Acre: ensinando a plantar sem o fogo

Agronegócio

Acre: ensinando a plantar sem o fogo

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Levantar cedo, cuidar dos roçados, escoar a produção, sustentar a família são as preocupações do dia-a-dia dos produtores rurais. Mas uma inquietação vinha perturbando os pensamentos de Pedro Pereira, agricultor do Projeto Humaitá, pai de 12 filhos.

Dono de 73 hectares de terra, pedaço de chão que já tem quase 50% de área desmatada, ele se preocupa em preservar a floresta, recusa desmatar e está há cinco anos sem fazer queimas. Ele é consciente da importância de conservar o meio ambiente em que vive, mas também sabe que sozinho não vai conseguir aumentar a produção e melhorar a vida da família dentro das limitações impostas: não desmatar e não queimar, duas práticas tradicionais entre os produtores.

"Não posso derrubar a floresta para investir em roçados nem usar o fogo para preparar a terra. E concordo com isso. Sou contra o desmatamento porque, se continuar nesse ritmo de destruição do meio ambiente no Brasil inteiro, uma criança que nasça hoje não vai conhecer um pé de açaí daqui há alguns anos. Mas eu tenho família pra sustentar, e manter a propriedade também tem um custo", disse o produtor.

A consciência ambiental de Pedro está em completa sintonia com a Política de Valorização do Ativo Ambiental Florestal, promovido no Acre pelo Governo do Estado, e a propriedade está pronta para ser enquadrada no Programa de Certificação das Propriedades Rurais Familiares.

Segundo o secretário de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar, Nilton Cosson, o grande desafio da Política Estadual de Valorização do Ativo Ambiental Florestal é reverter processos de desmatamentos e queimadas, ao mesmo tempo em que promove a produção sustentável nas propriedades rurais acreanas.

"A produção familiar tem um espaço privilegiado e garantido dentro das políticas ambientais de Governo, por isso foi criado o programa de certificação das propriedades, pelo qual os produtores que aderirem são premiados com bônus e recebem, com prioridade, todo o apoio da extensão agroflorestal necessário para o desenvolvimento da produção, preservação do ativo ambiental e garantia de segurança alimentar", disse Cosson.

Na propriedade de Pedro, que vai aderir ao programa de certificação, há muitos avanços. O primeiro é a abolição do uso do fogo. A prática da queimada não é usada há cinco anos. O produtor também deu início ao reflorestamento da área desmatada, consorciando a lavoura do café com espécies florestais madeireiras e não-madeireiras, como mogno, copaíba e açaí.

"Acredito que a propriedade será certificada diretamente no nível intermediário, que é a terceira etapa da certificação, pois ele não usa fogo, participa de associação, já faz reflorestamento. Mas tudo isso será avaliado e construiremos, junto com toda a família, o planejamento da propriedade, considerando as prioridades e as viabilidades", explicou o técnico da Seaprof, Agostinho Messias Abegão.

O Programa de Certificação das Propriedades apresenta quatro níveis, que compreendem a adesão ao programa, certificação básica, certificação intermediária e certificação plena.

O extensionista que acompanha a propriedade de Pedro explica as soluções que serão desenvolvidas para que o produtor tenha alternativas ambientalmente corretas e economicamente viáveis ao desmate e queima. A primeira e mais urgente é a implementação de um roçado sustentável para garantir a soberania e a segurança alimentar da família.

"Como ele não tem mais área para introduzir culturas anuais como milho, arroz, feijão e macaxeira, e diminuir a dependência de compra desses produtos, o primeiro passo é o roçado sustentável. Pegaremos dois hectares de terra. Numa parte vamos plantar a mucuna, adubo natural que evita incidência de ervas daninhas, proporciona umidade à terra e recupera áreas degradadas. No segundo ano o cultivo é alternado para o hectare que estava com a mucuna para que a outra parte da área também seja recuperada", explicou Abegão.

Outra alternativa é investir na diversidade de culturas perenes, como o citrus, que já existe na propriedade e também pode contribuir para a renda da família.

Criar alternativas ao uso do fogo, recuperar áreas degradadas, criar condições de segurança alimentar das famílias, como roçados sustentáveis, criação de peixes e pequenos animais, planejar a economia da propriedade. Essas são algumas ações que estão previstas no programa de Certificação das Propriedades, que integra a Política de Valorização do Ativo Ambiental Florestal, cujo grande objetivo, além de amparar os produtores familiares rurais, é preservar o meio ambiente e manter a floresta em pé, gerando renda para as populações tradicionais.


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