Afubra quer mudanças na integração

Agronegócio

Afubra quer mudanças na integração

A Associação de Fumicultores do Brasil planeja, rever o sistema para que os produtores consigam maior rentabilidade
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Mais de 50 anos depois da fundação e de ter sido responsável pela implementação de um dos primeiros sistemas integrados em uma atividade econômica, a Associação de Fumicultores do Brasil (Afubra) planeja, justamente, rever o sistema para que os produtores consigam maior rentabilidade. Essa é uma das ações que Benício Albano Werner pretende implantar nos próximos quatro anos, período em que ficará à frente da associação.

Werner foi eleito presidente da Afubra em meados de junho desse ano e assume pela primeira vez a associação. Mas o trabalho dele na Afubra não é recente. Desde 1983 ele atua como tesoureiro na matriz da associação, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. A Afubra está presente nos três estados do Sul do País, com 17 filiais e 165 mil associados.

Para Werner, o fumo entregue pelos agricultores não está sendo devidamente valorizado pelas fumageiras nos últimos tempos. Ele acredita na necessidade de se fazer um trabalho em parceria com as entidades e sindicatos ligados aos trabalhadores rurais para discutir maneiras de se reestruturar o sistema. "O importante é que todas as entidades façam uma parceria para remontarmos o sistema integrado e trazermos de volta o valor que o produto tinha. Alguns produtores não estão obtendo a mesma remuneração que outros, mas se eles são integrados e devem ter o mesmo tratamento", afirma.

O presidente da Afubra explica que a diferença nos preços pagos entre os produtores não é conseqüência da qualidade. Segundo ele, há casos de valores diferentes pagos na mesma região e em um curto espaço de tempo. "Até o final de maio, 85% do produto já havia sido comercializado. E os produtores que venderam em junho e julho receberam 20% a mais por produtos da mesma qualidade dos que foram vendidos antes, até maio", afirma. Werner afirma que a indústria do tabaco não está dando o devido valor ao sistema e que a proposta de reestruturação deve ser feita o mais rápido possível, para entrar em vigor já na próxima safra.

Um dos trabalhos que a nova gestão da Afubra quer intensificar é o incentivo à diversificação nas propriedades fumicultoras para que sejam mais rentáveis. "Não falamos em alternativas ao fumo, mas a implantação de culturas paralelas", explica. Uma das possíveis alternativas, segundo Werner, é a produção de bioenergia.

Há cerca de dois anos, a Estação Experimental da Afubra, em Santa Cruz do Sul, iniciou o Projeto Bioenergia. Ainda incipiente, o projeto está na fase do cultivo do girassol. No entanto, a Afubra já viabilizou os equipamentos necessários para a extração do óleo das sementes do girassol e solicitou estudos para o melhor aproveitamento do potencial energético e econômico da cultura. Mesmo tendo conseguido os equipamentos, que devem ficar prontos em meados de julho, a associação esbarrou em um problema antigo: a pouca oferta de equipamentos para usinas de produção de biocombustíveis de pequeno porte. "O problema é que hoje, quando se fala em usinas de álcool ou de agroenergia, elas são mega, e isso não é solução para a região Sul, que é caracterizada por minifúndios. A solução seria equipamentos menores e com custos mais baixos, que poderiam ser adquiridos por famílias ou associações de agricultores", diz. A idéia de Werner é levar o Projeto Bioenergia para 22 municípios da região de Santa Cruz do Sul, e possivelmente, para municípios de Santa Catarina.

Para ele, o investimento no plantio de girassol deve beneficiar em muito os fumicultores, que terão uma opção a mais de renda, já que os agricultores podem comercializar as sementes ou mesmo extrair o óleo e vendê-lo, agregando valor ao produto (que pode ser utilizado como óleo comestível e também na fabricação de biodiesel), ou mesmo investir na produção do biocombustível para usá-lo, por exemplo, nos veículos da propriedade. Além disso, o farelo do girassol (sub-produto resultante da prensagem a frio das sementes), pode ser utilizado pelos fumicultores na alimentação dos animais. "Em primeiro lugar, a cultura não deixa resíduos ambientais. Depois, o girassol não vai trazer concorrência com as outras culturas desenvolvidas na pequena propriedade", afirma Werner.

Ainda relacionado à diversificação na propriedade agrícola, o presidente da Afubra afirma que a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio Grande do Sul (Emater) estão desenvolvendo estudos técnicos para a definição de um projeto de desenvolvimento sustentável para as pequenas propriedades dos associados da Afubra.


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