A natureza dá dinheiro

Agronegócio

A natureza dá dinheiro

A corrida ambiental inaugura um novo negócio: a produção de mudas de árvores nativas, cujo valor é 210% superior ao tradicional eucalipto
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A roeira, peroba, embaúba, ipê -branco, urucum. Estes são apenas alguns exemplos de árvores nativas da Região Sudeste do Brasil cuja demanda está em alta. Os motivos são vários. O primeiro e mais urgente é que, no ano que vem, o produtor que não estiver com a área de Reserva Legal (RL) registrada na matrícula do imóvel rural não conseguirá crédito das instituições financeiras. Àqueles que já possuem o percentual de mata nativa exigida por lei para a RL na sua região, basta seguir os passos do boxe na próxima página. Mas se você precisa recompor a sua RL, a dica é: não perca tempo.

O alerta se deve à escassez de mudas no mercado. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), não há uma estatística precisa sobre a produção de mudas. "A multiplicação está muito pulverizada em sítios, viveiros e ONGs", diz João de Deus Medeiros, diretor de àreas protegidas da Secretaria de Biodiversidades e Florestas do MMA. No entanto, ele reconhece que a oferta está muito aquém do necessário. Um fator catalisador é a quantidade de área degradada existente no País.

As estimativas apontam que o Brasil tem cerca de 300 milhões de hectares para a expansão agrícola. Deste montante, segundo o MMA, 50 milhões são áreas degradadas a tal ponto que não serviriam nem para a atividade agrícola. Neste caso, a solução seria reflorestar com espécies nativas. Além disso, há a demanda proveniente de quem precisa recompor as Áreas de Preservação Permanente (APPs), aquelas localizadas às margens de cursos d"água.

Atenta a esta oportunidade de negócio, a Iandebo Florestal antecipou o projeto de multiplicação dessas espécies arbóreas. "A ideia era começar com as nativas em 2010, quando estivéssemos em bom cruzeiro com o eucalipto, mas adiantamos por causa da procura", diz o engenheiro florestal Carlos Alberto Schreiner, CEO da empresa.

Os planos da Iandebo é produzir 650 mil mudas de nativas este ano e 1,2 milhão a partir de 2010. O número pode parecer baixo, mas, por se tratar de árvores nativas, não é. O motivo está na dificuldade de multiplicação. Enquanto as mudas de eucalipto não levam mais de 120 dias para crescer, a maioria das árvores nativas demora no mínimo seis meses. "Temos 120 espécies de nativas, cada uma com uma demanda especial de temperatura, adubação e umidade.

Não existe uma receita de bolo como no eucalipto", diz Ancila Regina Daga, engenheira florestal responsável pela área de nativas da Iandebo. A diversidade de árvores da empresa tem por objetivo atender à lei estadual paulista que, em caso de áreas degradadas, exige que o projeto de reflorestamento tenha no mínimo 80 espécies florestais nativas de ocorrência regional. Isso explica o alto preço da muda: R$ 1,10, contra R$ 0,35 do eucalipto, uma diferença de 210%

R$ 6 milhões foi o valor investido na criação da Iandebo

Apesar de a produção de nativas ser o diferencial da Iandebo, o carro-chefe continua sendo o eucalipto. A carência de viveiros para a multiplicação da exótica, inclusive, foi o que levou à criação da empresa em 2006. Não por acaso, em pouco tempo, a Iandebo conquistou clientes como Duratex, Ferro Liga Maringá e Suzano. Atualmente, a empresa produz dez milhões de mudas por ano. Mas as nativas só acrescentaram benefícios à Iandebo. "Os substratos de eucalipto que não enraizavam e eram descartados, agora se tornam substratos para as nativas", diz Schreiner.

A máxima do reaproveitamento está presente desde a concepção da empresa. Dos R$ 6 milhões investidos na sua criação, R$ 1,2 milhão foi destinado ao sistema de captação de água da chuva. Quanto ao retorno, Schreiner é claro: "Esperamos reaver 17% ao ano a partir do ano que vem, quando a empresa estiver operando em plena capacidade". O executivo ainda falou da possibilidade de abertura de uma unidade no oeste paulista para suprir a demanda de nativas dos usineiros. Alguém tem dúvida de que a natureza é um bom negócio?

Socorro!

As estimativas do Ministério do Meio Ambiente (MMA ) são preocupantes. "Apenas 25% das propriedades rurais averbaram sua área de Reserva Legal (RL)" diz João de Deus Medeiros. Neste contexto, pode se dizer que três quartos dos imóveis rurais estão fora da lei e podem ser autuados por crime ambiental.

Então, se você é produtor rural e não regularizou a sua situação, siga o passo a passo que a DINHEIRO RURAL preparou para você se adequar ao código florestal, Lei 4.771, e não ficar de fora do crédito destinado à produção agrícola. Lembre-se de que o processo é burocrático, depende dos órgãos públicos e pode levar um certo tempo. A boa notícia é a possibiidade de se fazer um plano de manejo sustentável para a área de RL.

1 Contratar um profissional da área ambiental para mapear as áreas de RL e APP

2 Se você não tiver o percentual de RL exigido na sua região, terá que recompor com árvores nativas

3 Outra opção é compensar em área equivalente em extensão e pertencente ao mesmo ecossistema

4 De posse do mapeamento, você precisa dar entrada no órgão ambiental estadual

5 Com o deferimento em mãos, averbar em cartório a área de RL na matrícula do imóvel rural


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