanol pátrio é, indubitavelmente, o combustível líquido mais barato, ecológico e renovável do mundo, vendido nas indústrias às distribuidoras ao preço médio de R$ 0,60 por litro, o que não remunera a atividade agroindustrial, segundo informações da Unica. Nos postos de abastecimento a venda é feita ao público pelo valor médio de R$ 1,00 por litro.

Atualmente, a atividade econômica da cana está sendo sustentada pelo açúcar, cujo preço médio de comercialização é de R$ 53,00 por tonelada. Já no tocante ao etanol anidro (misturado à gasolina em 25%), o preço médio é de R$ 0,70 o litro na usina produtora e não contém os impostos. As indústrias produtoras, tão somente do etanol (destilarias), desta forma, encontram dificuldades na geração do caixa, o que repercute, diretamente, junto ao fornecedor da cana-de-açúcar.

Não obstante, como acentua o professor Plínio Mário Nastari (FGV-SP), apesar desse cenário de preços depreciados, muitas usinas estão priorizando a produção do etanol, já que o energético apresenta maior liquidez. Graças às pesquisas em desenvolvimento nos laboratórios das universidades, no CTC e na Dedini, em breve haverá condições de extração do etanol do bagaço e da palha da cana (biomassa da planta), o que aumentará a produtividade e a eficiência das usinas em cerca de 40%. Estima-se que, no próximo triênio, essa tecnologia poderá estar acessível em escala industrial. O programa já resultou em uma geração de economia de divisas estimada em mais de US$ 100 bilhões, com a substituição da gasolina pelo etanol.

Alguns especialistas preveem que, no futuro, o derivado da cana será capaz de substituir o óleo diesel, seja pelo seu uso direto na forma de aditivo ou na adaptação dos motores atuais, bem como pelo surgimento de veículos pesados, especialmente planificados para funcionarem a etanol.

Enfim, o Proálcool veio para ficar.

Comprovadas as reservas petrolíferas do pré-sal (60 a 70 bilhões de barris) e assegurados os fantásticos recursos financeiros da sua extração, o Brasil poderá ser incluído definitivamente no rol dos maiores produtores e exportadores de energia de todo o mundo.

Desta forma, o nosso consumo diário, de mais de 2 milhões de barris de petróleo, e o anual, próximo de 700 milhões, acrescido de mais de 400 mil de etanol, poderá ser assegurado, inclusive para os próximos 100 anos ou mais.

A sustentabilidade está na essência da atividade do agronegócio da cana, ou seja, na transformação da fotossíntese em alimento ou energia (açúcar ou etanol). Ainda, em tempos futuros, dar-se-á melhor atenção à eletricidade oriunda do bagaço e palha da cana, pela sua competitividade com as demais fontes clássicas, atendendo, dessa forma, às exigências da Agenda 21.


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