Acionistas da Vale do Rosário rejeitam oferta da Cosan
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Agronegócio

Acionistas da Vale do Rosário rejeitam oferta da Cosan

Os acionistas majoritários da Vale do Rosário estão resistindo à oferta "hostil" de compra feita pela Cosan
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Os acionistas majoritários da Companhia Açucareira Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP), estão resistindo à oferta "hostil" de compra feita pela Cosan S.A. Indústria e Comércio, com sede em Piracicaba (SP). Na tarde da última sexta-feira (02-02), Eduardo Diniz Junqueira, vice-presidente e um dos fundadores da companhia - junto com Maurílio Biagi, falecido na década de 1980 -, anunciou, em nota, que a empresa não havia recebido "formalmente" dos acionistas minoritários, "receptores de oferta para venda de suas ações", cópia do compromisso de venda e compra de ações à Cosan.

Assim, segundo a nota, a Vale do Rosário não poderia iniciar prazo para exercício do direito de preferência previsto estatutariamente. E não poderia, também, se pronunciar sobre o assunto. Afirma a nota que, "se e quando apresentado, eventual contrato deverá ser submetido pela companhia aos demais acionistas, instruindo a proposta, para exercício do direito de preferência desses acionistas, nos termos do artigo 6 do Estatuto Social da Companhia".

Diniz Junqueira, que se reveza com Cícero Junqueira Franco na presidência da Vale do Rosário, gostaria que a companhia, que nasceu "familiar" em 1964, assim continuasse. Mas lamenta que isso nem sempre é possível. De seu grupo fazem parte, entre outros, Ricardo de Almeida Prado, Ricardo Brito Pereira e Luiz Biagi. Para não perder o controle da companhia, o grupo estaria até retomando negociações de fusão com a Santa Elisa, da família Biagi, e de abertura de capital.

Do outro lado, os minoritários, favoráveis à venda da empresa, dizem que já se tornaram majoritários. Um deles afirmou a este jornal que os minoritários estão "descontentes com a forma antiquada, autoritária e pouco profissional" com que a empresa é gerida. "É uma luta dos ‘obedientes’"", que não querem vender a companhia, contra os ""desobedientes"", que são favoráveis à venda", disse ele. A fonte afirmou ainda que se a empresa for vendida, "a maioria dos sócios aplicará o dinheiro no próprio setor de açúcar e álcool".

Apesar do descontentamento dos minoritários, a Vale do Rosário é reconhecida no mercado como uma usina-modelo. A companhia controla outras usinas: a MB, de Morro Agudo, a Jardest, de Jardinópolis, e a Frutal, da cidade de mesmo nome, que começa a operar nesta safra. A Vale, como é chamada no mercado sucroalcooleiro, ainda é sócia do Grupo Maeda e da Santa Elisa na usina Tropical, a ser construída em Edéia (GO), e detém 35% do capital da Crystalsev, empresa que comercializa a produção de álcool e açúcar de oito usinas paulistas. Rubens Ometto da Silveira Mello, controlador da Cosan, estaria disposto a pagar pela Vale do Rosário R$ 770 milhões.


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