Aftosa na Bolívia leva MT a antecipar campanha de vacinação
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Agronegócio

Aftosa na Bolívia leva MT a antecipar campanha de vacinação

O Estado vai intensificar a fiscalização nos 780 quilômetros de fronteira seca com a Bolívia
Por: -Giuliano

O Mato Grosso vai intensificar a fiscalização nos 780 quilômetros de fronteira seca do Estado com a Bolívia depois da notificação de focos de febre aftosa em quatro cidades bolivianas, no Departamento de Santa Cruz. Para a fiscalização na área paralela à fronteira, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) terá duas equipes atuando durante 24 horas, na formação de barreiras sanitárias que contarão com reforço de profissionais médicos veterinários, técnicos e epidemiologistas se somando aos 14 que já atuam na área paralela à Bolívia, uma faixa que se estende do município de Cáceres até Comodoro, passando por Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Além dos profissionais, o Indea enviará também mais sete veículos, totalizando 20, que irão atuar na fiscalização e acompanhamento da vacinação contra aftosa do rebanho de cerca de 1.030 milhão de bovinos que existem nas 115 propriedades rurais na faixa de fronteira com a Bolívia. Policiais do Grupamento e Fronteira da Polícia Militar (Gefron) também vão auxiliar na fiscalização da fronteira seca dentro do Estado.

As medidas foram anunciadas em uma reunião na segunda-feira (29-01) entre o governo do Estado em conjunto com a Superintendência da Agricultura em Mato Grosso, Fundo Emergencial de Febre Aftosa e entidades ligadas à pecuária, e formam o trabalho integrado desses setores e governos para prevenção da fronteira mato-grossense contra a doença.

“Mato Grosso vai tomar todas ações preventivas, como a fiscalização e levantamentos do ocorrido, para garantir que o cinturão da faixa de fronteira seja protegido”, frisou o secretário-chefe da Casa Civil Antônio Kato.

Todo o trabalho será coordenado pela Superintendência de Agricultura, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com o superintendente no Estado, Paulo Bilégo, o aumento da vigilância primária é a melhor e mais eficaz medida nesse momento, uma vez que acordos internacionais da Organização de Epizootias (OIE) determinam que quando há detecção de focos as fronteiras devem ser fechadas e reforçadas a vigilância. “Todas as exportações de produtos e subprodutos da Bolívia estão suspensas e estamos implementando medidas urgentes, entre elas a liberação do comércio de vacinas para a primeira etapa de vacinação já a partir de hoje”, informou Bilégo.

O Departamento de Sanidade Animal do Mapa suspendeu a entrada em todo o território nacional de animais susceptíveis à doença, seus produtos e subprodutos originários da Bolívia enquanto aguarda informações detalhadas do serviço oficial boliviano. As exportações de carnes e laticínios da Bolívia já foram também suspensas pela OIE.

Focos:

O primeiro foco da doença foi detectado na cidade de Cuatro Cañadas, do Departamento de Santa Cruz. De acordo com o superintendente, o órgão de sanidade animal da Bolívia não informou ainda o número de animais infectados, somente que eram provenientes de uma feira de animais realizada em Santa Cruz de La Sierra e prontos para o abate. Em outras três cidades – Montero Hoyos, Colônia Sur e Andrés Ibañez – também foram detectados animais com suspeita da doença.

“O que sabemos é que os animais chegaram a essas cidades já contaminados e a propagação é rápida. Por isso, sem um levantamento mais detalhado, temos que tratar, a princípio, com mais cautela, impedindo que a fronteira seja atingida”, destacou Paulo Bilégo.

Medidas:

Na fiscalização da faixa de fronteira serão envolvidos o Exército Brasileiro, Polícia Federal e técnicos do Mapa, intensificando as ações nas divisas com as quatro cidades que fazem fronteira com Mato Grosso – San Matias, San Ignácio, San Ignacito e San Roque – evitando que animais possam passar para o lado mato-grossense. Vinte e um veículos novos adquiridos recentemente pela Superintendência também serão empregados nessas ações.

As equipes do Indea vão intensificar a fiscalização e vacinação assistida, com a presença de profissionais do órgão de sanidade animal em data pré-estabelecida, nas propriedades da faixa fronteiriça. A maior parte delas, são 54 propriedades, está no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, que fica a 190 quilômetros do local onde foi detectado o foco de aftosa.

Outras 34 propriedades ficam em Cáceres, 22 em Porto Esperidião e 5 em Comodoro. Técnicos farão a vacinação assistida também em três assentamentos, com a atuação dos vacinadores comunitários, já capacitados pelo Indea para exercer a imunização.

Um comitê central com a coordenação do Mapa já foi criado para orientar as ações integradas com outros três Estados que também fazem fronteira com a Bolívia – Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre.

Conforme o presidente do Indea, Décio Coutinho, o órgão terá dois pontos de concentração das informações de fiscalização na área paralela, um em Cáceres e outro em Pontes e Lacerda.

“O acompanhamento da vacinação será rígido e nossas equipes atuarão 24 horas na faixa fronteiriça. Nossas fronteiras estão fechadas há mais de 28 anos para entrada de animais em trânsito vindos da Bolívia, a fiscalização será intensificada, até porque estamos há 11 anos sem um único foco da doença e queremos manter esse status”, observou Coutinho.

Representantes dos órgãos de sanidade animal e da Superintendência de Agricultura se reúnem no Mapa, em Brasília, nesta semana para tratar da liberação de recursos do Mapa que serão empregados nessa ação emergencial.

Vacinação:

Para a primeira etapa de imunização contra a aftosa neste ano, o Indea e Mapa decidiram, diante do problema na Bolívia, antecipar as vendas de vacinas no Estado. A campanha começa oficialmente dia 1º de fevereiro, mas desde esta segunda-feira, produtores já podem adquirir as doses. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Roberto Motta, cerca de 10% do rebanho bovino mato-grossense de 0 a 12 meses deverá ser imunizado nesta etapa. Para esse trabalho, serão colocadas à venda quase três milhões de dose da vacina. “Os produtores, proprietários rurais podem se tranqüilizar que não faltará vacina no mercado”, garantiu Motta. As informações são da assessoria de imprensa da Famato.


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