Açúcar dispara no Brasil com alta dos preços internacionais

Agronegócio

Açúcar dispara no Brasil com alta dos preços internacionais

A saca de 50 kg do açúcar cristal foi cotada no recorde de 74,60 reais
Por: -Inaê Riveras
1193 acessos
Os preços do açúcar no mercado físico no Brasil subiram para níveis recordes depois da disparada dos futuros no mercado internacional para a máxima de 30 anos, disseram analistas, acrescentando que a tendência de alta deve persistir.

Os futuros do açúcar bruto na ICE, em Nova York, atingiram máximas de 30 anos e os refinado na bolsa de Londres subiram para os maiores níveis já registrados nesta quinta-feira, depois que o Federal Reserve anunciou a recompra de 600 bilhões de dólares em títulos do governo na tentativa de reforçar o crescimento na lenta economia norte-americana.

No Brasil, a proximidade da entressafra na principal região produtora centro-sul, sustentado pela demanda local, uma possível queda na produção de açúcar no próximo ano e a valorização da moeda combinados direcionaram os preços para cima.

A saca de 50 kg do açúcar cristal foi cotada no recorde de 74,60 reais nessaa quarta-feira (03-11), um aumento de 85 por cento desde o início de julho, de acordo com o Cepea, centro de pesquisas econômicas da Universidade de São Paulo.

"De acordo com estimativas da associação da indústria de alimentos (Abia), o pico na produção de alimentos deve ocorrer entre outubro e novembro, consolidando o cenário de aumento da demanda por açúcar", disse o Cepea em relatório, indicando que a compra no mercado à vista deve se intensificar.

Traders disseram que usinas poderão cancelar contratos de exportação para mais de 1 milhão de toneladas de açúcar, com o objetivo de vender o produto localmente a preços mais elevados ou porque, simplesmente, a produção foi menor que o previsto inicialmente.

"Uma boa parte disso é de pessoas que cancelaram vendas porque o açúcar nunca chegou a ser produzido", disse Arnaldo Correa, diretor da consultoria Archer.

O receio quanto à produção abaixo do esperado no Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, tem sustentado os preços futuros.

Devido à seca neste ano, o processamento no centro-sul será concluído mais cedo que nos dois últimos anos. Cerca de 30 usinas das mais de 400 usinas na região já encerraram atividades para esta temporada.
 
Chuvas abaixo da média entre abril e agosto também devem afetar a próxima safra, possivelmente resultando na primeira queda de produção em 11 anos.

A preocupação com a oferta também ajudou a impulsionar os prêmios de exportação.

Para embarques em novembro, os prêmios estão cotados entre 120-130 pontos sobre o vencimento março do açúcar bruto na ICE. Para dezembro, eles estão entre 100-120 pontos sobre o março, de acordo com traders locais.

Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink