Abate de matrizes preocupa câmara setorial da carne bovina
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Agronegócio

Abate de matrizes preocupa câmara setorial da carne bovina

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Se não forem adotadas medidas rápidas de estímulo à retenção de matrizes, o país deve chegar ao fim do ano com abate de 5 milhões de vacas a mais do que o volume natural de descarte, que gira em torno de 23% a 25% do rebanho. A advertência é do presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, órgão que integra o Conselho do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Antenor de Amorim Nogueira, para quem o problema é muito grave, com reflexos negativos em toda a cadeia da carne.

Segundo dados do Centro de Pesquisas e Estudos Agrários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos oito meses o abate de matrizes tem se situado entre 37% e 40% a mais do que é considerada a média normal de desfrute e de reposição de plantel. Conforme Antenor Nogueira, isso significa que serão, no mínimo, 2,5 milhões de bezerros a menos para engorda no próximo ano. Pelo menos duas causas são apontadas para justificar a matança: aumento dos custos de produção e desvalorização das vacas de cria.

Para minimizar o problema, a Câmara Setorial da Carne Bovina, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil propôs que o governo inclua recursos específicos para a retenção de matrizes, com juros equalizados, no Plano Agrícola 2004/05, cuja proposta já foi encaminhada ao governo pelos entidades que integram o Conselho Superior de Agricultura e pecuária do Brasil (Rural Brasil).

No entendimento de Antenor Nogueira, o produtor precisa de condições para que possa ter acesso a um determinado volume de crédito para suprir suas necessidades de dinheiro. Com isso, não vai matar suas matrizes para fazer caixa.

Prejuízos

O abate indiscriminado de matrizes não só compromete o desempenho futuro da pecuária como também afeta toda a cadeia produtiva da carne. Segundo Antenor Nogueira, o aumento da oferta de carne derruba as cotações do produto no mercado atacadista, mesmo do boi que é destinado às exportações. O aumento da oferta pressiona os preços para baixo, impedindo que as cotações melhorem, ainda que o mercado externo esteja pagando mais pelo produto.

Outro problema deverá surgir mais adiante, no momento da reposição do plantel. Com oferta menor de bezerros (fêmeas e machos) os preços tendem a aumentar, inviabilizando a reposição, já que a cotação do boi gordo para abate tende a manter-se estável.

Conforme Nogueira, o descarte indiscriminado de matrizes nunca trouxe benefícios à pecuária. Ao contrário, toda vez que isso ocorre, toda a cadeia produtiva sofre graves conseqüências. “Agora, mais do que nunca, o país precisa manter regularidade na produção de carne, consolidando a posição de maior exportador do mundo”, avalia Antenor Nogueira.


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